Logo que nasce, o bebê recebe um banho de carinho - é acalentado, alimentado, mimado - todos esses cuidados lhe proporcionam prazer e conforto. Ele vai crescendo e desde cedo passa a apresentar bastante curiosidade pelo funcionamento de seu corpo, explorando as sensações corporais prazerosas (leva objetos à boca, acaricia partes do corpo, observa as próprias mãos, chupa os dedos).
Os pequeninos são como cientistas, vivem querendo descobrir o mundo. No início, este mundo ainda é muito pequeno para ele (não tem habilidade motora suficiente para se locomover e conhecer outros ambientes) e ele fica mais centrado no próprio corpo e nos principais cuidadores, seu círculo social é restrito (ele ainda não vai à escola, fica mais em casa).
Gradativamente, com a aquisição de maior habilidade motora, cognitiva e emocional, a exploração do corpo vai se dirigindo as outras partes. A criança passa a perceber que tem sensações em outras regiões, em geral naquelas que recebe cuidados como as partes íntimas, pés, orelhas, cabelos, nariz. Ele quer dar o pé e mostra sua barriguinha para que a mãe faça cócegas.
Desse modo, integra as diferentes regiões, unificando-as na percepção de que tem um corpo e passa a se tocar como uma forma de se auto-perceber e formar sua auto-imagem. Nessa fase, os pequenos gostam muito de brincar, quando se pergunta “cadê seu nariz?” Eles respondem alegremente apontado para o nariz.
Na fase em que já são capazes de controlar os esfíncteres, alguns começam a reter as fezes, urinam na cama. Tem criança que pega, mexe e quer saber de onde sai o cocô e o xixi, como expressão de seu interesse pelo conteúdo que sai de seu interior.
Com o passar do tempo, além do interesse pelas sensações corporais, a criança tem uma intensificação das vivências sociais e fica bastante atenta ao que acontece ao seu redor. Passa a estranhar as pessoas, prefere os familiares. Com isso, aumenta a percepção sobre as diferenças entre as pessoas. Uma das primeiras percepções relacionadas ao social está entre ser adulto e criança.
Então, a criança quer imitar as figuras que admira e quer ser como elas, calça o sapato da mãe, do pai, quer vestir suas roupas, brinca de ter a mesma profissão e assume papéis nas brincadeiras, demonstrando seu processo de identificação.
Outra percepção importante é da diferença sexual, a criança passa a notar que existem homens e mulheres. Nesse momento surgem muitas questões que causam constrangimento aos pais: “ De onde vem os bebês?” “Por onde eu saí da sua barriga?” “Por que as meninas não tem pipi?” "Por que você tem pelo e eu não?"
Todas essas questões fazem parte do exercício da sexualidade humana, demonstram os interesses e curiosidades das crianças. Isso acontece porque a sexualidade é inerente ao ser humano, sendo parte importante do processo de aprendizagem, de identificação e de construção de identidade.
Portanto, para a Psicanálise, a sexualidade na infância, , abrange muitos aspectos e não é sinônimo de sexo. Ela vai além dos órgãos genitais, envolve a percepção, o modo da criança se apresentar ao mundo e constrói a identificação e o reconhecimento de si como menino ou menina. Por esse motivo as perguntas das crianças precisam ser levadas a sério.
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