Perguntas

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Temas abordados pela Psicanálise.

"Agressividade: o que fazer?"


Foto: Danielle Sandrini

A agressividade é, freqüentemente, interpretada como algo moralmente errado e que por isso, deve ser eliminada, escondida.

Entretanto, é um sentimento que faz parte do humano, estando presente em todas as pessoas (já no bebê podemos notar comportamentos agressivos como, por exemplo, quando puxam os cabelos da mãe ou mordem seu seio). Assim, a agressividade aparece em diversos relacionamentos, nos que envolvem sentimentos de amor, de rivalidade, de admiração e mesmo entre pessoas que não se conhecem.

A agressividade é fundamental para o crescimento e conquista do espaço pessoal, sinal de que não se está sendo passivo frente às imposições do social e dos outros.

É importante ressaltar que a agressividade não é sinônimo de falta de amor. Dessa forma, casais que se amam podem ter momentos de agressividade, sentir raiva, ódio e vontade de ficar longe por alguns instantes sem que isso signifique que não se gostam.

Expressões de agressividade nos relacionamentos entre pais e filhos também são bastante comuns e naturais. Quem nunca presenciou momentos em que crianças e adolescentes que, quando não são satisfeitos em suas vontades, xingam seus pais, dizem que os odeiam, que não pediram para nascer? Ou uma criança que esperneia no meio do shopping porque o pai se negou a comprar um brinquedo?

O problema não está na agressividade e sim na forma como lidamos com ela.

Num extremo, temos a banalização da agressividade, que é tratada como algo sem importância. Assim, existem pais que nada fazem quando seus filhos lhe batem ou xingam, afirmando que são crianças, que não machucam. Podemos questionar tais atitudes: como uma criança aprenderá a respeitar o outro se não é questionada em suas atitudes em casa?

Num outro extremo temos mães, por exemplo, que se sentem imensamente abaladas com uma fala agressiva do filho, levando ao pé da letra o que é dito e interpretando como falta de amor. Assim, uma fala como “vou te matar”, é escutada em sua concretude e a mãe passa a temer por sua vida e a criança, por sua vez, acaba sentindo-se muito poderosa e também apavorada com seu “poder de destruição”.

O importante é aceitarmos a agressividade como algo que faz parte do humano, mas sem que isso signifique tolerar qualquer comportamento sem colocar limites. Existem tipos de agressividade que não podemos aceitar, como é o caso de agressões físicas entre casais.

Quando a agressividade é bastante intensa e/ou muito freqüente devemos nos preocupar. Assim sendo, é natural que uma criança proteste quando lhe é recusado algo, mas se ela o faz sempre e nunca consegue aceitar um não, é sinal de que algo não vai bem e que precisa de ajuda. Da mesma maneira, um adolescente que habitualmente envolve-se em brigas também está precisando ser escutado por um profissional.

No entanto, não é só do lado do “agressor” que devemos nos inquietar. Quem é “agredido” freqüentemente, quem não consegue colocar limites ao outro, também precisa de ajuda de um psicanalista para escutar o porquê de sempre ficar nessa posição. É o caso, por exemplo, de alguém que sempre ocupa o lugar de chacota perante os colegas ou nunca consegue dizer não.

Finalmente, cabe pontuar uma outra forma de expressão da agressividade, a auto-agressividade. Encontramos na clínica crianças que, com freqüência, se mordem, que batem suas cabeças na parede, que se arranham. Estes tipos de comportamento são sintomas que podem indicar que algo mais sério pode estar acontecendo, sendo preciso a avaliação de um profissional.


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"Como saber se estou com ansiedade?"


A ansiedade é uma sensação que pode ser descrita como preocupação excessiva e desproporcional à situação enfrentada. Gera bastante mal-estar, sente-se a respiração acelerada, náuseas, tonturas, taquicardia, irritação, agitação, tensão que têm magnitudes diferentes em cada sujeito.

É difícil conseguir discriminar e descrever o que se sente, muitas vezes parece ser inominável, não há um pensamento claro que defina a sensação de desconforto no corpo. A pessoa tem crítica sobre a própria reação, dizendo “eu sei que é exagerado, mas não consigo controlar...”. Esse estado distorce momentaneamente a auto-percepção, ocorrendo a hipervalorização de sensações desagradáveis. A pessoa que está ansiosa se antecipa e tenta prever um desfecho diante de situações que ainda nem aconteceram.

Em geral, se intensifica em momentos de vida quando a pessoa busca solucionar alguma dificuldade. Seja numa mudança de trabalho, no casamento, diante de perdas de figuras ou de referenciais importantes . Porém, a ansiedade não está restrita as situações de crise, alguns se sentem ansiosos a maior parte do tempo, inclusive em ocasiões “favoráveis” como promoção no trabalho.

Se a ansiedade nem sempre surge diante de uma situação da realidade, por que se ela se manifesta?

A ansiedade resulta da invasão de sensações no corpo devido a um excesso de tensões originado dos próprios conflitos do indivíduo. Nessa condição ocorre a percepção de que há uma situação perigosa, decorrente de fantasias inconscientes de diferentes conteúdos, que encontra correspondência
a algum aspecto da situação vivenciada. Os conteúdos podem se referir à punição, castigo, perda de amor, abandono e, em alguns casos, as fantasias podem ser muito cruéis, como o enlouquecimento, perda de controle de si ou temor de ser morto consequente a alguma montagem inconsciente.

Cabe à psicanálise, oferecer a possibilidade do sintoma ser escutado e analisado, pois a resposta exacerbada ao que acontece sinaliza algum conflito que não encontra soluções que sejam favoráveis ao sujeito e que, portanto, geram sofrimento.


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"filho estranho"

"Meu filho é estranho. Devo me preocupar?" (Mãe de um menino de 12 anos).

Quando devemos procurar ajuda ao filho? "Tenho um menino de 12 anos e estou preocupada. Desde os três anos percebia que, ao invés de falar, ele se descontrolava e gritava sem parar. Às vezes, falava com ele, mas não me ouvia, continuava gritando. Hoje ele está maior, não tem amigos, só quer ficar em casa assistindo televisão. Seu quarto fica sempre fechado, não abre nem a janela e fica horas na frente do computador. Tenho receio de contrariá-lo".

A pergunta a respeito de quando buscar ajuda é algo muito frequente na clínica. Nota-se que muitos sinais já estão presentes há muito tempo quando se decide buscar alguma . Como psicanalista posso afirmar que os sinais exagerados de descontrole, agressividade, rejeição, sensibilidade, carência, insegurança, isolamento, tristeza, podem ser trabalhados desde cedo. O pedido de atendimento surge na maioria das vezes por meio de encaminhamentos realizados por escolas e outros profissionais de saúde, porém isso não é necessário. Diante da percepção de que algo não vai bem, mesmo que seja algo repentino e não instalado, os pais podem buscar ajuda.

O excesso de sofrimento, a repetição de comportamentos, sentimentos muito persistentes como tristeza, raiva, podem revelar conflitos. É importante lembrar que o sofrimento nem sempre está ligado a um “trauma”, ou seja, nem sempre houve algum acontecimento violento, agressivo. Pode ser que os conflitos estejam relacionados a pensamentos, fantasias e desejos inconscientes para a pessoa. Mesmo sentimentos de poder, euforia, agitação e ânimo exacerbados revelam questões psiquicas.
No exemplo acima, a dificuldade e a preocupação existem há alguns anos, esta mãe percebia que a intensidade do que o filho vivia era algo que já chamava sua atenção.

Algumas questões precisam ser feitas diante do "estranhamento": o que leva a criança a se comportar assim? Qual a função disso? Qual a consequência?

A espera em procurar ajuda, adia a possibilidade de se trabalhar o que leva a pessoa a sofrer. Desse modo, diante de dificuldades na compreensão do que acontece é preciso que se legitime o sofrimento e um profissional seja procurado.


