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Qua, 30/07/2008 - 09:43

Com a maior expectativa de vida da população, o novo desafio da atualidade é saber envelhecer, é chegar à velhice com qualidade de vida. A ciência conseguiu ampliar os anos de vida, que são acompanhados de uma melhora significativa de saúde, agora a preocupação da Saúde Pública é ajudar a agregar um modo de vida mais satisfatório aos anos adicionais. Os desafios são manter a independência, uma vida ativa com alegria, a prevenção de doenças e a preservação das capacidades funcionais.

Seguindo essa tendência vemos muitos programas de televisão exibindo matérias sobre como alcançar a longevidade e viver com saúde. É um processo importante que precisa ser pensado e planejado com antecedência. Uma pessoa que se aposente com 60 anos ainda poderá viver bem uns 20, 30 anos, é um tempo considerável, que também requer um projeto de vida.

É necessário que a visão que se tem ainda hoje sobre o envelhecimento mude, pois é um período de vida que se torna cada vez maior. A sociedade consiga investir mais nessa fase por meio de políticas públicas, serviços, pesquisas, áreas de lazer e convivência, criar mais condições pra que a velhice possa acontecer de maneira mais saudável. É fundamental que se consiga incorporá-los em nossa sociedade, fazendo com que participem mais e se sintam úteis.

A sociedade precisa mudar seus conceitos sobre a velhice, a valorização apenas do que é novo, como modelo de beleza, segrega o idoso. Para a indústria farmacêutica e de cosméticos é essencial que as pessoas queiram ficar cada vez mais jovens, utilizar procedimentos clínicos, fazer plástica. Será que é tão difícil envelhecer? Só o novo é belo?

Essa pressão constante dificulta o movimento de passar por essa fase e de aceitar as perdas e as mudanças no corpo e no rosto e muitas vezes na saúde. A inaceitação dessa fase e de suas conseqüências assim como o sentimento de menos valia leva a muitas pessoas a se sentirem deprimidas. A depressão acomete grande parte dos idosos.

Dessa forma, independente do movimento social, as mudanças precisam ser em primeiro lugar no âmbito individual e familiar. O investimento agora é em si mesmo, em se cuidar, manter a identidade, a esperança, a alegria de viver, fazer as coisas que gosta. Saber lidar com as frustrações, sem se render a elas. Manter a autonomia e a independência frente às tarefas da vida diária, prestar atenção nas notícias, nas novidades em relação ao Brasil e ao mundo. Tentar realizar sonhos antigos, alimentar novos sonhos, conviver com os amigos, com os familiares.

Tanto a família quanto a própria pessoa precisam estar atentas, na existência de dificuldades nessa fase, não hesitar em buscar ajuda, pois ainda há tempo de fazer diferente e mudar, se preciso.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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