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“A formação de um analista”
Este texto surgiu a partir de freqüentes perguntas de estudantes de psicologia e psicanálise a cerca dos requisitos para a formação de um analista.
Em seu texto “Sobre o ensino da psicanálise nas universidades”, Freud (1919) afirma que a formação de um analista deve ser sustentada a partir de um tripé constituído por: ensino teórico, supervisão e análise pessoal. Este tripé teve sua importância reafirmada por Lacan que lhe forneceu uma maior consistência.
A supervisão é um pilar importante para o candidato a analista que ainda não terminou sua análise. Além da necessidade de troca, em função da solidão do exercício da profissão, permite articular o universal da teoria com o singular de cada analisante, oferece uma escuta, ajuda o analista a fazer um diagnóstico e a pensar numa direção da cura (quando necessário, podem ser sugeridas técnicas de manejo). A supervisão reenvia o analista à sua análise pessoal e estudo e faz uma espécie de “suplência” a um dos tripés que ainda não está “sólido”.
Com relação à análise e ao estudo, Lacan salienta que estes dois tripés estão intimamente associados(1958). No texto “A direção do tratamento e os princípios de seu poder” , questiona a respeito de como seria possível a transmissão da psicanálise. Faz então, uma crítica à dicotomia entre análise didática e terapêutica, postulando que toda análise é didática (analista se torna analista em sua análise).
No mesmo escrito Lacan dá ênfase ao que Freud já afirmava:“Ninguém jamais esquece aquilo que aprendeu na transferência”. Neste sentido, coloca que o ensino é produzido dentro do contexto da experiência analítica, já que é na análise que se tem acesso ao inconsciente e se pode articular saber e verdade.
A análise entra em jogo, portanto, como um pilar fundamental. É no final da análise, segundo Lacan, que se produz um analista, na medida em que pode emergir o desejo de analista, que é o vetor de toda análise (distinto do desejo do analista). É também, a partir dela, que o futuro analista obtém uma referência para sua prática clínica e consegue estabelecer seu próprio estilo (marcado pela forma como lida com seu gozo, desejo e fantasia).
A análise permite ao analista lidar com sua castração - com uma verdade que o divide enquanto sujeito - de forma a conseguir fazer semblant de Sujeito Suposto Saber (lugar colocado muitas vezes pelo analisando) sem de fato, identificar-se com esse lugar – o que é essencial para que uma análise aconteça.
A transmissão da psicanálise só poder ser feita a partir da análise pessoal, o que evidencia seu caráter singular (um-a-um) de maneira que é em cada análise que se produz um psicanalista. Nesse contexto, faz sentido a afirmação de Lacan: “cabe a cada analista reinventar a psicanálise” (1979, 219).
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