Como lidar com limites? De quem?


É no início de vida que se aprende a lidar com as limitações e as frustrações. Os limites são definidos pelos adultos, em geral os pais, que decidem o que é permitido ou não à criança. Os limites, em geral, estão baseados em valores, seja algo embaraçoso, perigoso, inacessível, inadequado, impossível, etc.

O limite é imprescindível para a vida em sociedade. A partir do estabelecimento de regras, as crianças internalizam o que é proibido. Por exemplo, quando o bebê começa a engatinhar, ele ganha a possibilidade de se deslocar e, com isso, devido à intensa curiosidade, ele quer colocar o dedo na tomada, põe os objetos em sua boca, etc. Nesse momento, os pais são responsáveis em cuidar do ambiente para que ele não se machuque, ensinam os nãos, os quais o bebê deve respeitar para poder viver.

Isso vai indicando que a criança não pode fazer tudo o que quer, já que não tem capacidade crítica para discernir o que pode lhe ser prejudicial. A vontade em fazer algo, pode ser muito intenso na criança. Quando são contrariadas, algumas fazem birra, gritam, esperneiam, choram, chantageiam, para conseguir o que almejam.

Esses comportamentos demonstram seus sentimentos diante das limitações, mas são importantes também, pois em outro extremo, uma criança que aceita tudo sem se expressar também pode estar comprometida. É importante escutar essas manifestações, sem precisar ceder às exigências dos filhos e separar quando é uma tentativa de manipulação da criança.

No entanto, a necessidade de estabelecer limites é uma constante, não acontecendo somente na infância dos filhos. Na adolescência, apesar do crescimento, existe a intensa necessidade do posicionamento dos pais como referências no estabelecimento de limites.

Muitos adolescentes se colocam em risco freqüentemente, pois querem abranger sua autonomia e testam para saber até onde podem ir. Chegam tarde em casa, bebem, alguns experimentam as drogas, podem praticar a vida sexual sem cuidados, outros podem mentir e apresentar comportamentos delinqüentes.

Nesses momentos, mesmo que os filhos demonstrem uma não aceitação, é importante que ambas as partes se manifestem. Desse modo, não é tudo que o adolescente pode fazer. Muitos pais se omitem, pois acreditam que a frustração faz mal, que não podem chatear os filhos, pois a liberdade é o mais importante. É necessário que se reflita se esta liberdade não está sendo concebida sem considerar os riscos que ela coloca. Afinal, ninguém é totalmente livre para fazer tudo o que se quer.

Ao pais cabe a reflexão sobre aquilo que tem limites em si mesmos, que podem ser percebidos quando estão cansados, sem dinheiro, sem vontade, ou seja, quando estão impossibilitados de fazer algo, simplesmente, por terem limites também.

Os limites marcam as fronteiras, delimitam os excessos, separando aquilo que está a favor ou não da vida do sujeito.


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