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A violência doméstica conjugal é um fenômeno muito freqüente e tem importante repercussão na saúde do casal e dos filhos. Todavia, o enfrentamento desta situação é difícil e, em grande parte dos casos, constitui um longo caminho para as pessoas envolvidas.
Sua dificuldade relaciona-se ao fato de o vínculo entre agressor e agredido ser de natureza afetiva, íntima e carregar um emaranhado de emoções, relacionadas aos projetos de vida de cada membro do casal. Por esta razão, a revelação desta experiência provoca sentimentos variados de temor, humilhação, vergonha e culpa.
É comum as pessoas envolvidas em situação de violência demonstrarem desamparo e passividade, estados depressivos e queixas somáticas, como tremores e formigamentos nas mãos, dores crônicas de cabeça, gastrite, insônia.
As pessoas em situação de violência sofrem de síndrome traumática complexa, com muitos sintomas comuns ao transtorno do estresse pós-traumático, mas inclui sintomas adicionais de depressão, ansiedade, idealização do agressor e dissociação provocados pela natureza crônica do trauma.
As mães que sofrem violência conjugal ou que são abusadas sexualmente na infância apresentam padrão negativo de cuidado com os filhos, envolvendo comportamentos punitivos em relação a eles. Este padrão de cuidado está diretamente associado a problemas no funcionamento psicológico da mãe, sobretudo ao quadro depressivo, e tem importante impacto na saúde mental das crianças.
Do ponto de vista dos relacionamentos pessoais, as pessoas envolvidas em situações de violência conjugal perdem a confiança nos relacionamentos com as outras pessoas e passam a ficar mais isoladas. Nestes casos a psicoterapia tem se mostrado um bom caminho na busca por autonomia e fortalecimento da auto-confiança.