"O que é inconsciente?"



Esse é um termo que vem sendo utilizado freqüentemente no discurso social como um adjetivo que define as ações que não são racionalmente processadas, sendo decorrentes, portanto, de formações da mente que não dependem da consciência.

O conceito de inconsciente já havia sido empregado por pensadores e filósofos do século XIX, mas foi introduzido por Freud de modo distinto, foi definido por ele como parte de um sistema de funcionamento da mente, exercendo grande influência no comportamento das pessoas. Com esta descoberta, Freud tirou o foco da determinação da razão, das escolhas conscientes dos indivíduos na determinação do comportamento, para atribuir ao inconsciente essa importância. Por exemplo, a notada frase: “foi sem querer querendo” (frase de um personagem de seriado infantil bastante conhecido - Chaves), ilustra como o inconsciente pode influenciar. Mesmo que a pessoa, hipoteticamente, não queira agredir alguém, pode acabar agredindo sem uma intencionalidade (consciente). Assim, o inconsciente passou a ser conhecido como um “lugar” psíquico que funciona como um “baú” repleto de fantasias, desejos e emoções de difícil controle.

O inconsciente se expressa por meio dos chistes (humor), atos falhos (comportamentos inesperados), lapsos de linguagem, sonhos e na associação livre de idéias (fala livre sem crítica e sem preocupação com a coerência). Por exemplo, chamar uma pessoa pelo nome de outra, quando escapa uma palavra fora do contexto, por meio de comportamentos não planejados, ou quando dizemos algo que sabemos que não podíamos ter dito. Como a “gafe” do presidente George W. Bush que se confundiu num discurso e quase afirmou diante da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, que ela teria mais de 200 anos de idade. Imediatamente após estas “escapadas” do inconsciente as pessoas se questionam: “por que fiz isso?”, “por que disse isso?”.

Essas perguntas sobre a causa ou a origem desse conteúdo proporcionam um extenso material que pode ser trabalhado na análise, pois revela o funcionamento da mente que está encoberto.

O que pode estar encoberto?

As lembranças, as memórias, fatos significativos, experiências afetivas e sensações. Os sonhos são materiais do inconsciente e demonstram bem seu funcionamento. No sonho o tempo não tem o mesmo registro de quando estamos acordados, as mesmas pessoas podem estar em lugares diferentes, ter idades diferentes, ter características paradoxais em cenas que mudam rapidamente. Pode apresentar conteúdos antagônicos, desorganizados, pode juntar duas percepções numa só. A realidade não é determinante, ao acordar as pessoas costumam dizer: “tive um sonho muito louco”, “ainda bem que era um sonho”, pois enquanto dormem o sonho parece ser vivido, inclusive nas sensações corporais, podem sentir medo, angústia, alegria, etc.

As intuições também fazem parte do inconsciente, pois a pessoa percebe subliminar à consciência coisas que não consegue explicar. É comum algumas pessoas não terem empatia por alguém. Na análise, o processo de deciframento pode possibilitar a leitura dessa vivência, através do resgate da natureza da percepção. Repentinamente, a característica de alguém, como os olhos, pode lembrar olhos de alguém, a qual o locutor não quer se recordar, por exemplo, os olhos parecem do avô quando estava bravo. Assim quando olha para alguém cujo olhar está associado ao do avô, não sente empatia, mas sim medo, raiva, etc..

O inconsciente, portanto, faz parte de todos nós e tem um valor central, após o conhecimento do que é isso que chamamos de inconsciente, não podemos ousar dizer que fazemos as escolhas sem pensar e que, por esse motivo, não temos responsabilidade por elas.


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