"Principais características da primeira e segunda teoria das pulsões"


Por pulsão entendemos algo diferente de instinto já que as pulsões não apresentam um objeto predeterminado biologicamente, suas formas de satisfação são variáveis e ela é insaciável, uma vez que diz respeito ao desejo e não à necessidade. Está entre o somático e o psíquico.

Para Freud, o homem é possuidor de um permanente conflito entre pulsões antagônicas existentes em seu interior.

A primeira teoria das pulsões se encaixa com a versão empírica do complexo de Édipo; baseia-se na neurose (de transferência) e na perversão, a psicose não é incluída.

Segundo Freud, o conflito psíquico se expressaria através da oposição entre as pulsões do ego (autoconservação) e as pulsões sexuais (libido). O princípio de prazer e desprazer seria a instância reguladora das tensões, cujo objetivo seria a manutenção do menor nível de tensão.

Nesta teoria, a neurose seria o resultado da prevalência das pulsões do ego, enquanto que a perversão, a prevalência das pulsões sexuais.

Freud vê na pulsão sexual o objeto privilegiado do recalcamento no inconsciente. Para ele, esta pulsão está submetida exclusivamente ao princípio de prazer e funciona segundo as leis do processo primário (catexia livremente móvel); ela estaria a serviço da conservação da espécie.

As pulsões do ego estariam ligadas às necessidades, às funções corporais essenciais à conservação da vida do indivíduo. Estas pulsões estariam associadas ao princípio de realidade, sendo possível o adiamento de sua satisfação (processo secundário). Além disso, elas só poderiam satisfazer-se com um objeto real, se opondo às sexuais que poderiam satisfazer-se na fantasia.

A segunda teoria está ligada à lógica da constituição do sujeito (falo, falta, castração), e, portanto, ao Édipo Estrutural. Ela leva em conta a psicose e aponta diretamente para a sublimação (aceitação da falta, prazer não sujeito a conflito).

Esta teoria surge em 1920, a partir do texto Mais Além do Princípio de Prazer, onde Freud desenvolve a noção de pulsão de morte (Thânatos) e pulsão de vida (Eros).

Freud percebe a existência da pulsão de morte a partir de sua experiência clínica, onde se depara com a questão do sado-masoquismo, da compulsão à repetição e da reação terapêutica negativa. Estas experiências mostram a ele que o funcionamento psíquico não é exclusivamente dominado pelo princípio de prazer.

Ocorre então, uma profunda modificação em sua teoria das pulsões: passa a entender o indivíduo como marcado pelo conflito entre as pulsões de morte e de vida e não mais entre as do ego e as sexuais.

Freud afirma que a pulsão de morte estaria no princípio de qualquer pulsão. Ela pode ser entendida como um desejo de recusar a condição desejante. Estas pulsões tendem para a redução completa das tensões (descarga total), reconduzindo o ser vivo ao estado anorgânico (Princípio de Nirvana).

A pulsão de morte pode aparecer voltada para o interior sob a forma de autodestruição ou dirigida para o exterior, manifestando-se sob a forma de agressão ou destruição.

A pulsão sexual e as de autoconservação são, então, assimiladas às pulsões de vida. Por pulsão de vida, Freud entende uma força que tende à ligação, à constituição e conservação das unidades vitais. A pulsão de vida (Eros) está ligada à aceitação da existência do objeto e está vinculada à sublimação.

Podemos entender que a segunda teoria é marcada pelo conflito entre desejo de desejar (Princípio de prazer) e desejo de não desejar (Nirvana). Cabe ressaltar, que as duas pulsões nunca aparecem isoladamente: em todas as manifestações humanas podemos observar a participação de ambas as pulsões em diferentes graus.


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