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A dificuldade para arrumar um namorado tem sido uma queixa bastante freqüente de muitas pessoas, homens e mulheres.
Seria este um problema relacionado aos valores de nossa sociedade? Esta pergunta é bastante pertinente.
Vivemos num momento em que existe uma intensa valorização pelo consumo, um encanto pelo novo, pela completude e as relações amorosas parecem entrar neste ideal. Neste sentido, troca-se de parceiros com muita freqüência, como se troca de roupa, de carro... As pessoas, muitas vezes, são tratadas como objetos descartáveis e frente às primeiras dificuldades, rompe-se um relacionamento, como se existisse a crença de que existe, de fato, um “príncipe encantado” (ou princesa), alguém que pudesse satisfazer plenamente todos os desejos do outro. Além disso, procura-se, muitas vezes, a satisfação sexual imediata e sentimentos como “amor” parecem ter pouca importância.
Este ideal de completude, sem dúvida, afeta intensamente as relações amorosas, no entanto, não podemos deixar de lado a particularidade de cada caso. Caso contrário, corremos o risco de cair nos ditos estereotipados como o famoso “nenhum homem presta” ou “as mulheres só querem namorados com dinheiro”. Tais ditos paralisam a pessoa e a impedem de se questionar com relação ao que lhe acontece, já que ela fica como “vítima do mundo”.
Questões da história de vida influenciam diretamente na forma pela qual estabelecemos nossas relações. A referência familiar aparece como um fator bastante relevante. Assim, é muito freqüente que as histórias familiares, por motivos inconscientes, se repitam nas gerações. Quem nunca ouviu histórias como, por exemplo, alguém que se casa sempre com alcoólatras como seu pai? Ou uma adolescente que engravida com 16 anos assim como aconteceu com sua mãe? Ou ainda alguém que é sempre traído?
As características pessoais, tais como questões da personalidade, conflitos emocionais, estão entre os aspectos de maior importância. Encontramos pessoas que tem muita dificuldade de contato social, que se isolam, não tem amigos, que são muito tímidas, inseguras. Nestes casos o encontro com o outro fica muito difícil. Também existem pessoas que, por diversos motivos, não conseguem se valorizar numa relação, se oferecendo como objeto para o outro, ou seja, aceitando passivamente o que o parceiro faz ou deixa de fazer.
Enfim, a dificuldade em estabelecer um vínculo amoroso saudável pode representar um sintoma psíquico, que ultrapassa as questões de nossa sociedade e que merece uma escuta analítica. Assim, nesses casos, a ida a um psicanalista oferece um espaço de escuta das questões inconscientes que impedem um encontro amoroso.