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"filho autoritário"

Na sociedade atual notamos o intenso questionamento dos valores e da moral em questão nas relações sociais. Nunca o homem obteve tanto acesso as informações colocando-o a par de realidades jamais imaginadas expondo a possibilidade do homem de conquistar e extrapolar seus limites – “self made man” . O homem narcísico tornou-se um modelo a ser seguido e seu poder uma qualidade almejada.

Nesse contexto, os laços estão sendo permeados pelo incentivo da agressividade, a bondade passou a ser confundida com inocência e a solidariedade está sendo, cada vez mais, substituída pela competitividade – “ter ou ser mais que o outro”.

As crianças percebem o que está a sua volta, o filho “autoritário” é um assunto bastante freqüente no discurso dos pais, ora como queixa, ora como motivo de orgulho. Certa vez, o pai de uma criança mencionou: “meu filho apanha na escola das crianças mais espertas, se ele não souber se defender, batendo, será tratado como bobo... O irmão dele não é assim, é esperto, ele não deixa os outros se aproveitarem dele, faz o que ele quer. Quando quer alguma coisa ele sabe se impor”.

Ser “bobo” parecia se referir à criança que não tem o ímpeto de agredir, e “esperto” é aquele que tira vantagem – autoritário?

Essa colocação nos possibilita a reflexão sobre o lugar do “ser bobo”. A queixa do pai se dirigia a criança que buscava conversar para resolver suas dificuldades e seu irmão, por outro lado, agredia os demais para impor suas vontades, mas era uma figura qualificada neste discurso.

A questão trazida neste caso pode ser bastante reveladora, o filho “autoritário” pode assumir o estatuto de valor ou de queixa, mas sem dúvida sinaliza o crescente conflito para as crianças e seus pais diante das convocações e provocações do meio social, afinal o que ser: “bobo ou esperto”?


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"birra: sofrimento?'

A criança em seu longo processo de aquisição de independência e de autonomia, muitas vezes, sente-se insegura e com medo diante dos constantes desafios que lhe são colocados. A cada fase de sua vida há obstáculos a serem superados, por exemplo, precisa andar, falar, dormir e comer sozinha. Diante do novo há também um grande conflito: ela quer crescer, mas tem necessidade de que alguém cuide dela.

As crises de birra podem ser manifestações da ambivalência de seus pais que também querem que ela cresça, mas sentem falta de sua dependência, já que assim se sentem imprescindíveis e importantes. Na presença deste conflito, algumas crianças ficam angustiadas, pois ficam sem saber o que fazer diante da mensagem de seus pais.

Não há uma única saída para as situações de birra. Mas a reflexão é importante. Se os pais acabam dando muita atenção para a criança, isso pode se tornar um ganho, pois assim acaba se sentindo olhada. Se a ignoram , a expressão das necessidades da criança acaba não encontrando espaço. O importante nestas situações, mesmo com o “calor” das emoções, é a escuta naquele momento. Agora, se a criança estiver se excedendo, por exemplo, se jogando no chão, se machucando ou desrespeitando em demasia, os pais podem interditá-la, tomando o cuidado para não humilhá-la, nem agredi-la, pois estas atitudes não a ajudará a resolver esta situação.

A busca por culpados nem sempre é frutífera. A relação dos pais com os filhos, embora em graus diferentes de responsabilidade, envolvem ambas as partes. Afinal, não é toda criança que faz birra, mesmo que os pais cometam seus enganos. As crianças são muito sensíveis na percepção dos conflitos de seus pais e acabam reagindo através de comportamentos chamativos.

Os pais devem prestar atenção nas atitudes que tem com a criança. Na maioria das vezes, posturas incoerentes e contraditórias transmitem uma mensagem dupla. Para a criança não fica claro se ela pode insistir ou não em seus pedidos. Muitos pais diante da teimosia da criança em obter algo, acabam cedendo. Com isso, a criança acredita que com a birra ela conseguirá o que quer. Quando os pais não têm clareza em seus posicionamentos, ficam confusos e inseguros em suas decisões.

Embora as birras pareçam semelhantes. O esforço em diferenciá-las em cada momento específico é bastante válido. Pode ser uma manifestação de raiva, de frustração, de tristeza, de vontade de ter poder ou de controlar, pode ser necessidade de afeto e assim por diante. Se os pais tiverem uma noção mais clara, poderão intervir de um modo mais preciso. De modo geral, o acolhimento das emoções e a interdição dos exageros são necessários.

Pode acontecer, se a birra for excessiva, de outras crianças se afastarem. No processo de construção das relações com outras crianças, aquela que não suporta as frustrações e que não compartilha brinquedos e brincadeiras pode ser afastada pelo grupo. O grupo nem sempre aceita as crianças autoritárias.

Toda imposição quando colocada sem espaço para a expressão e escuta pode ser violenta. O que isso quer dizer? Ser firme não quer dizer necessariamente ser autoritário. O principal é a coerência, a clareza e o suporte aos entimentos expressos pela criança.

Diante do descontrole, pode ser que algo não esteja bem com ela, vale a pena lhe perguntar sobre o que está acontecendo. Mas isso não quer dizer que os pais tenham que aceitar tudo e sim expressar seus próprios limites, sem precisar agredir e retaliar a criança por ter sentimentos que não consegue controlar, pois é imatura e porque os mesmos lhe são inconscientes.


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"Mutismo eletivo"


O mutismo eletivo costuma surgir na infância e caracteriza-se pela impossibilidade de falar com algumas pessoas, em geral, em ambientes não familiares (como a escola e no contato com estranhos).

As crianças e adolescentes que apresentam este comportamento não possuem uma incapacidade constitucional que os impessam de falar, já que em algumas situações demonstram muita competência para falar e boa capacidade de compreensão da linguagem.

Dessa forma, notamos que a criança fala fluentemente em algumas situações e em outras fica totalmente muda. Diante de seu mutismo a criança pode reagir com ansiedade ou com uma aparente indiferença.

Questões ambientais e emocionais costumam ter um papel etiológico importante. Crianças mais tímidas, retraídas e ansiosas tem maior propensão para desenvolver este sintoma, mas isto não é uma regra.

Em alguns casos a família acaba poupando a criança de sua dificuldade, a ajudando a evitar se deparar com estranhos ou agindo como “tradutor” de modo que a criança não precisa falar para conseguir o que quer. Esta atitude, embora bem intencionada, acaba intensificando o sintoma, uma vez que mantém a criança num ambiente superprotetor que não exige que ela se desenvolva.

Quando esta situação se mantém por muito tempo, leva a sérios prejuízos sociais e emocionais que irão atrapalhar o desenvolvimento da criança.

É importante que os pais possam procurar tratamento psicanalítico para seu filho. Um psicanalista irá ajudar a criança a superar este sintoma, utilizando-se de técnicas lúdicas, de conversas e de atendimentos com os pais. A necessidade de uso de medicação é rara nesses casos.

Cada criança carrega um motivo único que a leva a apresentar determinado comportamento. Um psicanalista poderá escutar esta singularidade, ajudando na escuta de conflitos e questões inconscientes.


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"Transtorno de personalidade borderline"


O Transtorno de Personalidade Borderline é um termo utilizado na psiquiatria que se refere a comportamentos persistentes que afetam o modo do indivíduo de se relacionar com ele mesmo e com outros. Tais comportamentos estão associados a um grau elevado de angústia e impedem um bom desempenho social.

Na classificação da Organização Mundial de Saúde (CID.10) as descrições clínicas deste transtorno englobam: indiferença aos sentimentos de outros, desrespeito às normas sociais, dificuldade de manter relacionamentos, baixa tolerância à frustração, tendência a responsabilizar os outros por suas atitudes, tendência a agir de modo impulsivo, instabilidade afetiva, acessos de raiva intensa, intolerância à solidão e podem estar presentes constantes ameaças de suicídio ou atos de auto agressividade. Este diagnóstico não é feito na infância e adolescência.

As causas destes transtorno são muitas, normalmente envolvem questões da história de vida da pessoa, envolvendo conflitos familiares importantes.

Nem todos os psicanalistas trabalham com este diagnóstico, já que preferem fazer uma leitura que ultrapassa a visão fenomenológica destes comportamentos e que considera como mais relevantes as questões inconscientes e a posição que o indivíduo assume diante de sua vida.

