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O termo procrastinação refere-se ao adiamento de uma ação, conhecido popularmente por “empurrar com a barriga”.
A pessoa não consegue realizar seus compromissos dentro dos prazos estabelecidos e sente-se muito culpada por isso. A tarefa adiada permanece presente nos pensamentos, cobrando incessantemente sua realização. É comum uma sensação de fracasso, preguiça constante, derrota, incapacidade e impotência.
Nem sempre a dificuldade em executar algo está relacionada à dificuldade da ação. Muitas vezes, a pessoa sabe o que fazer para concluir, mas por questões inconscientes adia, vai deixando para amanhã, e depois de amanhã...
A procrastinação é um sintoma que faz uma oposição direta à nossa sociedade imediatista, que prima pela eficiência, competitividade entre os indivíduos e pelo aproveitamento máximo de cada segundo do dia. Neste sentido, a pessoa que adia sempre suas tarefas e que age como se o tempo passasse lentamente faz um questionamento, mesmo que inconsciente, a respeito dos valores transmitidos na contemporaneidade. É como se por trás deste eterno adiamento estivesse uma pergunta legítima, que poucos fazem: “Pra que correr tanto? Você sabe o que realmente quer?”.
Embora este comportamento possa trazer questionamentos importantes, ele também traz muito sofrimento, já que a pessoa cai num extremo, se deparando sempre com a não realização das coisas, inclusive, de seus próprios desejos: “Se tenho que fazer tudo, não faço nada”.
A procrastinação também pode aparecer como uma defesa, uma forma de evitar conflitos, de se manter numa posição infantil que convoca sempre o aparecimento de um outro autoritário que diz o que fazer.
Encontramos na internet e em livros diversas dicas práticas de como superar este sintoma. Estas tentativas podem ser válidas, mas é importante sempre tratar os motivos inconscientes que sustentam este comportamento. Como sabemos, um sintoma pode se deslocar para outro sintoma se não for escutado o que o está por trás dele.