localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
Muito se escreve e se fala sobre os riscos da obesidade. Basta dar um “google” e encontramos inúmeras matérias acerca do tema. Médicos, psicólogos, nutricionistas entre outros escrevem sobre o tema nos revelando o quanto o tema é atual. Sabemos ainda que a cultura, hoje em dia, valoriza a mulher magra, esbelta. A obesidade na infância é um tema bastante explorado, chegando a ser considerada uma epidemia em alguns estados norte-americanos. A imagem da criança gorducha, de bochechas rosadas é ultrapassada, assim como a imagem da mulher cheia de curvas e dobras. Os termos obesidade e saúde se opõem em nossa cultura.
Na adolescência a questão do corpo irrompe com grande força. O adolescente é convocado a fazer um luto do corpo infantil e se apropriar de um corpo, agora capaz de se exercitar no campo da sexualidade. Ainda que a sexualidade faça questão aos sujeitos desde a mais tenra infância, há momentos em que ela provoca angustia. Não é a toa escutarmos que os adolescentes fiquem horas trancados em seus quartos, que se recusem a sair. A obesidade pode ser uma resposta, ou mesmo uma recusa a essa angustia provocada por essa ressignificação necessária do corpo infantil para um corpo apto a se exercitar no campo da sexualidade.
E em tempos onde a sexualidade se torna tão explicita e partilhada vale pensar que a obesidade na adolescência pode nos dizer de um certo barramento a esta sexualidade que irrompe sem nenhuma fronteira. Vale aqui fazer uma ressalva. Qualquer sintoma diz respeito a um enlace sempre singular no qual o sujeito diz de algo que lhe causa sofrimento. Qualquer manifestação sintomática só pode ser compreendida a partir da fala do sujeito que sofre. A obesidade, para um pode revelar seu lugar de pertencimento a sua família. Para outro pode se referir a uma outra questão.
De qualquer forma vale pensar que a adolescência é um tempo voltado também para um questionamento efetivo ao lugar social que o adolescente ocupará. E é no social que os imperativos e ideais convocam o adolescente a responder ou não aos imperativos lançados. É só por essa via que a obesidade pode ser entendida como um fenômeno da atualidade.