"Parentalidade"


A experiência de maternagem sofre influências da maturidade psicológica alcançada pela mãe, a sua vivência com seus pais e a relação estabelecida com sua própria mãe, sendo a maternidade, um momento em que essas experiências infantis são reativadas.

O termo parentalidade foi proposto por Paul Claude Racamier em 1961 e foi utilizado por vários autores a partir da década de 80, para se referir aos papéis e funções parentais.

A parentalidade vai além do fator biológico, está ligada a experiência de tornar-se pais, o que inclui a aceitação da herança parental e questões conscientes e inconscientes.

O mandato transgeracional seria constituído por valores culturais familiares e mitos que seriam transmitidos a cada geração.

Há a transmissão original transgeracional do superego parental, o modo como a pessoa apreendeu a experiência do modelo parental, principalmente porque a criança é objeto das projeções identificatórias da mãe e do pai, na constituição de seu próprio processo de maternidade e paternidade. A criança também é objeto dos conteúdos fantasmáticos dos pais. Daí, a importância de um mandato transgeracional mais flexível.

Para se tornar um pai ou uma mãe, é importante o papel do narcisismo primário, no qual a criança é e se percebe desejada por seus pais, sentindo-se protegida por esse olhar. Há a necessidade de que os pais invistam no seu bebê. O olhar da criança também parentaliza seus pais, tendo a criança um papel ativo nesse processo, que vai depender das circunstâncias que envolvem o seu nascimento, assim como suas competências e habilidades (Lebovici, 2004).

A gravidez aproxima a mulher de sua própria mãe, sentindo uma “dívida de vida”, por ocupar o lugar de sua mãe, tornando-se mãe também. Então, ela se identifica com a mãe, para cuidar de seu bebê, ao mesmo tempo em que também regride, identificando-se com ele.
A mãe se sente mãe de seu bebê por ser gratificada por ele narcisicamente. Cada criança possui características que despertam o desejo dos pais. A mãe transmite seu próprio narcisismo ao bebê, que constrói seu narcisismo a partir do amor materno, que fornece condições para o desenvolvimento egóico da criança (Solis-Ponton, 2004).

Nesse momento delicado é importante os pais não estarem totalmente sozinhos diante da tarefa de cuidar de uma criança, o apoio e os laços familiares, o ambiente e as relações sociais constituem fatores fundamentais que ajudam os pais a poder exercer sua parentalidade.

Bibliografia:
Lebovici, S. & Solis-Ponton, L (2004) Em: Solis-Ponton, L. & Silva, M. C. P. (Orgs.), Ser pai, ser mãe: parentalidade: um desafio para o terceiro milênio. São Paulo: Casa do Psicólogo.


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