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Uma criança pode ser analisada? E o adolescente?
Sim. O trabalho de análise não é restrito ao adulto. Crianças e adolescentes se beneficiam muito de uma escuta analítica.
Podemos dizer que, neste tipo de análise, o objetivo é o mesmo que o trabalho com adultos: buscar a origem das dificuldades emocionais que, de diversas formas, trazem sofrimentos e conflitos, que inibem a pessoa a levar a vida de acordo com suas potencialidades e desejos.
No entanto, o trabalho com crianças e adolescentes apresenta algumas particularidades quanto às técnicas utilizadas.
No caso da criança e de alguns adolescentes, além da fala, utilizamos recursos que facilitam a comunicação, como desenhos, brinquedos e jogos, já que estes fazem parte do universo infantil (a criança está familiarizada com estes instrumentos) e funcionam também como linguagem, como uma forma de expressar os conteúdos inconscientes.
Uma outra diferença fundamental com relação ao trabalho do adulto, que vai sozinho ao analista, é o fato de que, na análise de crianças e adolescentes, os pais (ou responsáveis) também participam do tratamento.
Eles são escutados durante todo o tratamento. Em alguns momentos, de forma mais intensa e em outros, mais esporádica. Nas conversas com o profissional, relatam suas queixas, preocupações e dificuldades com relação ao filho.
O analista, muitas vezes, também solicita algumas conversas com os pais nas quais pode obter dados importantes da história da criança (ou adolescente) que são fundamentais para compor o trabalho. A presença dos pais é importante uma vez que a Psicanálise considera que há uma importante relação entre o sintoma da criança e a dinâmica familiar.
De modo geral, a análise possibilita à pessoa se posicionar diante do que a faz sofrer e lutar pelo que deseja.