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Transtorno Delirante é o termo utilizado pela CID – 10 (Classificação Internacional de Doenças), para diagnosticar um tipo de transtorno que possui como característica principal a presença de delírios. Esses delírios são persistentes, geralmente duram toda a vida e, para diagnóstico, eles devem estar presentes há pelo menos três meses.
Mas o que são delírios?
Delírios são pensamentos, idéias que a pessoa desenvolve e defende com forte convicção, que podem ter um conteúdo fantasioso, impossível ou serem baseadas em fatos possíveis de acontecer, admissíveis.
No caso desse transtorno, os delírios são idéias baseadas em acontecimentos ligados a realidade, extraídos de situações comuns da vida, não tendo um conteúdo fantástico. Há uma interpretação distorcida das experiências vivenciadas no cotidiano. O diagnóstico requer, portanto, uma análise delicada que só pode ser realizada por um profissional de saúde mental, habilitado a fazer uma diferenciação em relação a outras patologias.
O conteúdo desses delírios é variável, no entanto, existem alguns temas que são mais comuns. Dentre esses, o de caráter persecutório, em que a pessoa acha que é alvo de comentários maldosos, ou que existe alguma conspiração contra ela, para tirarem seu lugar no emprego, por exemplo, ou não conseguir uma boa nota. Com conteúdo amoroso, a pessoa imagina alguém apaixonado por ela, um amor romântico bem idealizado, pode ser um cantor, um ator famoso ou uma pessoa conhecida. Outro tema freqüente envolve o sentimento de ciúmes, a pessoa pensa que está sendo traída pelo parceiro, baseada em evidências infundadas, procura vestígios incessantemente, questiona, persegue. Com teor grandioso, o indivíduo acredita possuir um grande talento que ainda não foi reconhecido, ter feito alguma descoberta importante ou saber de uma mensagem divina.
Como a questão principal desenvolve-se em torno do delírio, geralmente a pessoa tem as outras funções preservadas, sociais e ocupacionais, diferente dos outros tipos de psicose. Em alguns casos, pode haver alucinações táteis ou olfativas, como por exemplo, sentir que cheira mal.
Na maioria das vezes, esses pensamentos geram muita angústia e ansiedade, o que causa muito sofrimento psíquico. A vida pessoal também é afetada e prejudicada, sendo que a área mais atingida (conjugal, trabalho, social) vai depender da temática delirante.
Devido à convicção em relação às próprias idéias, é difícil que a pessoa perceba a necessidade de ajuda e procure tratamento, tendo a família uma função de apoio importante. O tratamento é realizado com medicação e psicoterapia.