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“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado” - Shakespeare.
O sonho é considerado, pelo senso comum, como algo irracional, bizarro, incompreendido e inesperado, invadindo nossos sentidos e nossos sentimentos ao acordarmos. Pelo fato de provocar inúmeras sensações, acordamos com incômodos ou prazeres que não identificamos, mas que durante o sonho, parecem perfeitamente normais.
Existem inúmeras visões que se referem ao ato de sonhar. De acordo com a visão biológica, das neurociências, o sonho é um processo físico natural e necessário decorrente de funções fisiológicas. O sonho é parte do processo natural do sono e tem como função principal manter a pessoa dormindo. No entanto, esta não é a única disciplina que se interessou pela abordagem do sonho.
O fascínio pelo sonho e o desejo de fazer com que tenha sentido é tão antigo quanto a Humanidade. Há relatos de interpretações de sonhos em fragmentos de papiros, datados do segundo milênio a.C. e em cuneiformes Assírios.
Na Grécia antiga existiam oráculos dos sonhos, que eram visitados por pacientes em busca de desvendar significados relacionados à cura de doenças. Porém, esses significados não eram considerados pessoais; mas eram atribuídos às mensagens dos deuses e a interpretação era de responsabilidade dos sacerdotes e pitonisas. Cabia ao sonhador o papel de ¨veículo¨ para o entendimento coletivo. Contrariando este pensamento da época (valor coletivo dos sonhos), Artemidoro introduziu a idéia da interpretação, que enfatizava o significado particular. Baseou suas hipóteses na experiência e observação, dando ênfase ao caráter pessoal.
O tema da interpretação também está presente na obra de Jung, que desenvolve a idéia de uma linguagem simbólica, cuja compreensão revela ao sonhador a etiologia de seus sintomas. Para cada sonho, há tantas interpretações quanto sejam os intérpretes.
Assim como Artemidoro e Jung, Freud, já na modernidade, acreditava que os sonhos tinham algo a dizer ao sonhador, continham mensagens expressas por imagens. Para ele os sonhos escondiam algo que, por meio da técnica psicanalítica – associação livre, poderia esclarecer o caráter, os estados da mente e conteúdos reprimidos, ou seja, o sonho favorecia a consciência de conteúdos que compunham a infinita complexidade da psique humana.
Os sonhos são manifestações do inconsciente e revelam mensagens que aparecem “disfarçadas” e precisam ser desvendadas. Dessa forma, podemos dizer que não há um único sentido para um sonho e, por isso, não devemos interpretar um símbolo onírico como tendo um significado pré-determinado (como, por exemplo, dizer que sonhar com dente significa morte).
Para a Psicanálise os sonhos não devem ser interpretados por meio de símbolos universais e sim de acordo com a singularidade de cada um.
Numa análise os sonhos oferecem um material importante a respeito de conflitos, fantasias e outras questões emocionais, podendo ser desvendados por meio de uma escuta.