Minha filha de seis anos começou a roer unhas. Estou muito preocupada (F., 32 anos)

A infância é geralmente descrita como um momento de felicidade, alegria e tranqüilidade. Tendemos a achar que é o único período da vida onde fomos, de fato, felizes. E essa idéia não é sem propósito já que é notável a carga de esperança que sentimos quando estamos ao lado de crianças.

Ao mesmo tempo, na nossa atualidade somos convocados a “patologizar” qualquer coisa que saia da norma, do esperado, daí a imensa profusão de diagnósticos que surgem incessantemente.

As crianças sentem ansiedade e as expressam da maneira que conseguem. É um fenômeno da natureza humana. Alguns autores chamam de sintomas transitórios algumas manifestações sintomáticas que se resolvem sozinhas.

É muito comum a criança apresentar algum sintoma quando é solicitada a responder de maneira diferente a que está acostumada. Alguns fatos que são corriqueiros para os adultos como a saída de uma empregada, por exemplo, ou a mudança de um professor da escola, mas pode ser absorvida pela criança com alguma dose de angústia. É então esperado, que diante de situações novas um sintoma se apresente como uma resposta adaptativa para uma situação adversa.

Roer unhas pode ser um sintoma transitório. É importante que os pais fiquem atentos às alterações no cotidiano da criança, a entrada de novas pessoas no circuito social da criança, mudança de escola, etc., pois são momentos que exigem uma adaptação da criança.
Há uma grande contradição na nossa atualidade: ou somos completamente felizes ou estamos excessivamente doentes.

É da natureza humana se angustiar e, na infância, isso também pode ocorrer. No entanto, se a situação perdurar e aparecerem outras manifestações de ansiedade faz-se necessária a orientação de um profissional para iniciar um tratamento psicoterapêutico.


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