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“Algumas conseqüências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos” (1925) - resenha

Seg, 26/10/2009 - 11:13


Neste artigo Freud analisa o desenvolvimento psicológico das mulheres.

Ele enfatiza a obscuridade que envolve a vida sexual das mulheres, dizendo da dificuldade em responder à pergunta “O que quer uma mulher?”. Grande parte de seus textos como os Três Ensaios, a Teoria sexual infantil, foram baseados no estudo de crianças do sexo masculino.

Afirma que não há um paralelo, uma simetria entre os dois sexos. Ele encontra uma diferença no que diz respeito a uma distinção no menino e na menina com relação ao complexo de castração e de Édipo e no estabelecimento do superego.

Antes de a menina entrar no Édipo ela precisa passar por uma dupla mudança que envolve uma modificação em seu órgão sexual principal e em seu objeto sexual.

Ao observar que em ambos os sexos a mãe é o objeto de amor original, Freud se pergunta a respeito do processo que faria com que a menina abandonasse a mãe para tomar o pai como objeto de amor. “Nas meninas, o complexo de Édipo levanta um problema a mais que nos meninos” (p.280).

A percepção da diferença anatômica provoca reações diferentes em cada sexo. O menino, primeiramente, rejeita esta percepção e mais tarde, a vê como uma ameaça real de castração, que levará a um horror ou a um desprezo frente ao sexo feminino.

No caso da menina, a percepção da diferença assume um caminho diferente. Ela percebe uma castração já efetuada, observa que não tem o órgão masculino, mas quer tê-lo (caem vítimas da inveja do pênis).

Freud relata a formação de um complexo de masculinidade das mulheres que pode afetar o desenvolvimento da feminilidade (pode ir de uma persistência até a vida adulta do desejo de ter um pênis até uma rejeição psicótica da diferença anatômica, em que a mulher acredita que possui o órgão).

Freud descreve algumas conseqüências psíquicas da inveja do pênis. Em primeiro lugar cita o sentimento de inferioridade (desprezo com relação ao sexo feminino), em seguida fala do sentimento de ciúmes das mulheres (deslocamento de parte da inveja do pênis) e do afrouxamento da relação afetuosa da menina com sua mãe, em que a mãe é vista como responsável pela falta do pênis. A última conseqüência e segundo ele, a mais importante, seria o abandono da sexualidade clitoridiana, fundamental para o desenvolvimento da feminilidade (se afasta da masculinidade e da masturbação).

A menina abandona seu desejo de ter um pênis, sua libido desloca para o desejo de ter um filho do pai (equação pênis-criança), o que faz com que tome seu pai como objeto de amor e sua mãe como objeto de ciúmes. “Malogrando-se mais tarde e tendo de ser abandonada, a ligação da menina a seu pai pode ceder lugar a uma identificação com ele, e pode ser que assim a menina retorne a seu complexo de masculinidade e, talvez,permaneça fixada nele” (p.285).

Freud observa então, que, na menina, o complexo de Édipo é uma formação sexual secundária, já que há uma importância da ligação pré-edipiana da menina à sua mãe. Enquanto que nos meninos o Complexo de Édipo se dissolve a partir do complexo de castração, nas meninas, o complexo de castração precede e introduz o complexo de Édipo.

Nos meninos, portanto, o complexo de Édipo deixa de existir e o superego torna-se seu herdeiro. O mesmo não ocorre no caso das meninas, em que falta um motivo para a dissolução do Édipo. Freud afirma que no sexo feminino ele pode persistir com força na vida das mulheres normais e o superego não se torna tão independente da vida emocional como nos homens.

Freud finaliza seu texto afirmando a existência de uma disposição bissexual em ambos os sexos, de forma que a “masculinidade e a feminilidade puras permanecem sendo construções teóricas de conteúdo incerto” (p.286).

Freud, S.(1925) Recalque. In: Obras psicológicas completas: Edição Standard Brasileira. Vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.


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