Atualmente parece haver um maior número de pessoas deprimidas, é bem provável que todos conheçam alguém que sofreu ou que sofre de depressão. Em diversos meios de comunicação lemos artigos sobre o assunto, o que demonstra o interesse em entender e saber como lidar. A depressão já é hoje em dia uma preocupação da saúde pública, sendo em algumas áreas de São Paulo, o segundo maior problema de saúde, ficando atrás apenas da hipertensão.

Esse aumento de depressão nas últimas décadas tem também uma influência social, ligado a uma cultura que prega um ideal de felicidade e alegria, onde as pessoas precisam ter cada vez mais coisas para se sentirem bem, um corpo perfeito e uma vida de sucessos.

Muitas pessoas confundem a depressão com a tristeza, que é um sentimento normal e passageiro, uma maneira de vivenciar o afeto diante de uma situação frustrante, de perda ou de dor. Em alguns momentos difíceis da vida, é importante se permitir ficar triste para depois poder elaborar e superar a situação. Apesar da tristeza, a pessoa consegue realizar suas atividades de rotina e reagir bem diante de uma boa notícia.

Já na depressão, há uma mudança do estado de humor que compromete o raciocínio, o desempenho em atividades do dia-a-dia, a vida social e o trabalho, sem estar associada a algum acontecimento (geralmente a pessoa não consegue identificar porque está triste ou o que está deixando-a desanimada), mesmo acontecimentos positivos são vistos de uma forma negativa.

Os sintomas típicos de depressão são: humor triste, perda de interesse e prazer, cansaço, alteração no apetite e no sono, baixa auto-estima, sentimento de culpa, dificuldade de concentração, retraimento social, irritabilidade e em casos mais graves, idéias suicidas. Existem também outros sintomas, como medos, ansiedade, entre outros, considerados atípicos, mas que também estão relacionados à depressão.

Às vezes, a depressão começa lentamente, de forma gradual e a pessoa tem a sensação que sempre foi triste e pessimista. A tristeza na pessoa com depressão é mais intensa, duradoura e angustiante. Às vezes, a primeira crise está associada a um evento estressante ou entristecedor, mas é desproporcional e permanece mesmo quando este fator desaparece.

Há também uma diminuição da capacidade de sentir esperança, uma dificuldade em sentir e retribuir afeição. A vida fica sem cor, em preto e branco, a realidade é vista de forma extremamente pessimista. Os sentimentos depressivos vêm do interior da pessoa e não de fora dela e é por isso que as coisas normalmente agradáveis parecem cansativas e desprazerosas.

O apoio familiar é muito importante para diminuir o sofrimento e facilitar a adesão ao tratamento. Insistir para que a pessoa vá a festas, passeios ou que tenha força de vontade não ajuda, a dificuldade que a pessoa passa em conseguir se alegrar faz com que se sinta ainda mais irritada e há um aumento da sensação de mal-estar.

O tratamento para a depressão é psicoterapia e em alguns casos, há a necessidade de uso de medicação. Antes de tudo, o mais importante é que o diagnóstico seja realizado por um profissional especializado. Quanto mais cedo for o tratamento melhor será o prognóstico.


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