Apesar destas pessoas, frequentemente, despertarem raiva em quem se relaciona com elas, é importante levar em consideração que por trás da agressividade e de comportamentos impulsivos há um grande sofrimento que precisa ser escutado.

Algumas atitudes podem ser manipuladoras, mas isto não significa que são conscientes e propositais. Muitas vezes, a pessoa percebe que tenta manipular os outros, mas não sabe o porquê de agir assim insistentemente.

Oferecer um espaço analítico para que a pessoa possa falar de sua história e poder escutar as questões inconscientes que a levam a ser tão intolerante às frustrações e a agir de modo impulsivo pode ser de grande ajuda.

Muitas vezes a resistência para procurar um psicanalista deve-se ao temor de ser visto como “louco” e à insistência em culpabilizar os outros pelo que acontece em sua vida. É importante ultrapassar estes preconceitos. Fazer análise é um processo difícil, mas que se enfrentado possibilita ao sujeito se posicionar diante de suas questões e desejos de modo mais tranqüilo e sem tanto sofrimento.


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"Meu filho não consegue dormir sozinho"


As crianças precisam de cuidados constantes dos adultos. Quando pequenas, necessitam de muita proteção, pois elas ainda não tem maturidade para se virarem sozinhas em diversas situações. No entanto, conforme crescem vão adquirindo, gradualmente, autonomia no que se refere à realização de diversas atividades como se alimentar, tomar banho, se vestir, brincar, ir ao banheiro.

O desenvolvimento desta autonomia nem sempre acontece espontaneamente por parte da criança. Muitas vezes, elas se sentem inseguras para arriscarem fazer alguma coisa sem a presença dos pais ou resistem a se tornarem um pouco independentes porque sentem que podem perder a atenção e o carinho dos adultos.

É importante que os responsáveis estimulem e encorajem seus filhos a crescerem mostrando a eles que são capazes e que crescer implica em muitos ganhos.

É neste contexto que entra a questão de deixar a criança dormir sozinha. Desde os primeiros meses de vida o bebê já tem condições de ficar sozinho em seu berço na hora de dormir. Lógico que este não é um processo simples, no início os pais terão mais trabalho, já que a criança ainda não tem um ritimo de sono estabelecido e tende a exigir a presença do adulto, a chorar querendo colo e atenção. É importante que os pais possam tranquilizar o bebê, colocá-lo no colo, conversar com ele e acalmá-lo. Mas terão também que ser firmes, deixar ele chorar um pouco até que entenda que o choro não vai “convencer” os pais a tirá-la do berço toda hora.

A situação se complica nas crianças maiores que nunca conseguiram dormir sozinhas, porque tem medo e porque os pais não souberam lidar com a situação. Nestes casos o processo de acostumá-las a sair da cama ou do quarto dos pais é mais demorado e exige mais persistência. Os adultos precisam conversar seriamente com o filho, explicar várias vezes que cada um tem seu quarto, sua cama e que dormir sozinho pode ser legal, ter sua caminha e um espaço só dele pode ser divertido.

A criança que consegue dormir só tende a se sentir mais segura, capaz de enfrentar as situações adversas da vida. Além disso, aprende que as crianças são diferentes dos adultos, que precisam obedecer as regras colocadas por eles e que não podem fazer tudo o que querem.

Muitas vezes, existem questões emocionais complexas, tanto dos pais quanto da criança, que impedem a conquista desta autonomia. Quando, após algumas tentativas, não se consegue fazer o filho dormir sozinho vale a pena consultar um psicanalista para que possa ser feita uma leitura da situação, de modo a trabalhar as questões inconscientes que sustentam este comportamento.


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"Quando o amor deixa a desejar"


Quando os filhos entram na adolescência escutamos dos pais: não entendo mais meu filho, ele reclama de tudo.., nós não paramos de brigar....e tudo o que fiz foi com tanto amor....

A compreensão dos pais para os arroubos agressivos do filho adolescente refere-se a falta de amor. Nas explosões de agressividade os filhos dizem: Eu te odeio. E os pais, feridos, sentem-se mal, muito mal. Seriam os adolescentes maus?

Outra explicação dada pelo imaginário social para os descaminhos do adolescente é a falta de amor. Pais inescrupulosos e desligados não ofereceriam o amor devido aos filhos gerando adolescentes rebeldes, abandonados.

Para que um sujeito se constitua, ele precisa necessariamente ser cuidado e investido pelos seus Outros primordiais. Tal investimento se inicia antes mesmo do bebê nascer, a partir do lugar que um bebê ocupa dentro das fantasias e desejos da futura mãe e do futuro pai.

O bebê nasce e é investido amorosamente pelos pais. Ao imprimir a linguagem nos primeiros cuidados, ao imprimir temporalidade no corpo do bebê, ao supor que ali há um sujeito mesmo que o bebê ainda não fale, há investimento libidinal, amoroso. O bebê anda e cai. Nos primeiros passos, ainda sem conseguir um controle motor adequado, ele cai ao chão e olha a mãe, antes mesmo de chorar. A mãe diz um AI, DOEU!. Ela nomeia a dor do bebê, ela olha o bebê com um olhar apreensivo e sofrido e a criança cai em choro. Mesmo sem sentir a dor da queda ela encena essa dor e mesmo que a dor da criança já tenha passado ela chora ao ver o olhar sofrido da mãe. As melecas, os arrotos, o xixi e o coco são carinhosamente investidos pela mãe. Basta escutar uma conversa de duas mães para notarmos o quanto o xixi e o cocô são temáticas constantes.

O corpo e os produtos do filhos são investidos amorosamente pelas mãe. Diferentemente dos animais, o bebê humano depende desse algo a mais, que ultrapassa a satisfação das necessidades vitais. Um filhote de ovelha precisa ser nutrido pela mãe ovelha até que ele já consiga sobreviver nos pastos sozinho. O Bebê humano precisa do investimento amoroso, precisa ser inserido neste mais além da satisfação da necessidade, precisa ser dito pelo Outro que o supõe como um sujeito do desejo.

Porém, o agente materno não está lá o tempo todo. A mãe sai e volta. Ela alterna presença e ausência pois que seu bebê, apesar de ser altamente investido por ela não é unicamente seu objeto de amor.

É a partir desta alternância que o bebê supõe que a mãe possui outros investimentos, outros objetos de amor. O pai. Se a mãe não responde o tempo todo aos apelos do bebê, quando ela se ausenta, há a inscrição da falta. Não sou tudo para ela. Ela não me ama exclusivamente. O amor deixa a desejar. Se não há alternância, se a mãe não deixa faltar não há a pergunta sobre o desejo.
Há uma estrita relação da falta com o desejo. Desejo que nos move para a busca, por uma busca que não cessa. Movimento do humano em direção aos objetos. Se o amor não deixar a desejar a busca fica impedida.

Os pais dos adolescentes entram em contato com esta questão: que o amor dispendido aos filhos deixou a desejar. Não os completou. Se a busca dos humanos é por um amor que complete, que não deixa falta, para nos constituirmos precisamos de um amor que deixou a desejar.


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"em tempo de aprender"


As dificuldades apresentadas pelas crianças fazem parte do caminho da aprendizagem. Entretanto, nota-se uma alta vigilância por parte dos pais e da escola que buscam cada vez mais profissionais que classifiquem estas dificuldades como patologias, para que se sintam assegurados de que a causa é uma doença. A resultante disso é o aumento das disfunções neste campo. O prefixo dis reafirma a teoria funcional, faz referência àquele que não “funciona” de acordo com o estabelecido por uma norma. As dificuldades então chamadas de doenças entram no conjunto de definições: dislexia, disfasia, disgrafia e assim por diante.

Definindo-as como patologias, o significado do aprendizado vem impregnado de um conceito valorativo. A falha e o déficit passam a ter valor explicativo cujas causas podem ser dirigidas para o neurológico, psicológico, orgânico. É uma forma de responder a demanda crescente por um especialista que ofereça a promessa de alcançar o ideal de criança que se vê incumbida de se tornar um pequeno executivo, capaz de lidar, sem passar pelo processo, com as exigências de um mundo que supervaloriza as informações prontas.

