
A idéia em abordar esse tema partiu da percepção de que as crianças com dificuldades emocionais demoram em ter acesso a uma escuta analítica. Geralmente, nos serviços de saúde, antes de efetivarem um acompanhamento, as crianças e suas famílias já percorreram uma grande variedade de instituições. Ficam em filas de espera ou chegam ao consultório diante de alguma dificuldade significativa, por vezes existente há muito tempo. Então, surgiu o desejo de refletir sobre a primeira instituição que acolhe a criança, sendo a primeira instituição social – a escola.
Considera-se que a escola seja um lugar favorecedor de uma relação diferenciada com o social. Por meio do contato cotidiano com outras crianças e também com adultos não pertencentes à família, a criança estabelece uma aproximação com outros referenciais.
Muitos pais relatam que na escola ela manifesta comportamentos diferentes daqueles que apresenta em casa. Essa situação favorece para que o educador tenha a oportunidade de perceber como a criança lida com o que lhe é desconhecido, quais são os mecanismos de defesa ou de adaptação que ela utiliza para superar os desafios que encontra.
Com o que o educador deve se preocupar?
As questões mais freqüentes são: dificuldade de prestar atenção, agitação, “desobediência” ou falta de limites. É provável que, na fase de adaptação, no início do ano, na volta das férias ou no final do período escolar, a criança se manifeste, ficando agitada, sem concentração, ansiosa. Seja pela estimulação do ano que se inicia ou pelo desgaste gerado durante o ano letivo. Porém, na presença de comportamentos sintomáticos constantes e freqüentes podemos levantar a hipótese de que a criança está sinalizando dificuldades.
Por exemplo, quando a criança fica falando o tempo todo durante a aula ou quando se movimenta muito, dispersando sua atenção pode estar sinalizando alto grau de ansiedade. Ao chamar a atenção em demasia, exigindo que alguém atenda suas demandas, chorando ou se irritando com facilidade ela também pode estar expressando inquietações.
Não há um funcionamento linear, as questões nesse âmbito (subjetivo) não devem ser consideradas isoladamente. Dentro de um contexto, os excessos são indicadores que remetem a alguma angústia, conflito, fantasia, etc., que podem encontrar um espaço para serem trabalhadas.
Todos esses exemplos se referem a uma dinâmica que envolve as relações da criança, ao modo como reage aos contatos, se isolando, se aproximando, se inibindo ou usufruindo da situação. O preparo do educador é essencial na detecção de situações ou comportamentos que sugerem conflitos que levam ao sofrimento, providenciando o encaminhamento mais apropriado a cada caso.
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