"Agressividade: o que fazer?"
Foto: Danielle Sandrini
A agressividade é, freqüentemente, interpretada como algo moralmente errado e que por isso, deve ser eliminada, escondida.
Entretanto, é um sentimento que faz parte do humano, estando presente em todas as pessoas (já no bebê podemos notar comportamentos agressivos como, por exemplo, quando puxam os cabelos da mãe ou mordem seu seio). Assim, a agressividade aparece em diversos relacionamentos, nos que envolvem sentimentos de amor, de rivalidade, de admiração e mesmo entre pessoas que não se conhecem.
A agressividade é fundamental para o crescimento e conquista do espaço pessoal, sinal de que não se está sendo passivo frente às imposições do social e dos outros.
É importante ressaltar que a agressividade não é sinônimo de falta de amor. Dessa forma, casais que se amam podem ter momentos de agressividade, sentir raiva, ódio e vontade de ficar longe por alguns instantes sem que isso signifique que não se gostam.
Expressões de agressividade nos relacionamentos entre pais e filhos também são bastante comuns e naturais. Quem nunca presenciou momentos em que crianças e adolescentes que, quando não são satisfeitos em suas vontades, xingam seus pais, dizem que os odeiam, que não pediram para nascer? Ou uma criança que esperneia no meio do shopping porque o pai se negou a comprar um brinquedo?
O problema não está na agressividade e sim na forma como lidamos com ela.
Num extremo, temos a banalização da agressividade, que é tratada como algo sem importância. Assim, existem pais que nada fazem quando seus filhos lhe batem ou xingam, afirmando que são crianças, que não machucam. Podemos questionar tais atitudes: como uma criança aprenderá a respeitar o outro se não é questionada em suas atitudes em casa?
Num outro extremo temos mães, por exemplo, que se sentem imensamente abaladas com uma fala agressiva do filho, levando ao pé da letra o que é dito e interpretando como falta de amor. Assim, uma fala como “vou te matar”, é escutada em sua concretude e a mãe passa a temer por sua vida e a criança, por sua vez, acaba sentindo-se muito poderosa e também apavorada com seu “poder de destruição”.
O importante é aceitarmos a agressividade como algo que faz parte do humano, mas sem que isso signifique tolerar qualquer comportamento sem colocar limites. Existem tipos de agressividade que não podemos aceitar, como é o caso de agressões físicas entre casais.
Quando a agressividade é bastante intensa e/ou muito freqüente devemos nos preocupar. Assim sendo, é natural que uma criança proteste quando lhe é recusado algo, mas se ela o faz sempre e nunca consegue aceitar um não, é sinal de que algo não vai bem e que precisa de ajuda. Da mesma maneira, um adolescente que habitualmente envolve-se em brigas também está precisando ser escutado por um profissional.
No entanto, não é só do lado do “agressor” que devemos nos inquietar. Quem é “agredido” freqüentemente, quem não consegue colocar limites ao outro, também precisa de ajuda de um psicanalista para escutar o porquê de sempre ficar nessa posição. É o caso, por exemplo, de alguém que sempre ocupa o lugar de chacota perante os colegas ou nunca consegue dizer não.
Finalmente, cabe pontuar uma outra forma de expressão da agressividade, a auto-agressividade. Encontramos na clínica crianças que, com freqüência, se mordem, que batem suas cabeças na parede, que se arranham. Estes tipos de comportamento são sintomas que podem indicar que algo mais sério pode estar acontecendo, sendo preciso a avaliação de um profissional.
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