Freqüentemente os pais de adolescentes trazem a seguinte questão: até que ponto devem interferir no comportamento dos seus filhos? Na colocação de limites?
Esta pergunta denuncia o quanto a adolescência é enigmática, tanto para os pais como para o próprio adolescente. Afinal, ele pode se responsabilizar por seus atos? Saber o que é melhor para si?
A adolescência caracteriza-se por ser um momento de passagem. O que foi adquirido ao longo da primeira infância é revisto, questionado. Assim, o adolescente questiona suas origens, aquilo que lhe foi transmitido enquanto valores, regras, idéias etc.
Tais questionamentos não significam um pedido do adolescente para que os pais deixem de cuidá-lo. Não se trata disso. Pelo contrário, para que o jovem possa se dirigir rumo à independência e vida adulta, ele precisa encontrar um lugar onde essas questões possam surgir, mas, ao mesmo tempo, o ambiente familiar deve oferecer referências e não deixá-lo solto.
Muitas vezes, os pais sentem tais questionamentos como ofensas, dúvidas com relação ao amor de seu filho por eles e se isentam de escutá-los, pois isto se torna muito dolorido.
Quando um adolescente não encontra um ambiente que suporte tais movimentos, corre o risco de procurar as respostas a tais questões em lugares nem sempre seguros e o que fica impresso é um grande desamparo, onde o jovem pode colocar-se em risco.
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