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Qua, 29/07/2009 - 17:41


Na clínica o analista é constantemente colocado diante desta questão: tem remédio? O que fazer diante daquilo que não tem remédio?

O discurso médico foi socialmente incorporado como portador de uma verdade que coloca o ser humano e seu sofrimento como submetidos às leis da fisiologia e da biologia. Assim, percebe-se que as pessoas têm buscado, cada vez mais, soluções médicas para o que é do humano, que são as sensações, os pensamentos, as fantasias e o sofrimento. Desse modo, para a tristeza receita-se anti-depressivos, para as fobias os ansiolíticos.. Já a angústia passou a ser classificada como doença, “patologizando-se” o que é essencial ao humano, que é lidar com o que o inevitável das experiências, que demanda intenso trabalho pessoal. Quantas vezes escutamos: “perdi minha mãe e agora estou tomando anti-depressivos” em alusão ao luto das perdas que são vividas e que trazem sofrimento.

Nesse panorama, a psicoterapia passou a ser vista como mais uma especialidade: dos “problemas” emocionais. Os encaminhamentos chegam com o pedido: especialista em hiperatividade, depressão, ansiedade. Porém, a análise não pode ser exercida, nem deve ser considerada como uma (pois é exatamente como “especialidade”que ela não pode ser). A especialidade, porta um olhar que pode avaliar e julgar o que é normal e patológico. A psicanálise não trabalha neste campo.

Entretanto, é comum a quem sofre, querer se livrar rapidamente do mal-estar que o aflige. O sofrimento coloca o sujeito diante de sua condição de desamparo, ou seja, fica diante da exigência de lidar com situações que lhe são inesperadas e que, muitas vezes, podem ser “traumáticas” como morte, separação, perda de emprego. Perante estas situações, o sujeito quer ser avaliado e pergunta: “o que eu devo fazer para aliviar esta dor?”

Não cabe a psicanálise ordenar a conduta das pessoas, pois a autoridade destas é imprescindível e, assim, cada sujeito irá dizer o que o incomoda. Desse modo, a dor e o sofrimento são vividos na esfera subjetiva e biográfica. O que isso quer dizer? Para definir um estado subjetivo, é preciso que cada um fale sobre o que é significativo em sua história de vida. Esta diversidade do significado das experiências não é patologia. A reação que cada um pode ter diante dos acontecimentos é particular e, portanto, não há remédio que sirva tanto para um como para outro.


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