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Dom, 18/03/2007 - 22:11


Na psicose, a lei encarnada pela mãe é uma lei pessoal, onipotente. O pai não aparece no discurso materno, o que impede que o pai simbólico emerja do lugar do pai real: não há lugar vago para o estabelecimento de um terceiro, que faria o corte na relação fusional mãe-filho. Dessa forma, a criança permanece na posição de ser falo da mãe, numa posição de objeto da mãe, onde o Outro fica como completo, não barrado.

A forclusão é um conceito operatório formalizado por Lacan para descrever o mecanismo específico de defesa que está na origem da psicose.

Segundo Laplanche e Pontalis (2000), Lacan propõe este termo como equivalente ao termo utilizado por Freud, Verwerfung. No entanto, estes autores salientam que, para Freud, Verwerfung é um termo bastante amplo e que nem sempre este termo expressa a idéia de forclusão utilizada por Lacan, já que a forclusão parece estar ligada também a outras noções encontradas na obra de Freud, tais como: Ablehnen (afastar, declinar), Aufheben (suprimir, abolir) e Verleugnen (renegar, recusar).

Lacan, ao desenvolver a noção de forclusão, se baseia no texto “O homem dos lobos”, texto em que Freud mostra a existência de uma recusa em admitir a castração.
Na forclusão há uma rejeição do significante do Nome-do-Pai para fora do simbólico do sujeito (está desligado de toda identificação com a função paterna), não sendo integrado no inconsciente.

Segundo Rabinovitch (2000), o termo forclusão se diferencia dos outros mecanismos de defesa (recalcamento, renegação e a denegação), já que a forclusão intervém no plano da constituição primitiva do sujeito e instaura um lugar exterior ao sujeito, que é diferente do retorno do recalcado.

A forclusão desordena as relações do real e do simbólico, alterando a estrutura. Na psicose não há um dito que designe o desejo, não há um laço entre o simbólico e o real; as representações de coisas estão ausentes e separadas das de palavras.

Em virtude da falha na função do pai, enquanto função simbólica, o psicótico sofre as conseqüências de ter suas palavras aprisionadas à sua pura literalidade, onde a relação do sujeito com o significante ocorre em seu caráter puro (o significante não circula na cadeia). Nesse sentido, produz-se o que Lacan chamou de “distúrbios da ordem da linguagem”: a metáfora é impossível, as palavras são os objetos, já que não podem representá-los.

O significante que foi forcluído retorna no real (alucinação, delírio), porque não há uma marca simbólica. É desta forma que se evidencia a presença do real na psicose, sendo algo irrepresentável, inacessível, um vazio constituído pela abolição de inscrição mnésicas, é um nada; uma presença invasora de algo que não foi simbolizado pelo sujeito.

Bibliografia
Dor, J. (1991) - O pai e sua função em Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
Lacan, J. (1985) - O Seminário. Livro 3. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
Rabinovitch, S. (2000). A Foraclusão – Presos do Lado de Fora. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.


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