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"Ser mulher... e mãe!"

Ter, 21/08/2007 - 08:43


M.F., 28 anos.
“Tenho uma filha de 6 meses e retornei ao trabalho recentemente. Tenho pensado em parar de trabalhar pois acho que não vai dar certo. Estou confusa e tenho medo de me arrepender depois.”

Ser mulher... e mãe!

Como figura que simboliza a maternidade, temos Maria, que representa a pureza, obediência e humildade e liga-se à imagem da maternidade santificada, dissociada do exercício da sexualidade. Assim, a idéia de ser mãe muitas vezes está desligada da idéia de ser mulher. Quando pensamos em uma mãe, a primeira imagem que nos vêm à mente dificilmente é a figura de uma mulher bem cuidada, preocupada com seu relacionamento afetivo ou sua vida profissional. Por mais que na atualidade esteja em voga a multiplicidade dos papéis masculino e feminino, com freqüência a idéia de ser mãe carrega a representação de uma dona de casa sobrecarregada, voltada principalmente para o cuidado dos filhos.

Sabemos que hoje as mulheres desejam ter filhos, mas às custas de quê? E o resto da vida, como fica?

No ciclo de vida da mulher, existem três períodos críticos de transição que podem ser considerados como fases importantes do desenvolvimento psíquico: a adolescência, a gravidez e o climatério. São três períodos de transição biologicamente determinados, caracterizados por mudanças metabólicas complexas e por um equilíbrio instável devido às grandes mudanças exigidas pelo novo papel social, necessitando de várias adaptações interpessoais e psíquicas.

A gravidez é uma transição que faz parte do processo normal do desenvolvimento da mulher. Em geral, quando questionadas sobre o momento em que souberam da gravidez, muitas descrevem como um momento em que sentimentos contraditórios imperam: alegria, raiva, medo, frustração.

Esta notícia traz consigo inúmeras dúvidas em relação a algo desconhecido que está por vir: será que estou preparada? vou saber cuidar deste bebê? como faremos com um orçamento tão apertado? quem ficará com ele quando eu voltar ao trabalho? como ficará meu casamento?

O puerpério, assim como a gravidez, é um período em que a mulher fica bastante vulnerável, devido às profundas mudanças intra e interpessoais desencadeadas pelo parto. Independentemente do tipo de parto, os primeiros dias posteriores trazem sensações de desconforto físico que são acompanhados de certa labilidade emocional. Sentimentos de excitação pelo nascimento do filho e de depressão podem alternar-se neste período.

Aos poucos a mulher vai se adaptando a seu novo corpo, seios que agora se tornam “lugar de alimento” e um ventre ainda inchado. A criança vai aos poucos sendo percebida pela mãe como um ser separado e que precisa de seus cuidados.

É natural que nos primeiros meses a mulher fique tão absorta em seu novo papel de cuidar, que os outros (esposa, filha, amiga, profissional) fiquem em segundo plano. É variado e particular o tempo que as mulheres levam para retornar totalmente às suas atividades.

Cabe lembrar que ter um filho é uma mudança permanente e que os outros papéis sempre sofrerão adaptações. Caso ocorram dificuldades persistentes a nova mãe pode procurar ajuda de um analista para discutir seus questionamentos.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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