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Sex, 25/05/2007 - 23:34


O rompimento de um vínculo amoroso é sempre um processo muito doloroso. Mesmo quando é a própria pessoa quem decide se separar, a ruptura da relação costuma ser acompanhada de sofrimento. Mas por que?

Para respondermos a esta pergunta, precisamos refletir a respeito do lugar que ocupa em nossa vida alguém que amamos. Grande parte das pessoas cresce com o sonho de encontrar um grande amor, que completará todas as faltas da vida. Assim, vivemos com a ilusão de que um dia seremos “felizes para sempre”. Saliento a idéia de ilusão, afinal, a felicidade absoluta e a existência de alguém capaz de nos preencher em todas as necessidades e desejos são impossíveis (sempre vai faltar algo!). No entanto, precisamos desta ilusão para viver, para sonhar...

É neste lugar extremamente importante que colocamos nosso par amoroso. Quando somos amados nos sentimos reconhecidos, únicos, especiais e indispensáveis para o outro. Sentimentos opostos aparecem quando nos separamos. Somos acometidos de um enorme vazio, uma sensação de sermos “descartáveis”, de que estamos “sem chão”. Nos sentimos tristes, perdemos o prazer em coisas que antes nos interessavam, não nos cuidamos da mesma forma. A ilusão de completude acaba... não conseguimos sonhar...a vida fica sem graça...

O que fazer então? Muitos são os conselhos: “Dor de amor se cura com um novo amor”, “Não fique triste, ele(a) não te merece”, “Existem muitas pessoas no mundo”... Mas será que devemos nos permitir entristecer?

Acredito que sim. É fundamental que, após o rompimento de um vínculo amoroso, possamos passar por um processo de luto, momento em que ficamos mais reflexivos, fechados e nos questionamos a respeito de várias coisas de nossa vida. Nesse sentido, apesar de ser um processo dolorido e difícil, não há problema nenhum se ficarmos alguns meses sem vontade de sair com amigos, se chorarmos com freqüência e não nos interessarmos em encontrar um novo amor. Este período de crise serve para que possamos nos conhecer melhor, avaliar como nos colocamos nas relações, quais são nossos valores, o porquê de termos nos interessado por determinada pessoa, aonde podemos estar implicados naquilo que levou ao fim do relacionamento...

Desse modo, se formos capazes de enfrentar este momento de vazio e tristeza, sem a urgência de preencher imediatamente nossas vidas com um novo relacionamento, temos mais chances de, depois de ultrapassada esta etapa, estabelecermos uma relação mais tranqüila, que vá ao encontro de nossos desejos.

Cabe ressaltar que este processo de luto pode demorar algum tempo, já que não se elabora uma perda de uma hora para outra. No entanto, se depois de passado muito tempo a pessoa ainda se sentir muito triste e incapaz de estabelecer novos relacionamentos, é indicado que procure um profissional.

Muitas pessoas acabam procurando um analista quando se separam. A análise pode ajudar neste processo de crise, oferecendo a oportunidade de se questionar e não ficar paralisado num relacionamento passado.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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