"Reflexões sobre o desenvolvimento da criança"



O desenvolvimento infantil pode ser visto por diferentes facetas, que fazem parte desse processo. Dependendo da abordagem teórica adotada, a ênfase recai sobre um aspecto ou outro, como a questão biológica, processos maturacionais, as relações entre meio ambiente e indivíduo, as interações sociais, as relações objetais ou as questões referentes ao inconsciente e ao discurso familiar.

Hoje em dia, apesar de existirem diferentes correntes teóricas com interpretações diversas a respeito do desenvolvimento da criança, não se fala mais na dicotomia entre meio ambiente e natureza, havendo uma concordância a respeito dessa interação, embora as linhas teóricas difiram nos pesos que são dados a esses extremos e de que maneira se processa essa interação.

Observando o desenvolvimento da criança em diferentes contextos sociais percebemos que este sofre influências da cultura na qual a criança está inserida devido os valores e as atitudes expressos nas diversas maneiras de cuidar, fazendo com que um processo que nos parece tão universal e biológico apresente características que são compartilhadas por todos os indivíduos, algumas que são exclusivas de um grupo e ainda características individuais.

Para Jerusalinsky e Coriat, o desenvolvimento é um processo que se redefine a cada momento, de acordo com a cultura e as condições biológicas da criança, sendo constituído por dois aspectos: os estruturais e os instrumentais.

Os aspectos estruturais são compreendidos pelo biológico, principalmente pelo sistema nervoso central, que rege as possibilidades do sujeito de intercâmbio com o meio, ampliando-as ou limitando-as. O sujeito psíquico, relacionado à própria estrutura familiar e seu lugar como sujeito dentro da família e o sujeito cognitivo, do conhecimento, que começa a se interessar pelo ambiente, que também é atraente para sua mãe, passando a experimentá-lo e utilizá-lo cada vez mais para a realização de diferentes intercâmbios.

Os aspectos instrumentais estão relacionados às ferramentas necessárias para que o sujeito realize seus intercâmbios com o mundo e consigo mesmo. Essas ferramentas são importantes para que ele possa atender aos seus desejos, a partir do que sua estruturação permite, utilizando-se da linguagem, da motricidade, da psicomotricidade, da aprendizagem, da brincadeira, do jogo e da socialização.

Bibliografia:
Bee, H. (1996). A criança em desenvolvimento (7a Ed.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas.
Jerusalinski, A. & Coriat, L. (s.d.). Aspectos Estruturais e Instrumentais do Desenvolvimento. Escritos da Criança - Centro Lydia Coriat.. no 4.


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