Sob o nome de avanço científico, a reprodução, antes restrita ao ato sexual, hoje encontra outras formas de concretização. As pesquisas revelam os grandes feitos ao difundir a inseminação artificial e os bancos de doação de sêmen para as mulheres que querem engravidar independentemente de um relacionamento. Existem outras situações em que a mulher, numa aventura sexual, engravida e fica sem contato com o pai do filho.
Há poucas décadas estes eventos eram inconcebíveis, sem que houvesse um julgamento social por estes atos. No entanto, devido às mudanças sociais, o lugar da mulher se alterou. Ela tem mais autonomia nas decisões que toma com relação ao próprio corpo. Escuta-se com freqüência mulheres que dizem ter uma “produção independente” e que se denominam como pai e mãe de sua prole.
De certa forma é possível dizer que houveram conquistas consideráveis, antes a mulher, em sua posição social, não participava do mercado de trabalho ou sequer decidia pela maternidade. No entanto, o avanço trouxe turbulências no lugar social do pai.
O pai tem uma importante função na educação dos filhos. Ele é uma referência diferente da mãe, o que possibilita o contato com outros valores. O pai também marca o lugar do homem e da masculinidade. Pode-se dizer que este lugar não é substituível, quando o pai não está presente na criação dos filhos, de alguma forma, imprime-se uma falta.
Atualmente, existe um movimento da sociedade em que se considera a guarda compartilhada, cada vez mais, exames de DNA são realizados para se comprovar a paternidade. Alguns pais chegam a ficar com a guarda dos filhos e, quando não a tem, formalmente são responsáveis por eles.
Na relação que os filhos estabelecem com a figura paterna, surgem elementos diferentes. Ele pode representar a lei, a autoridade, a proteção e a segurança. Percebe-se nas brincadeiras de crianças a importância do pai, por exemplo, quando dizem que o pai é o mais forte de todos ou quando são ofendidas pelos amiguinhos e se defendem dizendo que vão contar para ele.
Mesmo quando se tem um pai falecido, ausente ou desconhecido pode-se dizer algo sobre a paternidade, mesmo que seja nestas condições e com estas características. Afinal, não existe ninguém que tenha se originado somente de uma mãe. Ao falar à criança sobre seu pai, cria-se a oportunidade de que ela diga algo sobre ele, ainda que seja através da imaginação. Sendo um narrador de sua história, o filho pode ficar numa posição ativa. Desse modo, quando a família se recusa a falar sobre o pai pode ser extremamente prejudicial, pois assim se silencia uma parte importante da história de vida da criança.
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