O ser humano vive em grupos. Podemos pensar que mesmo um bebê que ainda não nasceu já se encontra inserido num grupo; o grupo familiar.

De modo geral, a criança vai crescendo e desde muito cedo já aprende que ela não está sozinha no mundo. Ela pertence a uma família que a antecede em muitas gerações.

Já na escola, e em muitos casos desde muito cedo, as crianças já aprendem a enfrentar os desafios de estar em grupo. Nas creches e nos berçários, existem as mordidas entre os bebês. Na idade pré-escolar, as competições constantes entre as crianças. Insistentemente, desde a mais remota infância, somos tocados pelos outros com quem convivemos. Por um lado, o grupo humano nos coletiviza, nos humaniza. Para isso, renunciamos aos nossos instintos mais primitivos, renuncia esta que nos permite viver em sociedade. Os grupos nos oferecem proteção e sensação de reconhecimento. Através das identificações, que são as expressões mais remotas de relacionamento, criamos os vínculos necessários para a nossa sobrevivência e sensação de pertencimento no mundo.

Fazendo uma generalização, podemos dizer que nos ambientes de trabalho temos dois grandes tipos de grupos. Um grupo que chamaremos de homogêneo, onde os profissionais são da mesma área e tem funções semelhantes. O Outro tipo, que é o grupo heterogêneo, é formado por pessoas com diferentes especializações, mas que tem um objetivo comum.

No primeiro tipo, o grupo homogêneo, as maiores dificuldades se centram na tentativa de fazer a diferença diante dos iguais. Como todos têm a mesma especialização e a mesma função as marcas pessoais ficam difusas no interior do grupo, causando muitas vezes um anonimato, ou melhor, uma ausência de autoria nas ações empreendidas. É muito freqüente que as pessoas se sintam desmotivadas e desimplicadas nas ações coletivas. E na tentativa de fazer a marca pessoal aparecer os sentimentos de agressividade podem surgir.

Já no segundo tipo de grupo, o grupo heterogêneo, encontramos uma disputa mais acirrada entre os membros, que tentam fazer valer suas especificidades e geralmente às julgam melhores que as outras. Por exemplo, num hospital o médico crê que seu trabalho é mais importante do que o do psicólogo. Os objetivos de trabalho comuns deste tipo de grupo se obstaculizam já que cada membro do grupo se considera como o maior responsável pelas ações realizadas.

Estes são apenas alguns dos fenômenos encontrados nos grupos. Muitos autores têm produzido teorias acerca do funcionamento grupal bem como trabalhos que procuram elucidar os sintomas e os adoecimentos de quem trabalha em grupo, em grandes organizações, por exemplo. Destaco aqui a contribuição de S. Freud (1925), que ao apontar a necessidade da formação dos grupos para os humanos considera que a renuncia que somos forçados a fazer para viver nos grupos pode retornar na forma de agressividade.

Quando conseguimos levar em conta que esta agressividade pode retornar nos trabalhos em grupo, encontramos a chance de saber dos fenômenos com mais clareza e encontrar boas formas de conviver com tais fenômenos. Saber apreciar, saborear e dividir os encontros com nossos parceiros de trabalho é um dos momentos mais instigantes e prazerosos no cotidiano do trabalho. Retornando então para a pergunta: O conflito é constante no trabalho? Sim. No entanto ele não é impossibilitador e pode trazer momentos de verdadeiras trocas e de grandes aprendizados.


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