
A bulimia é uma forma de transtorno alimentar grave, que se caracteriza por episódios repetidos de compulsões alimentares, acompanhados de comportamentos compensatórios inadequados, tais como vômitos auto-induzidos, uso inadequado de laxantes e diuréticos, jejuns ou exercícios físicos excessivos sem que se evidencie uma perda de peso tão significativa como ocorre na anorexia.
Geralmente, há um grande temor em ganhar peso, assim como uma perturbação na percepção da forma e do peso corporal. Observa-se uma autocrítica em relação ao corpo muito severa, freqüentemente acompanhada do sentimento de falta de controle experimentado por esses indivíduos diante da compulsão alimentar e dos comportamentos compensatórios decorrentes.
Apesar de atualmente ocorrer um aumento dos transtornos alimentares em homens, tanto a bulimia quanto a anorexia ainda são consideradas patologias tipicamente femininas.
Muito se tem escrito sobre a bulimia, mas podemos notar que com maior freqüência se apresentam estudos dos comportamentos observáveis, em detrimento do interesse pelos significados que estes adquirem dependendo da dinâmica do funcionamento psíquico do sujeito.
Reconhecemos assim a necessidade não só de identificar e agir sobre os comportamentos alimentares e seus efeitos, mas pela busca de uma compreensão individual, levando-se em conta a forma como os processos psíquicos estão estruturados, isto é, a personalidade e a história de vida de quem sofre.
Do vocábulo grego boulimia, a palavra bulimia significa “fome devorante”. Derivada do adjetivo boulinos, formado pelo prefixo bou, que significa boi e de limos, que significa fome, significa literalmente “fome de boi”. Tipicamente, a bulimia se caracteriza pela ingestão impulsiva e voraz, geralmente às escondidas de uma grande quantidade de alimento que são com freqüência de fácil ingestão e hipercalóricos. Os fatores desencadeantes desses acessos são diversos, mas geralmente relacionam-se com sentimentos de solidão ou fracasso ou ao contrário à excitação e prazer. É clara a consciência por parte de quem sofre de que se trata de uma patologia pois estes episódios são relatados como algo impossível de se controlar.
A bulimia é uma patologia que sempre existiu, ou está ligada às mudanças culturais da atualidade? Essa é uma pergunta pertinente pois recentemente a bulimia vem recebendo a atenção em novelas e noticiários.
Embora a bulimia tenha começado a aumentar a partir da década de 1950, foi principalmente nas décadas de 1970 e 1980 que se registram um aumento maior desses casos. Observa-se claramente um aumento dos casos de transtornos alimentares nesses últimos anos e as transformações ocorridas no modo de vida dos indivíduos e nas relações intrafamiliares. A função cotidiana de manter discussões sociais em torno do ato de se alimentar tem perdido espaço cada vez mais para o estilo fast food, de comer rápido e solitariamente.
Uma pessoa pode estar desenvolvendo esta doença por sugestão da mídia que valoriza o padrão de beleza magro?
A discussão da relação entre os transtornos alimentares e cultura se dá na medida em que os ideais de magreza vêm sendo assumidos como uma medida de beleza e de valor pessoal. Ser magro tornou-se um pré-requisito para ser aceito em determinados grupos e ser reconhecido como alguém “legal”. Embora a aparência física sempre esteja presente como um elemento importante considerado pela mulher, a magreza nem sempre foi um status a ser perseguido. É nas últimas décadas que a exigência de magreza parece se intensificar e a imagem do corpo ideal começa a centrar-se na imagem de um corpo adolescente, quase infantil, magro, de formas menos arredondadas.
Esse ideal de corpo muito divulgado pela mídia atinge todas as classes sociais e parece também integrar o anúncio da roupa, da viagem, como parte de um determinado “estilo de vida” a ser consumido.
No entanto, não podemos deixar de apontar as diferenças entre os fatores que são causadores dos fatores mantenedores ou mesmo desencadeadores de uma patologia.
Assim, apesar de haver um consenso de que os aspectos socioculturais tenham um papel significativo no aparecimento da bulimia, acreditamos que os indivíduos são atingidos de maneira particular pelos veículos de comunicação e apenas uma pequena parte deles desenvolverá tal problemática.
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