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"Tenho 65 anos e todos na minha família me chamam de neurótico. Costumo esquecer as coisas, falo várias vezes do mesmo assunto. Tenho medo de estar louco."
No senso comum a palavra “neurótico” foi incorporada para falar do sujeito que tem problemas nervosos, irritado, insatisfeito, queixoso, repetitivo, que tem manias (limpeza, organização), metódico, bitolado, etc. Para a psicanálise, trata-se de uma pessoa cujos sintomas são caracterizados por sensação de ansiedade, angústia, preocupação, como se houvesse um sentimento de divisão. Ela sente um impulso que “quer” algo e outro que impede a realização da "vontade".
Essa situação conflituosa entre intenções opostas gera mal-estar e sofrimento. Por exemplo, a pessoa quer falar em público e não fala, pois tem vergonha. A pessoa concorda em “obedecer”, mas fica com raiva, se perguntando por que segue tanto as ordens? As neuroses se dividem em alguns aspectos em comum:
Fobia – caracteriza-se pelo medo e ansiedade desproporcionais às situações, lugares e “objetos”. Algumas pessoas podem ter medo exagerado, que se manifesta no corpo através de sudorese, calor, taquicardia, dores, etc. Apresenta comportamentos de fuga e evitação diante de situações que são consideradas desagradáveis.
Histeria – há características marcantes como exagero na manifestação de sentimentos. Algumas pessoas se comportam de modo teatral, outras buscam chamar a atenção excessivamente, querem ser o “centro das atenções”, e ainda há aquelas que se queixam bastante, supervalorizando a insatisfação. É comum a pessoa ter sensações corporais como náuseas, tonturas, simulando estar doente.
Neurose obsessiva – se distingue pelo sentimento de desconforto gerado por pensamentos repetitivos e inevitáveis, preocupações com sujeira, contaminação, sentimento de dúvida. Essas dificuldades podem ser lidadas por meio de rituais ou comportamentos que a própria pessoa considera estranhos, mas provocam alívio de algumas tensões, como por exemplo, lavar as mãos diversas vezes ao dia, checar se desligou as luzes, repetidas vezes, usar a mesma cor de roupa todos os dias, beber água sem parar, etc.
O que vale lembrar é que as neuroses são acompanhadas por conflitos, que podem levar a pessoa a um grande desgaste, à perda de memória e atenção, limitando-a significativamente devido as barreiras construídas pelas diferentes crenças e fantasias que dificultam a vida. O sofrimento gerado por esses conflitos depende de cada um. O que é difícil para alguns, não é para outros, sendo impossível fazer a comparação entre o que é normal ou não.
A psicanálise não se preocupou em fazer essa diferenciação, o importante é o modo como cada indivíduo se relaciona com seus desejos, com a realidade e com outras pessoas.
Essa ciência não determina quem vive melhor, essa é a meta de cada um, buscar o que o satisfaz, sem prejudicar outras pessoas e a si mesmo.
Finalizando, a neurose é um modo de estar no mundo, o tratamento (psicanalítico, psicoterapia) é necessário quando há o excesso de sofrimento, cuja dor necessita ser trabalhada.