Mesmo nas grandes cidades como São Paulo, onde se encontram milhões de habitantes, existem muitas pessoas que se sentem extremamente sós. Há quem viva bem sozinho, mas para outros a solidão não é um sentimento desejado, pode trazer tristeza e sensação de vazio diante da falta de convivência e de vínculos significativos.
Hoje em dia, trabalhar e estudar implicam no gasto de um tempo precioso no trajeto a locais, muitas vezes, bem distantes das casas, diminuindo a possibilidade de se compartilhar com a família as vivências simples do dia-a-dia. As crianças passam horas na escola, ou então, são cuidadas por babás, empregados, parentes e professores, enquanto isso, os pais trabalham.
Em muitos momentos, os casais não se encontram, os pais vêem pouco seus filhos e vice-versa. Essa rotina pode favorecer o aparecimento do sentimento de solidão, que atinge pessoas de qualquer classe social, gênero e faixa etária. Um dia desses, a mãe de uma menina relatou: “minha filha chora quando me vê, trabalho longe, preciso sair cedo e volto tarde. Quando chego, na maioria das vezes, ela está dormindo. Parece que a gente não se conhece!”
O espaço urbano cria um certo anonimato, se está só, mas acompanhado por aqueles que não nos conhecem e que também não conhecemos. Está presente uma grande privação da companhia de amigos e familiares, numa relação de intimidade e cumplicidade.
A vida em grupos, em que se compartilham valores, está cada vez mais reduzida, a riqueza da cultura referida a historia de uma família, de uma etnia ou de um lugar, tem diminuído, pois as trocas têm-se reduzido também. Assim, concomitante a pluralidade e diversidade de culturas, sem dúvida importantes, existe um empobrecimento do enraizamento. Cultua-se o efêmero, sabe-se de tudo superficialmente. Às vezes, o acesso às pessoas acontece pela internet (blogs, e-mails e páginas pessoais) e não pelo contato pessoal, em que há a possibilidade do aprofundamento e do reconhecimento do outro.
As trocas entre as pessoas são muito importantes, o que se cria nesse espaço forma o enredo de uma vida, se criam histórias, pelos sentimentos e memórias que ficam registrados. É claro que ninguém passará pela vida imune aos momentos solitários, mas há que se enriquecer com as trocas proporcionadas pelo encontro com o outro.
*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

veja a localização