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Qua, 23/05/2007 - 20:43


Situações que envolvem testes, provas e concursos costumam ser acompanhadas por muita ansiedade. Frente a avaliações nos questionamos a respeito de nossa capacidade e ficamos preocupados com o que os outros vão pensar sobre o nosso desempenho. Sentir-se nervoso, ansioso, ter medo, não conseguir dormir direito perto da data de uma prova (ou de uma entrevista para trabalho) são reações normais.

No entanto, quando tais emoções são intensas demais – quando paralisam a pessoa, prejudicam radicalmente o desempenho final ("dar branco", por exemplo), quando há a convicção de que se é incapaz ou ocorrem muitas somatizações (dores de cabeça, doenças diversas) - podem sinalizar a necessidade de um tratamento analítico.

Uma criança ou adolescente, por exemplo, que não consegue se sair bem nas provas escolares, mesmo quando sabe a matéria, demonstra que está com uma dificuldade emocional, que não tem relação com uma incapacidade. Os motivos que levam a tal dificuldade podem ser diversos e referir-se a situações concretas ou a fantasias. Entre eles, podemos destacar: o lugar em que é colocado pela família a importância dos testes; se a criança entende que só terá valor se tirar uma nota extremamente alta; se possui uma baixa auto-estima; se teme rivalizar com colegas ou irmãos; se consegue atenção apenas pelo baixo desempenho escolar.

Tais dificuldades acometem também os adultos. Algumas pessoas ficam extremamente paralisadas quando estão em situações que podem representar a realização de um desejo como, por exemplo, conseguir um emprego. Assim, numa entrevista de emprego, mesmo tendo o perfil para o cargo, acontece de não conseguirem se sair bem e acabam passando uma impressão de muita insegurança e de que sabem bem menos. É como se o inconsciente delas, por algum motivo, as sabotassem sempre que se aproximam de um desejo.

O contrário também pode acontecer. Existem pessoas que não conseguem admitir que não desejam a profissão que escolheram ou que não querem determinado emprego, mas que por pressões sociais e até mesmo por exigências pessoais acabam se submetendo a situações de teste pelos quais, no fundo, não desejam passar e por isso, não alcançam bons resultados. Pode ser o caso, por exemplo, de um jovem que escolheu advocacia porque seu pai desejava e não por uma vontade própria. Logo, quando se submete ao exame da OAB, por mais que estude, não consegue passar. Um outro exemplo é o de uma mãe, que acabou de ter filho e que pode se “sabotar” na conquista de um emprego (por exemplo, se atrasando muito para a entrevista na empresa), já que no fundo não deseja trabalhar e sim curtir seu bebê.

Dessa forma, percebemos que muitas são as situações que envolvem uma dificuldade com testes (as situações descritas são apenas alguns exemplos entre inúmeros que podem existir). O importante é ficar atento às repetições. Se a dificuldade aparece constantemente, em vários momentos, é recomendado que se procure um analista.


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