localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
O medo, a ansiedade e sua forma extrema – o pânico, são inerentes à condição humana. São formas de lidar com a realidade, são manifestações do humano quando algo dessa realidade se torna ameaçador.
Mas, como explicar uma reação intensa de ansiedade e de medo que foge dos padrões típicos do comportamento e que acomete o sujeito de forma violenta e brusca, limitando seu cotidiano?
Tentando compreender melhor esse transtorno de difícil tratamento, fui buscar algum sentido na etimologia da palavra pânico. Essa palavra – pânico – vem do grego, está associada a Pã, deus da mitologia grega, que tem como significado Tudo, que representa a Natureza, a qual tudo se subordina. Pã é um monstro metade animal, metade humano, isto é, tem uma dupla natureza, a instintiva, animal e a espiritual humana. Sua figura assusta e provoca horror, assim como nos assusta tudo que é irracional. O sentimento de pânico, sem uma motivação externa aparente, também é assustador.
Observa-se na clínica, que as crises de pânico podem coincidir com fases de transição para uma nova etapa da vida, que exigem outras reações das que eram utilizadas pela pessoa. Freqüentemente são pessoas que conseguem desenvolver-se tanto profissional como intelectualmente, tendendo a racionalizar tudo em sua vida, até na área afetiva. Porém, não conseguem entrar em contato com sua vida pulsional.
Assim como Pã, que em nossa cultura, se transformou em demônio, essas pulsões se manifestam sob a forma de medos, pesadelos e crises de pânico. Essa resistência à transformação, em alguns casos, pode estar associada ao medo de entrar em contato com esse mundo até então inacessível, que é o inconsciente.
A tarefa do analista, frente a isso, consiste em acolher e amparar a expressão destas emoções, a fim de promover a integração desses conteúdos inconscientes à consciência. É a partir de um vínculo transferencial de confiança com o analista que é possível trabalhar esses conteúdos. Temos que considerar o pânico como um sinal de que algo sério está ocorrendo a nível psíquico.
O seu tratamento em análise, uma oportunidade para a reformulação de aspectos da vida que se encontram desajustados. Assim como os antigos reverenciavam os seus deuses, desenvolviam rituais para lidar com eles, nós pessoas modernas, devemos respeitar e acolher esses sintomas para que a vida se torne mais criativa.