Quando a escola encaminha percebe-se que, de modo implícito, há o pedido de diagnóstico, classificação e, também de tratamento. Essa dinâmica circunscreve o processo de aprendizagem como um problema a ser tratado a todo custo, nem que seja pelo atropelamento do processo de construção do pensamento, raciocínio lógico e abstrato.

Tudo isso não acontece sem maiores conseqüências. Os resultados numéricos e a rotulação promovem a circulação de dados que coloca a criança na rede do discurso “diagnóstico”. A criança avaliada é vista como objeto da privação de competências.

A lógica da disfunção coloca a aprendizagem como se o desenvolvimento ocorresse independente do meio e das relações que ocorrem entre a criança, a família e a escola.
Se estas dificuldades se tornam doenças, é preciso dominá-las e saber agir.

É diante desta urgência e pressa que o profissional se vê convocado a responder, mas o psicanalista não poderá operar jamais fora do tempo do sujeito, sem que haja como prejuízo o próprio sujeito.


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"Procrastinação: o eterno adiar..."


O termo procrastinação refere-se ao adiamento de uma ação, conhecido popularmente por “empurrar com a barriga”.

A pessoa não consegue realizar seus compromissos dentro dos prazos estabelecidos e sente-se muito culpada por isso. A tarefa adiada permanece presente nos pensamentos, cobrando incessantemente sua realização. É comum uma sensação de fracasso, preguiça constante, derrota, incapacidade e impotência.

Nem sempre a dificuldade em executar algo está relacionada à dificuldade da ação. Muitas vezes, a pessoa sabe o que fazer para concluir, mas por questões inconscientes adia, vai deixando para amanhã, e depois de amanhã...

A procrastinação é um sintoma que faz uma oposição direta à nossa sociedade imediatista, que prima pela eficiência, competitividade entre os indivíduos e pelo aproveitamento máximo de cada segundo do dia. Neste sentido, a pessoa que adia sempre suas tarefas e que age como se o tempo passasse lentamente faz um questionamento, mesmo que inconsciente, a respeito dos valores transmitidos na contemporaneidade. É como se por trás deste eterno adiamento estivesse uma pergunta legítima, que poucos fazem: “Pra que correr tanto? Você sabe o que realmente quer?”.

Embora este comportamento possa trazer questionamentos importantes, ele também traz muito sofrimento, já que a pessoa cai num extremo, se deparando sempre com a não realização das coisas, inclusive, de seus próprios desejos: “Se tenho que fazer tudo, não faço nada”.

A procrastinação também pode aparecer como uma defesa, uma forma de evitar conflitos, de se manter numa posição infantil que convoca sempre o aparecimento de um outro autoritário que diz o que fazer.

Encontramos na internet e em livros diversas dicas práticas de como superar este sintoma. Estas tentativas podem ser válidas, mas é importante sempre tratar os motivos inconscientes que sustentam este comportamento. Como sabemos, um sintoma pode se deslocar para outro sintoma se não for escutado o que o está por trás dele.


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As três fontes de sofrimento: mal estar na civilização.


Semana passada passamos por algo que já nos é conhecido: caos, chuva, transito, alagamento. Nos noticiários, pessoas relatando o sofrimento por terem perdido bens absolutamente preciosos. Frequentemente sentimo-nos assolados pela força da natureza e pela impotência que sentimos diante desta força.

Em 1929, Freud escreveu um texto brilhante intitulado “Mal estar na Civilização”. A atualidade deste texto é indiscutível. Neste trabalho o autor propõe a reflexão das dificuldades vividas pelo humano em viver em sociedade. Para Freud, é necessário haver uma renuncia da agressividade e da vida pulsional do sujeito para que se possa viver na sociedade. Tal agressividade, constitutiva e necessária ao humano deve encontrar outras formas de escoamento e transformação, implicando num trabalho psíquico constante do sujeito.

Neste mesmo trabalho, o autor destaca três grandes fontes de sofrimento do humano: o corpo, fadado ao fracasso, o mal estar inerente ás relações sociais e a impotência diante da força da natureza. No dia-a-dia não nos damos conta do trabalho psíquico ao qual estamos submetidos para viver na sociadade. Trabalhar, amar, se relacionar e se apropriar do corpo são tarefas que nem sempre são bem sucedidas. Apesar da sociedade nos oferecer proteção e continência para tocarmos o nosso dia –a-dia faz-se necessário manejar e trabalhar com a insuficiência do projeto amoroso, da competição com o nosso próximo e com o fato de que as relações não se servem apenas do amor para se constituir. Driblar o fato de que somos seres humanos dotados de agressividade, incoerências e caos pulsional é o projeto não dito de nossa sociedade que prega, através dos prozacs e ritalinas, a saída para o mal estar do humano.

Tal projeto, longe de ser eficiente, apenas protela o surgimento do mal estar fazendo-o surgir através de outros meios. Um deles é o próprio corpo. Não é sem razão que assistimos jovens anoréxicas brincando com a morte. Não é sem razão tampouco que assistimos crianças extremamente medicadas com a possibilidade de seu dizer silenciada. São inúmeras as tentativas de nossa atualidade de debelar o impossível, aquilo que não tem representação.

A força da natureza está aí para nos dizer que não controlamos tudo, que algo pode insistir sem que possamos nos assenhorar de alguns acontecimentos. Será que a melhor maneira de nos confrontarmos com isso é não contar com o impossível, supondo que o bem estar deve reinar sempre? Recomendo a todos a leitura deste belo texto.


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"Relacionamento virtual - online?"


O mundo cibernético mudou a percepção do homem com relação ao tempo e espaço, onde distâncias geográficas e econômicas não constituem barreiras intransponíveis à comunicação. A internet tem se tornado, cada vez mais, um veículo auxiliar entre as pessoas que freqüentam as salas de bate-papo, escrevem e-mails, procuram informações, sendo um grande facilitador na otimização destas comunicações.

O alcance deste meio vem ocupando também novos espaços como o do trabalho e do ensino. Outro dia um profissional mencionou: “ eu trabalho em casa e não preciso ir a nenhum local para isso. Questionado sobre sua opinião, ele retrucou: “só que agora eu não conheço quase ninguém pessoalmente. As reuniões se dão por vídeo conferência, veja só”, disse isso num misto de surpresa e decepção.

Vemos também páginas em que as pessoas escrevem o que fizeram, divulgam os grandes feitos, realizações. Para quem? Para que? Pergunto eu. Pode-se notar um grande cultivo das imagens através da qual cada um quer ser visto.

O risco da exarcebação deste instrumento pode trazer a ilusão de que se conhece muitas pessoas devido ao grande número de participantes da rede virtual. O que ocorre é que a internet tem favorecido os diálogos breves, a comunicação se tornou mais objetiva, inibindo, de certa forma, o desenvolvimento de habilidades sociais baseadas em interações mais pessoais dadas pelos diálogos e pelas reflexões que acontecem nas trocas, quando diferenças podem ser negociadas. Mesmo que isso ocorra com algumas pessoas a internet é somente mais um recurso, devemos nos lembrar que o virtual não se opõe ao real. A internet não substitui outras formas de interação e pode, sim, complementá-las.

As pessoas precisam se preocupar, quando a internet deixa de ocupar o lugar de complemento e passa a ser a única forma pela qual se relacionam. Neste caso é preciso pedir auxílio.


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"Tem remédio?"


Na clínica o analista é constantemente colocado diante desta questão: tem remédio? O que fazer diante daquilo que não tem remédio?

O discurso médico foi socialmente incorporado como portador de uma verdade que coloca o ser humano e seu sofrimento como submetidos às leis da fisiologia e da biologia. Assim, percebe-se que as pessoas têm buscado, cada vez mais, soluções médicas para o que é do humano, que são as sensações, os pensamentos, as fantasias e o sofrimento. Desse modo, para a tristeza receita-se anti-depressivos, para as fobias os ansiolíticos.. Já a angústia passou a ser classificada como doença, “patologizando-se” o que é essencial ao humano, que é lidar com o que o inevitável das experiências, que demanda intenso trabalho pessoal. Quantas vezes escutamos: “perdi minha mãe e agora estou tomando anti-depressivos” em alusão ao luto das perdas que são vividas e que trazem sofrimento.

