A Psicanálise é marcada pela descoberta do inconsciente, descoberta que revoluciona a concepção de homem. Até então, predominava a filosofia cartesiana, onde o homem era visto como um animal racional, sujeito do pensamento racional, uma unidade.
Com a Psicanálise, o sujeito é marcado por uma divisão em relação ao sexo e à castração; é concebido como uma “falta-a-ser” na medida em que não há uma representação simbólica que o nomeie. O sujeito é sujeito do inconsciente, é determinado pelo inconsciente, por algo que escapa a ele e do qual não tem controle.
O inconsciente é fundado pelo recalque, que é a recusa da representação psíquica da pulsão na consciência: é uma defesa contra a angústia de castração. Lacan relaciona o recalque com a estrutura neurótica.
Lacan define o inconsciente como estruturado pela linguagem, como algo constituído pelo deslizamento constante dos significantes (puro som da palavra, esvaziado de sentido), não se detendo em significados. Para se ter acesso ao inconsciente é preciso escutar a equivocidade do significante, a dúvida de onde advém o sujeito, o desejo.
As manifestações encontradas nos sonhos, sintomas, atos falhos, lapsos e chistes fundamentam a hipótese do inconsciente enquanto estruturado como linguagem. Essas manifestações expressam o retorno do recalcado, a realização de um desejo e, portanto, são denominadas por Lacan como formações do inconsciente. São patologias da linguagem no sentido que apontam para um “tropeço” na fala e na língua, representam um “saber não sabido”.
O sintoma é uma expressão metafórica do desejo, revela a articulação do desejo com a lei. Ao mesmo tempo em que proporciona prazer, faz sofrer, faz gozar. É uma formação substitutiva do significante recalcado, onde a pulsão se satisfaz (parcialmente, porque a satisfação completa é impossível).
O ato falho seria um “ato bem sucedido” do ponto de vista do inconsciente, como diz Lacan, já que é uma formação do inconsciente que passa para a consciência à revelia do sujeito.
A constituição do sonho obedece à mesma lógica da formação dos sintomas, já que representa um retorno do significante recalcado que aparece de fora cifrada, principalmente, por meio da condensação.
Sendo o inconsciente estruturado como linguagem, é determinado pela lei da metáfora e da metonímia. A metáfora está ligada ao que Freud denomina de condensação, é a superposição de significantes formando um novo significante (é o que podemos observar no exemplo do “Familionário” relatado por Freud). Já a metonímia, constitui-se na articulação de um significante ao outro por deslizamento, onde o todo é definido pela parte (é o caso de “velas” representando a “expressão barco a velas”).
A metonímia é o que caracteriza o desejo, uma vez que o desejo é sempre desejo de outra coisa, é marcado por uma falta. O desejo só é possível a partir da operação da função paterna que barra o gozo do Outro.
A análise é essencial para que se tenha acesso ao inconsciente, uma vez que o inconsciente se atualiza na transferência. É por meio da associação livre que se evidencia a presença de significantes-mestres que orientam a cadeia significante do sujeito e apontam para o desejo recalcado. Na análise, o sujeito pode reconhecer quais são os significantes primordiais que o determinam, se desalienando: sujeito da enunciação e não mais do enunciado.
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