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Qua, 18/07/2007 - 23:01


Quando ocorrem situações imprevisíveis, assustadoras, de forma repentina e intensa, sem que haja tempo de se preparar, as pessoas são acometidas de fortes emoções. Sentem o quanto a vida é frágil e imprevisível, se questionam a respeito da morte, fazem um balanço de suas vidas, ficam inseguras.

Nessas situações, chama a atenção a necessidade que existe de relembrar a cena (que provocou horror e susto) várias vezes. Após a notícia do acidente com o avião da TAM em 17 de julho passado, há relatos de pessoas que ficaram horas assistindo aos noticiários da televisão, Internet, rádio, procurando, incessantemente, fotos ou outras situações que falassem da tragédia, mesmo que tais lembranças trouxessem sofrimento e angústia.

Por que a necessidade de reviver a mesma cena traumática tantas vezes?

Quando a pessoa sabe que passará por uma situação difícil, o corpo e a mente transmitem sinais como angústia, temor, ansiedade e apreensão, que ajudam a enfrentar melhor a situação que está por vir. No entanto, quando alguém é pego de surpresa, não há tempo para tais reações e, por isso, muitas vezes, a situação torna-se traumática. O trauma, portanto, tem como uma de suas características, a ausência de um preparo da mente para enfrentar a tragédia ou acontecimento intenso e difícil.

Nesse sentido, a necessidade de reviver a cena não é sinal de patologia. A repetição apresenta, como uma de suas finalidades, a tentativa do psiquismo em dar conta de uma situação traumática. É como se a mente tentasse elaborar o susto frente a um fato que não teve tempo de ser previsto: assistir a uma cena que já se sabe como transcorrerá permite à pessoa preparar-se para ela sem ser pega de surpresa, como da primeira vez em que recebeu a notícia (ou passou pela situação).

A mente tenta, assim, retroativamente, emitir sinais de alerta que faltaram e que por isso fizeram a situação causar tanto impacto. É como se fosse preciso reviver a situação várias vezes para se preparar emocionalmente, para poder elaborá-la e controlá-la, tornando o imprevisível, previsível.

Algumas pessoas, após passarem por uma situação traumática (tais como: assalto, acidente grave, estupro), podem apresentar o que se chama de Transtorno de Estresse Pós-traumático. Este transtorno pode ocorrer logo após o trauma ou mesmo após um lapso de tempo maior. A pessoa tem a sensação constante de estar passando novamente pela tragédia e isto dura um tempo além do esperado.

Muitas são as características do transtorno pós-traumático: reviver a situação através de pensamentos intrusivos, lembranças (flashbacks) e sonhos (pesadelos); fugir das condições que lembrem o trauma; excitação; insônia; irritabilidade; reações exageradas a situações leves; dores no peito; ansiedade; incapacidade de recordar alguma coisa relacionada ao trauma; dissociação dos afetos (como se ficasse frio, com dificuldade em expressar emoções), hipervigilância; falta de ar; sudorese; taquicardia; tremores; dificuldade em se concentrar.

Nestes casos, sugere-se a procura de um profissional. É preciso que a pessoa possa dizer a respeito de seu trauma, lembrar de cenas esquecidas, escutar o que o fato representou para ela, elaborar o luto caso tenha acontecido uma situação de morte ou perda.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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