Nesse panorama, a psicoterapia passou a ser vista como mais uma especialidade: dos “problemas” emocionais. Os encaminhamentos chegam com o pedido: especialista em hiperatividade, depressão, ansiedade. Porém, a análise não pode ser exercida, nem deve ser considerada como uma (pois é exatamente como “especialidade”que ela não pode ser). A especialidade, porta um olhar que pode avaliar e julgar o que é normal e patológico. A psicanálise não trabalha neste campo.

Entretanto, é comum a quem sofre, querer se livrar rapidamente do mal-estar que o aflige. O sofrimento coloca o sujeito diante de sua condição de desamparo, ou seja, fica diante da exigência de lidar com situações que lhe são inesperadas e que, muitas vezes, podem ser “traumáticas” como morte, separação, perda de emprego. Perante estas situações, o sujeito quer ser avaliado e pergunta: “o que eu devo fazer para aliviar esta dor?”

Não cabe a psicanálise ordenar a conduta das pessoas, pois a autoridade destas é imprescindível, pois cada sujeito irá dizer o que o incomoda. Desse modo, a dor e o sofrimento são vividos na esfera subjetiva e biográfica. O que isso quer dizer? Para definir um estado subjetivo, é preciso que cada um fale sobre o que é significativo em sua história de vida. Esta diversidade do significado das experiências não é patologia. A reação que cada um pode ter diante dos acontecimentos é particular e, portanto, não há remédio que sirva tanto para um como para outro.


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"Adoção: uma solução ou um problema?"


A adoção de uma criança é uma questão muito delicada, que merece bastante atenção. Quando realizada de forma madura, refletida e analisada, costuma trazer muita alegria para as famílias. Inúmeros pais adotivos relatam sentir-se realizados em suas funções maternas e paternas e seus filhos apresentam um desenvolvimento saudável. Nesses casos não observamos diferenças significativas no laço afetivo entre pais e filhos adotados com relação às crianças criadas por suas famílias biológicas, ficando evidente a importância da convivência, dos cuidados, do ambiente familiar e da educação no estabelecimento de um vínculo emocional.

No entanto, é freqüente encontrarmos na clínica crianças adotadas que acabam apresentando sintomas psíquicos importantes que parecem ligados às questões inconscientes dos pais, a conflitos que não foram resolvidos antes da adoção. Muitas vezes, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, os sintomas destas crianças pouco tem a ver com a genética ou com o que elas passaram no ventre materno.

Não estamos desconsiderando a importância de fatores hereditários e da influência no feto de uma gestação não desejada, pouco cuidada e turbulenta. Mas o fato é que a criança quando nasce ainda não tem uma personalidade formada, um psiquismo desenvolvido. A estrutura da personalidade irá se formar conforme ela cresce, sendo extremamente influenciada pelo ambiente e pelas relações afetivas estabelecidas após seu nascimento.

A seguir salientamos alguns aspectos importantes para serem cuidados antes de se realizar uma adoção.

Uma das primeiras coisas a se fazer é poder refletir a respeito do que está motivando a tomar esta atitude. Inúmeros são os motivos, conscientes e inconscientes, que envolvem uma adoção.

Alguns casais resolvem partir para a adoção após inúmeras tentativas fracassadas de engravidar ou quando recebem o diagnóstico de infertilidade de um dos parceiros. Nesses casos é importante que o casal passe antes por um processo de luto do sonho de gerar seu próprio filho, de forma que a infertilidade não seja uma ferida narcísica que nunca se cicatriza e que criança adotiva não se veja, inconscientemente, na obrigação de resolver completamente esta dor. Passar por um momento de revolta, se sentir inferior a outros casais são sentimentos naturais que, aos poucos, precisam ser elaborados. Quando existem dificuldades com relação a este processo de luto, é importante que o casal, ou um dos parceiros, procure ajuda de um psicólogo.

A adoção também pode ser motivada pelo crescimento dos filhos biológicos, que, muitas vezes, passam a ficar mais distantes fisicamente. O casal, diante do sentimento de vazio, decide adotar uma criança para não se sentir só, para poder voltar a se sentir útil, para ter alguém para cuidar. Este pode ser um motivo legítimo para uma adoção, mas é importante que os pais possam saber que a adoção não resolve todas as angústias e questionamentos com relação à vida, já que existem questões que ultrapassam o sentimento de ser pai e/ou mãe (como, por exemplo, as relativas à sexualidade de cada um). Vale a pena o casal refletir sobre como anda sua relação e ideais de vida.

Ideais sociais também costumam estar entre os motivadores de uma adoção. Existem pessoas que, tendo ou não filhos biológicos, decidem adotar porque pensam em fazer um bem para a sociedade e para uma criança carente. Este motivo é importante, mas não deve ser o único, pois a adoção precisa ser motivada por outras questões, que devem envolver a história do casal e individual de cada parceiro.

Cabe dizer que embora a adoção possa trazer peculiaridades a uma história, é preciso ficar atento para não patologizar comportamentos que são normais. As manifestações de agressividade, por exemplo, são comuns em todas as crianças e é normal e saudável que possam existir conflitos entre pais e filhos. Estes comportamentos não devem ser interpretados como “ingratidão” da criança. É importante ficar atento para que não se desenvolva, inconscientemente, uma auto-exigência muito grande, tanto do lado da criança como dos pais, em que ambos acreditam que precisam ser perfeitos para que o amor esteja garantido.


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"Ranger os dentes"


Ranger os dentes ou bruxismo é um sintoma que pode aparecer em qualquer idade e que consiste no hábito de ranger e trincar os dentes. É comum que a pessoa não tenha percepção deste comportamento já que ele costuma acontecer durante o sono, enquanto se está inconsciente. Às vezes, quem constata o bruxismo são as pessoas que estão próximas, pois costumam escutar o barulho dos dentes raspando.

As causas estão relacionadas a questões emocionais que, muitas vezes, são inconscientes. Em situações de estresse e mudanças o sintoma costuma se agravar significativamente.

O bruxismo pode ser um sintoma transitório, que dura apenas algumas semanas e que tende a desaparecer espontaneamente quando a situação conflitiva se resolve. É o caso de crianças pequenas que rangem os dentes nas primeiras semanas da entrada na escola ou logo após o nascimento de um irmão.

No entanto, quando o ranger dos dentes persiste por mais tempo, é sinal de que algo não vai bem com a pessoa. Neste caso é importante procurar um psicólogo para que seja investigado o que pode estar por detrás deste sintoma. A presença de outras alterações no comportamento também salientam a importância de um tratamento psicológico (como insônia, ansiedade intensa, enurese).

Quando o bruxismo é intenso recomenda-se, além de uma psicoterapia, a procura de um dentista para que possa indicar algum método que impeça o desgaste do dente e o aparecimento de problemas de articulação.


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A epidemia da Hiperatividade


É possível observar que a clínica da infância é caracterizada, hoje em dia, por um excesso de saber. Inúmeras pesquisas vêm sendo realizadas com o objetivo de nomear aquilo que causa sofrimento à criança. Um exemplo paradigmático é o TDAH ( Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). Este termo diagnóstico circula em diversas fontes: na internet, em revistas, na televisão.

Algumas pesquisas fornecem dados significativos. Segundo Rose1, houve um aumento na prescrição de Ritalina ( medicamento amplamente usado para o tratamento de TDAH) de 600% nos Estados Unidos. O Brasil é um dos paises que mais prescreve anfetaminas para as crianças.

Esses dados são observados cotidianamente na clínica. As crianças, diagnosticadas pelos próprios pais ou por professores chegam ao consultório dizendo que possuem o transtorno.

