Por que há tantos conflitos na humanidade com relação à diferença, seja ela racial, religiosa, econômica, intelectual, política, étnica ou de gênero? É exaustivo assistir aos noticiários que abordam o ódio daqueles que não têm limites para expressar o preconceito, que para isso matam, agridem, excluem.

No entanto, o preconceito nem sempre é tão evidente como nas guerras e ataques terroristas. Por mais estranho que pareça, esse é um sentimento bastante familiar. Ele também está presente no cotidiano, principalmente, nas relações que se estabelecem com pessoas próximas. Por exemplo, quando se escolhe um namorado, esposa, amigo. Por que as pessoas escolhem se aproximar ou se afastar de algumas pessoas e não de outras?

Percebe-se nos relatos uma tendência a excluir o diferente. Por que isso acontece?

O diferente traz o novo, o inesperado, o surpreendente. Talvez, naquilo em que é semelhante se encontre o conforto, o “familiar”, portanto, o conhecido. Mesmo que para isso exista uma intensa repetição daquilo que já se sabe. Essa mesmice parece assegurar a imagem do que somos. Numa busca incessante de identificação, o nazismo foi um grande representante da gravidade da questão: “se não é semelhante, precisa ser eliminado”. Para isso, os judeus foram atacados, mortos e torturados, em nome de um “preconceito”, que prima pela exclusão da diferença.

Diante de um outro, as pessoas se esforçam imensamente para qualificar e classificar esse estranho. Atribui-se um juízo de valor, um é melhor, inferior, pior, superior, mais, menos. Nessa economia de valores, sempre um é excluído. Agora, como lidar com a alteridade sem que seja preciso eliminá-la? Como conviver com ela?

Não sei se restam muitas respostas, além de lidar com a própria condição de diferente. Será que todos precisam ser semelhantes? Mas, então o que fazer com o outro?

No encontro ou desencontro com o outro, entre a aceitação plena do diferente e sua exclusão absoluta, é provável que, com um pouco de esforço, se encontrem alternativas razoáveis de negociação, concessões e acordo e, principalmente, com a possibilidade de lidar com a falta, desse outro que é diferente e não completa.


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