Quando um bebê nasce ele está completamente desprotegido. Mesmo que tenha nascido a termo, o bebê humano é prematuro no sentido de que depende absolutamente dos pais para sobreviver. É uma dependência física: se não for alimentado, aquecido, higienizado pode até vir a morrer. Mas esta dependência também é subjetiva: os pais vão “humanizando” o bebê, na medida em que investem afetivamente neste, banhando o pequeno bebê com libido e linguagem. Quando o bebê é olhado, investido, ele ganha a capacidade de existir como alguém com lugar no mundo.
Os pais vão assim garantindo que o bebê cresça, se desenvolva e ganhe autonomia, conforme os traços particulares de cada criança e de acordo com suas condições psíquicas. A segurança e o conforto são necessários para que a criança cresça num ambiente conhecido e com contornos que lhe permitam o reconhecimento dos limites e consiga agir a partir deles.
As crianças vão crescendo e outros impasses surgem. Com a entrada na escola, surge o desafio de lidar com os outros e com o ambiente sem a proteção e a segurança dos pais. É a capacidade simbólica adquirida que vai ajudá-la a lidar com a nova situação. Uma criança numa situação difícil na escola pode dizer: “Vou falar para o meu pai”. Ela sabe que o pai não está lá, mas mesmo assim o evoca e consegue por fim na situação conflitiva.
É muito comum que os pais acreditem que eles são os únicos capazes de transmitir conforto e segurança aos filhos, interpelando e atuando a cada vez que uma situação conflitiva se impõe. Com o objetivo de poupa-los de sofrimentos, muitas vezes, se antecipam e não permitem que eles próprios tentem resolver situações. Se por um lado há um intuito dos pais em proteger seus pequenos se antecipando para resolver os conflitos, por outro, transmitem a idéia de que estes nunca serão capazes de resolver os problemas sozinhos.
Existem inúmeros exemplos destas situações: pais que fazem a lição de casa dos filhos e que se dedicam a fazer a obrigação deles, que, ao observarem uma situação de conflito na qual os filhos estão envolvidos, não dão tempo para que estes tentem resolver.
Há muitas coisas que os pais podem fazer com os filhos. Porém, poder se afastar, gradualmente, conforme o crescimento da criança é necessário para que ela consiga sua autonomia. Isso não significa que a criança precise resolver tudo sozinha, haverá momentos em que a presença do adulto faz-se necessária.
Cabe ressaltar que as dificuldades, os desafios, assim como a necessidade de suporte são inerentes a todos: adultos, crianças e idosos.
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