Uma outra mudança efetiva na clínica se refere ao que se espera de um tratamento. Se antigamente as pessoas procuravam um psicanalista para saber o que lhes ocorria, o que causava o sofrimento, hoje em dia esse saber já vem pronto, construído e fortemente arraigado. É interessante notar o quanto os pais e, muitas vezes, a própria criança não dialetizam esta questão, trazem esse diagnóstico como uma verdade, que não precisa ser questionada.

A questão diagnóstica é central para a medicina e também para a psicanálise. A medicina baseada em evidências é um exemplo da maneira pela qual se faz diagnósticos na nossa atualidade. A partir daquilo que se vê ( das evidências observadas em imagens neurológicas e/ou ortopédicas) constata-se aquilo que falha para que então se possa tratar.

Porém, no que se refere a subjetividade, nada pode ser visto. Pode-se sim ser escutado, nas tramas e enredos da linguagem própria a cada sujeito. Linguagem aqui entendida não como mero código da comunicação, mas sim de uma linguagem que revela a particularidade de cada sujeito. O diagnóstico, do ponto de vista da psicanálise, considera essa linguagem, aquela que é particular a cada um, que carrega no dizer os caminhos desejantes do sujeito. O diagnóstico é um horizonte para o psicanalista para que a direção do tratamento seja criada. Assim, o objetivo é menos o de fornecer um nome ou um alívio a quem nos procura.

Diante da angústia, do sofrimento, procuramos dar sentido ao que nos ocorre. É um movimento do humano. E na atualidade encontramos rapidamente nomes que nos identificam. Curioso notar que as pessoas não questionam aquilo que encontram. Assim vê-se pessoas muito conformadas com aquilo que encontram na internet, rádio, eteceteras, revelando um excesso de saber acerca daquilo que as faz sofrer. Se não há duvida, falta, não há nada que mova para a mudança.

Um diagnóstico só pode ser feito por um profissional habilitado. A informação adquirida nos meios de comunicação não garante um diagnóstico. É assim que José, de onze anos, medicado como hiperativo e alvo de inúmeras queixas dos pais e professores me diz: eu fico o dia todo trancado no meu apartamento e na escola, o brincar é confundido com agitação. Eu tenho que tomar remédio pra isso???

Não se trata de questionar a utilidade das informações que circulam hoje em dia nos meios de comunicação. Trata-se de questionar que efeitos esse excesso produz na subjetividade humana. E um deles, parece se referir a ausência de questionamento diante do que é veiculado.

Viva o José, que pode fazer essa questão junto com alguém habilitado para escutá-lo.


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"Obesidade na adolescência"


Muito se escreve e se fala sobre os riscos da obesidade. Basta dar um “google” e encontramos inúmeras matérias acerca do tema. Médicos, psicólogos, nutricionistas entre outros escrevem sobre o tema nos revelando o quanto o tema é atual. Sabemos ainda que a cultura, hoje em dia, valoriza a mulher magra, esbelta. A obesidade na infância é um tema bastante explorado, chegando a ser considerada uma epidemia em alguns estados norte-americanos. A imagem da criança gorducha, de bochechas rosadas é ultrapassada, assim como a imagem da mulher cheia de curvas e dobras. Os termos obesidade e saúde se opõem em nossa cultura.

Na adolescência a questão do corpo irrompe com grande força. O adolescente é convocado a fazer um luto do corpo infantil e se apropriar de um corpo, agora capaz de se exercitar no campo da sexualidade. Ainda que a sexualidade faça questão aos sujeitos desde a mais tenra infância, há momentos em que ela provoca angustia. Não é a toa escutarmos que os adolescentes fiquem horas trancados em seus quartos, que se recusem a sair. A obesidade pode ser uma resposta, ou mesmo uma recusa a essa angustia provocada por essa ressignificação necessária do corpo infantil para um corpo apto a se exercitar no campo da sexualidade.

E em tempos onde a sexualidade se torna tão explicita e partilhada vale pensar que a obesidade na adolescência pode nos dizer de um certo barramento a esta sexualidade que irrompe sem nenhuma fronteira. Vale aqui fazer uma ressalva. Qualquer sintoma diz respeito a um enlace sempre singular no qual o sujeito diz de algo que lhe causa sofrimento. Qualquer manifestação sintomática só pode ser compreendida a partir da fala do sujeito que sofre. A obesidade, para um pode revelar seu lugar de pertencimento a sua família. Para outro pode se referir a uma outra questão.

De qualquer forma vale pensar que a adolescência é um tempo voltado também para um questionamento efetivo ao lugar social que o adolescente ocupará. E é no social que os imperativos e ideais convocam o adolescente a responder ou não aos imperativos lançados. É só por essa via que a obesidade pode ser entendida como um fenômeno da atualidade.


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"Disfunção erétil: quando a impotência precisa ser tratada"


O sexo tem sido cada vez mais valorizado. Nossa sociedade prega que a felicidade está atrelada a uma vida sexual ativa e satisfatória. A mídia vende a imagem de casais sempre dispostos a ter relação sexual, que apresentam uma excelente performance na cama e que têm intensos prazeres.

Esta imagem tão difundida em nossa atualidade não é real, trata-se de uma fantasia. O sexo é importante na vida das pessoas, mas ele não acontece dessa forma tão idealizada. É natural que os casais não tenham relações diariamente, que se sintam tomados por preocupações do dia-a-dia, que algumas vezes não consigam chegar ao orgasmo, que um homem apresente, eventualmente, impotência.

Entretanto, existem algumas pessoas que, por motivos diversos, nunca ou raramente conseguem ter relação sexual. Neste texto abordaremos um problema que acontece com alguns homens e que costuma vir acompanhado de muita angústia: a disfunção erétil.

A disfunção erétil ou impotência se refere à incapacidade de obter e conservar uma ereção satisfatória para a realização do ato sexual. Além disso, os seguintes sintomas podem estar presentes: ejaculação precoce ou tardia, dor durante a relação e ao ejacular, perda de libido, fobias sexuais.

Muitas mulheres costumam interpretar a impotência de seu parceiro como sendo sinal da falta de desejo por elas. No entanto, isso nem sempre é verdadeiro. Freqüentemente, homens que apresentam disfunção erétil desejam suas parceiras e por isso, se sentem muito frustrados por não conseguirem satisfaze-las sexualmente.

Uma causa psicogênica costuma ser encontrada na maioria dos casos. Questões emocionais ligadas à história de vida, situações traumáticas, experiências sexuais e amorosas fracassadas, dificuldades de relacionamento interpessoais podem interferir no desempenho sexual.

É comum que haja uma intensa idealização tanto do sexo como da mulher, o que faz com que o homem fique muito exigente e ansioso com relação à sua performance. Esta cobrança em excesso pode contribuir para a impotência.

Em alguns casos, após algumas experiências de fracasso sexual ocorre a formação de um círculo vicioso, em que o homem não consegue esquecer a experiência anterior, ficando tenso, ansioso e por isso, acaba fracassando novamente.

Embora mais raro, a disfunção erétil pode ter uma origem orgânica devido a algumas doenças tais como: diabetes, lesões neurológicas, trauma medular, esclerose múltipla, arteriosclerose, câncer, problemas hormonais e o efeito secundário de alguns medicamentos. Nesses casos é preciso tratar a doença e a psicoterapia pode ser útil já que a impotência costuma afetar muito a auto-estima e a vida da pessoa.


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"Quando discutir é confundido com destruir"


Conviver com os colegas de trabalho é tarefa árdua. Difícil também é separar o lado pessoal do profissional. Quem trabalha em grandes instituições é tomado por estas questões. O convívio cotidiano favorece a existência de uma cordialidade, que nem sempre é benéfica ao andamento do trabalho. O colega pode entender, por exemplo, que fulano sempre se atrasa por que tem filhos e é muito difícil de coordenar todas as necessidades. Se lhe é chamado a atenção, costuma se irritar e se sentir rejeitado em seus problemas.Instaura-se um mal-estar.

Outra situação muito freqüente no cotidiano de trabalho é quando surge uma colagem entre os termos discussão com a agressão. Discordar da postura profissional é quase um insulto á pessoa. Surge então um silêncio que objetiva tamponar a questão conflituosa. No entanto, sabe-se que o mal-estar retorna e muitas vezes retorna em lugares e em momentos inusitados.

