A traição é um assunto bastante delicado. Quase todos os casais costumam falar a respeito desse tema e, muitas vezes, estabelecem um pacto de fidelidade entre si.
A maioria dos relacionamentos fica calcada em ideais que englobam a monogamia, a fidelidade, o companheirismo, a sinceridade e a confiança.
A fantasia e o medo de que possa existir uma traição de uma das partes está presente em muitos casais. Algumas pessoas convivem com seus parceiros numa eterna desconfiança, sentem que a qualquer momento podem ser trocadas ou enganadas. Outras, no entanto, jamais desconfiam de que a traição possa existir em seu relacionamento, dizem se sentir seguras com relação ao “caráter” e ao amor do companheiro.
Independentemente do fato da traição ter sido considerada como algo provável ou não, quando ocorre, costuma ser acompanhada de grande sofrimento.
A pessoa traída sente-se sem valor, trocada, enganada. Tenta entender o que aconteceu. Questiona-se a respeito de sua aparência física, de sua capacidade em ser atraente, do seu desempenho sexual, de como se posicionou e agiu dentro da relação. O ideal de felicidade é destruído e a pessoa tem a sensação de estar “sem chão”.
Algumas pessoas sentem muita raiva de si mesma e/ou do parceiro. Muitas vezes, após a descoberta de que se foi traído, ocorre uma cisão da percepção do outro, ou seja, o parceiro passa a ser visto como portador apenas de defeitos, passa a ser odiado e é negado qualquer sentimento afetivo por ele. Também pode ocorrer o contrário, isto é, frente à possibilidade de perdê-lo, há uma intensa idealização, em que é visto apenas em seus aspectos positivos e a pessoa sente que não será capaz de viver sem o relacionamento (coloca o companheiro como a principal coisa em sua vida).
Muitas vezes, quem trai também acaba sofrendo. É comum um forte sentimento de culpa, medo de que seja descoberto, dificuldade em decidir com que parceiro ficar, dó do companheiro, temor de ser visto como alguém sem caráter. Quando há filhos envolvidos o conflito tende a ser mais intenso, já que há grande medo de que a separação resulte num afastamento das crianças.
Muitos são os motivos que levam a uma traição. Os mais freqüentes envolvem conflitos do casal, dificuldades na relação sexual (às vezes, o parceiro só se sente à vontade com uma pessoa distante afetivamente, como uma prostituta ou um caso passageiro), apaixonamento por outra pessoa, necessidade de auto-afirmação (a pessoa precisa do desejo de outros para sentir que tem valor).
Diante de uma traição, a pessoa costuma se questionar se deverá perdoar o companheiro ou se precisa se separar. Para esta questão não há uma resposta única. Cada um deve refletir a respeito de seu próprio desejo, do sentido que teve a infidelidade no relacionamento, como tem se posicionado frente ao parceiro e como tem sido tratado por ele.
Após uma traição, quando se decide manter a relação, o casal costuma passar por um período de crise. Esta crise, apesar de difícil, é necessária e ajuda a elaborar o que aconteceu.
Em algumas situações a crise se torna crônica, afetando a vida afetiva e sexual dos companheiros. O casal sempre volta a discutir a respeito da infidelidade e a desconfiança acaba prevalecendo na relação.
Algumas pessoas que acabam se separando em decorrência de uma traição podem ter muita dificuldade para estabelecer um novo laço amoroso, já que temem sofrer novamente.
Quando a questão da traição aparece de forma intensa, atrapalhando a vida afetiva da pessoa, recomenda-se uma análise.
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