A adolescência é um momento fundamental da vida, caracterizada por um processo de mudança corporal e psíquica, onde o jovem terá que elaborar o luto do corpo infantil e preparar-se para a inserção no universo do adulto.
As alterações corporais advindas da puberdade trazem, freqüentemente, um sentimento de estranheza com relação ao próprio corpo. Assim, quase que de uma hora para outra, o jovem passa a apresentar características corporais que se assemelham cada vez mais ao corpo do adulto, tais como o nascimento de pêlos, crescimento dos seios e menarca no caso da menina, presença de barba, alteração da voz e ejaculação nos meninos.
No entanto, as alterações corporais não lhe garantem uma identidade no mundo adulto.
O adolescente não passa apenas por mudanças em seu corpo, nesta etapa da vida. As mudanças psíquicas estão bastantes presentes e fazem-se importantes.
É neste período que o jovem questionará sua identidade e uma série de valores que até então pareciam certos. Assim, por exemplo, a criança que tinha como modelos ideais seus pais (já que os via, na maioria das vezes, como “perfeitos”) passa a perceber que estes têm falhas e que não concorda com tudo que eles pensam e acreditam. É aí que, na tentativa de diferenciar-se destes e encontrar seus próprios referenciais, que surgem as brigas e discussões tão freqüentes nesta etapa da vida.
Os conflitos com os pais também são conseqüência do sentimento de ausência de lugar que o adolescente vivencia. Os pais, como representantes da sociedade, assim como outras pessoas de seu círculo social, não o autoriza mais a ser criança, mas também não o reconhece como adulto. O adolescente, por exemplo, é convocado a escolher uma profissão, mais ainda não lhe é permitido que se case ou tenha filhos. Esta ausência de lugar é bastante confusa, tanto para o próprio jovem, quanto para sua família.
Frente à angústia de não saber o que é, o jovem procurará um jeito de encontrar um reconhecimento de sua identidade. É aí que surgem os grupos, que os adolescentes, costumeiramente, se inserem e que lhe fornecem uma série de referenciais e reconhecimento. Daí a importância de se vestirem iguais, de terem os mesmos gostos musicais etc.
A experimentação de drogas e bebidas alcoólicas também pode aparecer como um comportamento transitório, não necessariamente patológico, e que vem ao encontro da tentativa de responder “quem sou”.
No entanto, os pais devem ficar atentos caso as características mencionadas acima aparecerem em excesso (uso abusivo ou freqüente de drogas, por exemplo, ou a presença de outros sintomas) e até mesmo se os comportamentos adolescentes estiverem ausentes, como pode ser o caso de um adolescente que não forma grupos, que se isola, que jamais questiona seus pais ou figuras de autoridade. Nestes casos, pode ser importante a consulta a um profissional da área para saber se o adolescente precisa de ajuda.
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