Parece haver um pacto silencioso ( não dito) de que para se trabalhar em grupo deve-se respeitar o próximo e abafar as diferenças. É realmente difícil dizer ao colega próximo, por quem se tem alguma afeição que não concorda com a sua atitude ou idéia acerca de algo do trabalho. Muito raramente conseguimos escutar sem nos sentirmos desautorizados e ofendidos. Porém, se a capacidade de discordar for obturada podemos pensar que a questão retornará de maneira explosiva e inesperada. Será que nos grupos é necessário manter uma igualdade de idéias? Sempre? Ignorar as diferenças é absolutamente agressivo. Supor que todos devem pensar da mesma forma é ignorar que nos grupos, cada um pode trazer sua marca particular, aquilo que o distingue dos demais.

Se discordar significa destruir caminha-se para um rebaixamento da capacidade intelectual, um emburrecimento coletivo que é extremamente nocivo para o cotidiano do trabalho.

E mais um fator. Atualmente suporta-se cada vez menos as desigualdades, as diferenças. Há um esforço coletivo em fazer diluir as diferenças falando de uma cultura “unissex” que apregoa a não diferença, abolindo-a e sugerindo que se a diferença não for suportada, tudo bem. Busca-se outros objetos, eles podem ser encontrados sem que haja conflitos.

Estaremos com a capacidade diminuída de suportar as diferenças? Será que sustentando-as mataremos o outro?


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"Consumo em excesso: obturação da falta"


A edição de Abril da Revista Veja (2009) tem como título “Eles que mandam”. Na foto da capa, um adolescente segura nas mãos seus pais, apequenados diante da força do jovem rapaz. A matéria se centra na relação dos jovens com a internet, celulares, orkut e no custo de manter financeiramente os jovens de classe média alta e classe alta. Ressalta também que o fato dos adolescentes estarem constantemente conectados os lança numa grande quantidade de informações sem se aprofundar em nenhuma delas.

A propaganda de um dos canais mais assistidos pelo público infantil (dos cinco aos dez anos), o Cartoon Network é a seguinte: “A gente faz o que quer”. “Eles que mandam” e “A gente faz o que quer”: frases reveladoras de uma inversão tão freqüente em nossos tempos.

Em 1929 num texto célebre e atual Freud reflete sobre o “Mal Estar na Civilização”, colocando em evidência a renúncia a qual somos submetidos para viver na sociedade. De modo geral, para o autor, a vida em comunidade nos oferece prazer na medida em que nos protege da força da natureza, da fragilidade de nossos corpos e do mal estar surgido nas relações com os outros homens. O “preço” que se paga para que isso ocorra é o da renúncia do prazer irrestrito e da agressividade do homem como condição inexorável para a cultura.

Em vários momentos de sua obra, quando se refere à puberdade, coloca que uma das principais tarefas do jovem é de se desligar da autoridade dos pais, buscando outros objetos de amor num território que se situa para além do espaço familiar. O abandono a que se refere é um abandono parcial já que para ele a busca de outros objetos se refere sempre a um reencontro com os objetos iniciais de amor. E é um desligamento que não implica numa ausência de cuidado, mas sim a capacidade de oferecer aos filhos um espaço intermediário entre as trocas familiares e as experiências as quais os filhos se submetem nessa busca de um lugar no espaço público, função esta de extrema importância. Se eles que mandam, há necessidade deste ensaio, deste passeio entre o público e o privado? Se é possível fazer o que quer, para que sair e se aventurar no mundo? Não me parece à toa que seja muito comum os adultos morando ainda com seus pais.

Assistimos, com uma velocidade impressionante, a uma oferta de objetos consumíveis, sempre disponíveis, o que fornece a ilusão de que nada faltará. Quanto mais i-pod, i-phone, i-mac, melhor. Os pais, culpados pelo excesso de trabalho, (e não querendo ter muito trabalho- por que dá trabalho dizer que não) oferecem esses objetos e imprimem um texto sem palavras que autoriza o: “A gente faz o que quer”. E no imperativo: “Eles é que mandam”, escuta-se no texto (não dito) que a renúncia não é possível, que não é necessário se referir aos pais, que não há limites para se alcançar os objetos.

Quais as razões de não poder dizer aos filhos que eles não mandam e que eles não podem fazer tudo o que querem? Por que será que não é relevante transmitir que a renúncia e a falta são condições da vida?


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"Hora de mudar de emprego?"


O trabalho ocupa parte importante da vida das pessoas, além do aspecto financeiro, interfere fortemente na vida emocional. Por estes motivos, as escolhas que envolvem uma profissão devem ser feitas com muito cuidado e não de modo impulsivo.

Mudar de emprego pode ser motivado por inúmeros fatores: vontade de mudar de área, de empresa, de salário, de cidade, possibilidade de demissão, dificuldade de comunicação com colegas e superiores, falta de perspectiva de crescimento profissional e pessoal, dissonância entre o perfil pessoal e o desejado pela firma.

Uma reflexão aprofundada a respeito do que está motivando a mudança é bem vinda. Vale à pena observar a presença de sinais como: dificuldade para ir trabalhar, ansiedade para voltar para casa, discussões ou silêncio em excesso, sensação constante de não reconhecimento, falta de paciência para pequenas coisas.

O diálogo é sempre um recurso importante para tentar lidar com as dificuldades antes de precisar tomar uma decisão mais radical. Procurar conversar com a chefia, expor insatisfações e dificuldades, solicitar uma avaliação do desempenho profissional, poder escutar as críticas e saber o que empresa espera de você são elementos importantes para avaliar a situação.

O exercício de auto-observação também é um instrumento útil para poder melhorar os aspectos negativos, o que contribui para um sucesso profissional. Neste sentido, vale a pena prestar atenção ao modo como se trata e é tratado pelos colegas e chefia, como se porta frente a aspectos como pontualidade e desempenho, quais são as críticas mais freqüentes que recebe.

Quando o descontentamento está mais ligado ao salário, o primeiro passo deve ser o de comparar a remuneração que outras empresas oferecem para o mesmo cargo. Quando o salário está dentro ou acima da média, é preciso refletir se é o momento de pedir um aumento. Às vezes, a solução está em tentar outro cargo, em mudar de departamento. Se o salário, no entanto, está abaixo, pode-se conversar com a chefia e expor a situação de forma profissional e madura, mostrando o valor de seu trabalho (ameaças e chantagens não são aconselháveis).

O descontentamento com o emprego pode ser temporário, em função de um período de maior tensão, ou, definitivo, permanecendo constante independentemente do momento da empresa e da atitude do empregado. Quando a segunda opção é a verdadeira, pode ser a hora de pensar em mudar de emprego.

Mas, antes de tomar esta decisão é preciso, ainda, saber diferenciar o que são questões subjetivas das profissionais: como saber se mudando de emprego os problemas não vão se repetir, já que a questão pode ser pessoal?

Um fator que pode indicar a presença de questões subjetivas e que apontam para a hora de procurar um psicólogo é quando as dificuldades no trabalho são semelhantes às apresentadas no emprego anterior. Além disso, quando existem sintomas físicos como taquicardia, ansiedade, insônia, irritabilidade, oscilações de humor, timidez excessiva e baixa auto-estima, deve-se ficar atento para questões emocionais.


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"Deficiência Mental: Uma história em atraso..."


A partir do século XX começou a se estabelecer uma definição para o Deficiente Mental como o sujeito que tem o funcionamento intelectual considerado inferior à média estatística das pessoas. Há muitas críticas em relação aos testes de avaliação de QI (quociente intelectual), pois não colocam em discussão o aspecto cultural, educacional, a motivação e o desejo do sujeito em realizar o teste.

O CICID (Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens) situa a deficiência intelectual ou mental quando a pessoa tem limitações na aprendizagem, memória, percepção, no estabelecimento de relações, na consciência, que trazem como conseqüência maior o comprometimento da capacidade ocupacional e na integração social.

