Tenho pressa! É para já! É para ontem! Você está demorando!
A sensação de pressa, de estar atrasado, de que não há tempo suficiente para fazer as coisas, tem acometido muitas pessoas em nossa sociedade que tem prezado a eficiência e a velocidade na execução das tarefas. A rapidez dos meios de comunicação, dos veículos de informação e do desenvolvimento de novas tecnologias dita um ritmo, o qual poucas pessoas se sentem capazes de suportar.
Os telefones celulares, os e-mails e a internet agilizaram o acesso das pessoas umas às outras através de uma comunicação muito eficaz. O telefone toca e somos interrompidos várias vezes ao dia e, assim, somos convidados a responder a demandas, que parecem ser, cada vez mais, urgentes. A percepção do tempo se modificou e a espera parece ser perda de tempo.
As notícias, as informações, o conhecimento científico se tornaram referências que universalizam o estilo de vida ideal. Em nome de diversos saberes, é preciso trabalhar, fazer esportes, estudar, se alimentar bem, se atualizar, cuidar das relações, ou seja, os sujeitos precisam cuidar da saúde, do conhecimento, da família, do trabalho, do lazer, concomitantemente. No entanto, com tantos fatores em jogo neste estilo de vida valorizado, as pessoas se sentem muito aquém. Com as limitações do dia-a-dia, quem consegue seguir tantos ditames?
Essa dinâmica também se reflete em outros aspectos da vida, as crianças precisam aprender de tudo em pouco tempo, os adolescentes sentem pressa para se tornarem adultos. Mas ironicamente, os adultos evitam a todo custo envelhecer, tentando retardar este processo inevitável.
Esses requisitos da vida contemporânea trazem como conseqüência maior a falta de espaço para a assimilação das vivências e até mesmo da apropriação das percepções. O que ocorre é a ênfase no fazer, separado de um planejamento mais reflexivo. Para que faço isso? Onde quero chegar? Quais as conseqüências das escolhas?
A pressa faz com que se responda de acordo com uma lógica imediatista, em que os acontecimentos se tornam frutos do acaso. Costuma-se dizer: “Quando vi, já fiz. Arrepender não adianta”. Ou senão, “prefiro me arrepender do que fiz, do que o que não fiz”. E assim, muitos arrependimentos fincam suas bases em ações pouco elaboradas. Os questionamentos sobre a realidade que se coloca diante de nós são raros. Muitas vezes, ela não é sequer percebida, mas atuada, pois não se estabelecem prioridades, ou seja, as pessoas não se perguntam sobre o que lhes é importante ao realizarem suas escolhas.
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