Quando chega a época da comemoração do Dia dos Namorados, há uma profusão de cartazes, anúncios em rádio e televisão, enaltecendo o par romântico, o amor e a troca de presentes. Além do apelo comercial que envolve essa data, há um fator cultural, a sociedade também parece cobrar a necessidade de se ter um namorado ou namorada. Nas escolas, faculdades, no trabalho, as pessoas planejam e comentam entre si sobre presentes e encontros.
Nessa época, muitas pessoas se ressentem de estarem sós, sem namorado, deprimem-se, sentindo-se a parte da sociedade e pior de tudo: incompletas! Como se lhe faltassem a tão falada alma-gêmea!
Percebe-se que algumas pessoas têm vergonha de estarem sós, como se fosse algo depreciativo! Será?
As pessoas se esquecem que antes de encontrar o tão sonhado e idealizado parceiro, o mais importante é sentir-se inteiro, não uma metade, é desenvolver a própria individualidade. O foco é colocado tão intensamente na busca pelo outro, que a pessoa se esquece de si própria. Também é comum, vermos pessoas que, por não suportarem a solidão, se envolvem em relacionamentos furados, apenas para preencher o vazio.
Uma pessoa que se sente inteira, que conquistou sua individualidade pode preferir não compartilhar sua vida com outra pessoa e sentir-se bem sozinha, quando for uma escolha e quando conseguir deixar de lado os rótulos sociais e a vergonha. Cada vez mais pessoas priorizam uma vida sem muitas concessões, com mais liberdade de expressão e de locomoção, além da liberdade sexual. Algumas pessoas preferem ficar sozinhas, valorizam os momentos individuais, mesmo que durante certo momento da vida, sem que isto esteja associado a algum sentimento ruim. Isso acontece por inúmeros motivos como viagens a trabalho constantes, desejo de ter o próprio espaço preservado, dedicação a hobbies e projetos pessoais, encontrar os amigos com freqüência ou simplesmente decidir as coisas sem precisar negociar com o companheiro.
Apesar do ideal romântico, muitas pessoas já preferem estar sós a ficarem mal acompanhadas e não aceitam tão facilmente abrir mão de suas escolhas.
Geralmente amigos e familiares pressionam aqueles que se divorciaram, romperam um namoro ou enviuvaram a logo encontrarem um novo companheiro, até se oferecendo para apresentar alguém, na tentativa de evitar a solidão do outro, que é associada a tristeza. No entanto, percebe-se que muitas pessoas aproveitam o momento para se conhecerem, descobrindo forças que estavam adormecidas e experimentando crescimento pessoal.
O medo da solidão está ligado a sentimentos primitivos de desamparo, a lembranças infantis de exclusão e a dependência exagerada em relação às outras pessoas, como por exemplo, em relação aos pais.
Solidão é estar só e não viver isolado das pessoas, ter os próprios projetos, sem encarar o relacionamento amoroso como a única forma de ser feliz. A constituição do eu só acontece por meio de uma experiência de estar só, dando condições para construirmos livremente nosso destino, sendo menos manipuláveis em quaisquer que sejam nossas escolhas.
A análise pessoal é um importante instrumento que nos leva a difícil tarefa do autoconhecimento e ao desenvolvimento pessoal que permite que realizemos nossas escolhas de modo a nos sentirmos bem: sós ou acompanhados.
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