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Seg, 14/01/2008 - 18:02


Foto: Danielle Sandrini

Por que é tão difícil emagrecer? Sei os alimentos que não posso comer, sei que preciso fazer esportes, mas mesmo assim está sendo difícil.

Paradoxalmente ao grande contingente de pessoas com desnutrição, encontra-se a obesidade como um grande problema de saúde pública. De acordo com o trabalho divulgado pela OMS, a obesidade é uma condição complexa, com repercussões nas dimensões social e psicológica, que afeta todas as faixas etárias e classes sociais. Dados recentes revelam um aumento significativo, 300 milhões de obesos e 1 bilhão de pessoas com sobrepeso. Esse aumento exponencial é uma preocupação da OMS, pois a obesidade expõe a população a um maior risco de doenças crônicas, dentre elas diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão e certas formas de câncer. É importante questionar: quais são as razões que levam as pessoas a manter um hábito que faz mal, mesmo que racionalmente reconheçam que não podem comer excessivamente e que precisam mudar os hábitos de vida?

Cuidar da saúde é algo complexo do ponto de vista subjetivo, o inconsciente e as questões emocionais, podem se revelar nos hábitos, nos comportamentos e na qualidade de vida. Por este motivo, não podemos julgar o aumento de peso simplesmente como “falta de vontade”. Por vezes, a auto-imagem distorcida, a falta de libido, sentimentos depressivos, depreciação, desânimo, ansiedade e angústia podem levar a mudanças no modo como cada um lida com as exigências da vida. É comum encontrar referências de pessoas que relatam ter engordado durante as provas do vestibular, após separação amorosa, morte de algum familiar ou perda de emprego.

A obesidade, por vezes, acaba trazendo prejuízos na esfera social tais como dificuldade em arrumar um parceiro, esquiva de situações em que se sente observado, avaliado ou julgado. Por exemplo, pegar ônibus, metrô, alimentar-se em público ou expor o corpo (como praia, piscina).

Há também aqueles que estão constantemente em regime, chegam a emagrecer, mas rapidamente recuperam o peso perdido. Esta oscilação de peso leva a um sentimento de fracasso, impotência, inferioridade e, diante deste quadro, alguns ficam desorientados, sem saber o que fazer. Muitos então, adotam uma postura passiva, esperando serem “emagrecidos” por uma cirurgia, por alguma medicação ou por milagre.

Assim, a iniciativa em reconhecer a responsabilidade é muito importante e é o primeiro movimento necessário para que ocorra algum tipo de mudança. Enfim, aspectos emocionais são coadjuvantes no processo de ganho e de perda de peso. O corpo manifesta as tensões, os conflitos e os sentimentos. Conhecer esses aspectos e outros ainda desconhecidos pode colaborar para que se encontre uma forma de canalizá-los, sem prejudicar a própria saúde.

 



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