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Qui, 19/03/2009 - 11:22


Conviver com os colegas de trabalho é tarefa árdua. Difícil também é separar o lado pessoal do profissional. Quem trabalha em grandes instituições é tomado por estas questões. O convívio cotidiano favorece a existência de uma cordialidade, que nem sempre é benéfica ao andamento do trabalho. O colega pode entender, por exemplo, que fulano sempre se atrasa por que tem filhos e é muito difícil de coordenar todas as necessidades. Se lhe é chamado a atenção, costuma se irritar e se sentir rejeitado em seus problemas.Instaura-se um mal-estar.

Outra situação muito freqüente no cotidiano de trabalho é quando surge uma colagem entre os termos discussão com a agressão. Discordar da postura profissional é quase um insulto á pessoa. Surge então um silêncio que objetiva tamponar a questão conflituosa. No entanto, sabe-se que o mal-estar retorna e muitas vezes retorna em lugares e em momentos inusitados.

Parece haver um pacto silencioso ( não dito) de que para se trabalhar em grupo deve-se respeitar o próximo e abafar as diferenças. É realmente difícil dizer ao colega próximo, por quem se tem alguma afeição que não concorda com a sua atitude ou idéia acerca de algo do trabalho. Muito raramente conseguimos escutar sem nos sentirmos desautorizados e ofendidos. Porém, se a capacidade de discordar for obturada podemos pensar que a questão retornará de maneira explosiva e inesperada. Será que nos grupos é necessário manter uma igualdade de idéias? Sempre? Ignorar as diferenças é absolutamente agressivo. Supor que todos devem pensar da mesma forma é ignorar que nos grupos, cada um pode trazer sua marca particular, aquilo que o distingue dos demais.

Se discordar significa destruir caminha-se para um rebaixamento da capacidade intelectual, um emburrecimento coletivo que é extremamente nocivo para o cotidiano do trabalho.

E mais um fator. Atualmente suporta-se cada vez menos as desigualdades, as diferenças. Há um esforço coletivo em fazer diluir as diferenças falando de uma cultura “unissex” que apregoa a não diferença, abolindo-a e sugerindo que se a diferença não for suportada, tudo bem. Busca-se outros objetos, eles podem ser encontrados sem que haja conflitos.

Estaremos com a capacidade diminuída de suportar as diferenças? Será que sustentando-as mataremos o outro?


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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