Segundo a descrição do DSM IV o retardo Mental é quando a pessoa apresenta “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidado, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança”.

É comum que a Deficiência Mental seja pensada como uma condição em si mesma, um estado patológico bem definido. Entretanto, a Deficiência Mental é uma condição que está bastante permeada por um mecanismo social que atribui a essa limitação um valor de morbidade, que é sempre comparativo. Isso significa dizer que uma pessoa pode ser considerada deficiente em uma determinada cultura e não deficiente em outra, de acordo com a capacidade dessa pessoa satisfazer aos ideais culturais.

Desse modo, a discussão sobre o termo a ser empregado torna-se secundário se não for levado em consideração nos tratamentos o sujeito que está implicado nesta manifestação, principalmente, seu sofrimento de ter um sintoma que o afasta do convívio social, do mundo do trabalho e de outros espaços como a escola.


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"Sobre o falar"


A afirmação de que as palavras exercem certo poder é bastante apropriada ao psicanalista, já que a palavra é seu instrumento de trabalho, sendo considerada uma das vias privilegiadas de acesso ao inconsciente. Quem não se recorda de uma frase que trouxe orgulho, raiva ou vergonha, ou de frases enunciadas pelos pais, professores e também por aqueles de quem não se gosta. Algumas palavras trazem afetos e lembranças que, ao serem escutadas, trazem à memória com muita vivacidade cenas importantes da vida. Todo mundo, antes de poder dizer, é falado. Os choros, os comportamentos e as sensações dos bebês vão sendo colocados em palavras por terceiros. Assim, se escuta: “meu filho é bonzinho”, ou então, inteligente, arteiro, triste e assim por diante.

E estas falas produzem efeitos, que se revelam de diversas maneiras nos quadros psíquicos. Entretanto, não são as palavras isoladas as únicas responsáveis pelo ato de dizer. A forma, ou seja, como se diz é de notável importância. Quando alguém fala rápido parece ansioso, se fala sem pensar pode ser considerado impulsivo ou quando fala pouco parece ser inibido. Outro aspecto é o tom da voz que pode ser baixo, enérgico, sem vitalidade. Neste último caso, a voz sem tônus pode sugerir um quadro depressivo. O ritmo pode ser acelerado, lento demais, reticente, imperativo ou duvidoso desvelando as infinitas facetas da personalidade.

Há outros quadros que se manifestam pela fala: mutismo, gagueira, logorréia (a fala excessiva). Em quadros como a psicose, a fala fica muito particularizada (palavras inventadas), ou seja, é de difícil compreensão, o que impossibilita a comunicação.

A fala também porta muitas expressões, que podem ser muito sugestivas: “o outro fala por mim” ou “falo pelos outros” ou ainda “não falou nada com nada”. Essas frases constituem exemplos da liberdade ou do aprisionamento que cada um vive ao colocar as próprias idéias e sentimentos em palavras. Muitas pessoas costumam dizer: “falo como o meu pai”, “minha mãe dizia ...” e de tal modo repetem frases que não são de sua autoria.

Quando o sujeito fica demasiadamente aprisionado ou sem limites para falar é motivo de preocupação. Isso porque a questão do falar está intimamente ligada ao posicionamento de cada um perante suas próprias idéias, pensamentos e fantasias e ao estilo de seus relacionamentos. O que está silenciado, não-dito, de alguma forma aparece na forma de chistes (piadas ou brincadeiras), esquecimentos, comportamentos, atos falhos e estes precisam ser colocados em palavras para a escuta do que está sendo revelado.


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"Crise econômica- De olhos abertos"


Abrimos os jornais e com os olhos arregalados nos debruçamos sobre as notícias: depressão econômica, demissões, recessão. Diz-se que o Brasil possui uma estabilidade nunca antes vista e que por este fator se encontra em condições de debelar a crise que se anuncia.

Não há como passar batido. Em maior ou menor grau somos tocados por esta questão. O nome do pânico que assola: desemprego.

Não resta dúvida de que o governo deve se posicionar e oferecer mais e mais condições de trabalho a nossa população. Não se trabalha apenas pelo dinheiro. Trabalhando conseguimos reconhecimento, sentimos prazer em nos envolver no ofício escolhido e conquistamos um lugar social. Trabalhar também traz sofrimento, pois existem inúmeras rivalizações entre os colegas e, muitas vezes, não se consegue estabelecer um diálogo com os próximos, tampouco com os chefes. Acostumados com este cotidiano difícil, fechamos os olhos para não pagar o preço de enfrentar as dificuldades.

Esse mesmo cotidiano empurra para um amortecimento no dia-a-dia do trabalho e assim se leva o trabalho sem uma verdadeira implicação. Com os olhos bem fechados e impregnados por uma desatenção, o serviço é feito de maneira burocrática e sem envolvimento.

Para além da questão mais específica desta crise, podemos pensar que nestes momentos somos convocados a fazer uma revisão da postura assumida no cotidiano de trabalho. Investir cotidianamente é tarefa árdua. Exige atenção e reflexão, obrigando-nos a olhar para as fragilidades e dificuldades; tarefa que não é simples de enfrentar.

Porém, num momento onde a incerteza se coloca como um horizonte próximo somos convocados a abrir os olhos sem, no entanto, cair no pânico que impossibilita o pensar.


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"Morar sozinho"


O que leva alguém a querer morar sozinho é algo muito particular. Os motivos são diversos e dependem das questões de personalidade e da história de vida de cada um. Por exemplo, existem pessoas que tomam esta decisão em função de conflitos familiares intensos que tornam inviável morar com a família de origem, outras, vêm a possibilidade de morar sozinho como uma oportunidade de adquirir maior independência e de se conhecer melhor. Há também aquelas que mudam de cidade à procura de estudo e/ou trabalho e acabam tendo que se distanciar da família e aquelas que vão morar sozinhas após uma separação amorosa.

Cada pessoa vai reagir de um jeito com relação a esta experiência. Existem pessoas que se tornam mais independentes e percebem que são capazes de se virar sozinhas, outras, sentem-se muito sós, tristes e percebem que precisam da companhia mais próxima de alguém. Para alguns pode ser uma ótima oportunidade para refletir a respeito de questões importantes de sua vida, rever posicionamentos e escolhas. Outros, com a solidão, passam a dar mais importância para o parceiro, amigos, família.

É preciso que a pessoa saiba que a adaptação à nova condição não é imediata. É extremamente natural que a pessoa se sinta, nos primeiros meses, insegura, com medo, com um certo vazio e saudades da família. Com o tempo, estes sentimentos tendem a ficar mais amenos.

Também é importante saber que morar sozinho não significa romper com a família. É possível morar sozinho e continuar próximo dos pais e outros parentes, fazendo visitas periódicas, telefonando...

Cabe lembrar, que morar sozinho não é sinônimo de não precisar de ninguém, de ter que se virar para tudo sozinho. Sempre que precisar, pode-se pedir ajuda.

Não existem problemas psicológicos específicos com relação a morar sozinho. As pessoas que podem apresentar dificuldades emocionais nesta situação, provavelmente, já tinham questões psíquicas importantes anteriores ao fato de irem morar sozinhas (mesmo que não tenham percebido antes). Morar sozinho pode, portanto, intensificar (e não causar) sintomas já presentes antes na vida da pessoa como: isolamento social, angústia, depressão.

Se a pessoa quer voltar para a casa dos pais, é o caso de conversar com eles e avaliar a possibilidade disso. Se for possível, não há problema nenhum de voltar atrás na sua decisão. No entanto, sempre vale relfletir a respeito do porquê que morar sozinho se tornou algo inviável ou insuportável. Muitas vezes, a conquista da independência e separação dos pais não é fácil. Envolve questões emocionais complexas. Nesses casos, a pessoa pode se beneficiar de uma psicoterapia em que poderá investigar os motivos que a impediram de conseguir o que deseja.


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"Banho"


Meu filho não quer tomar banho. Já tentei de tudo, conversar, dar bronca, ignorar e obrigar. Mas não resolve.

O aprendizado do banho é um processo gradual que tem seu início muito precocemente. Desde bebê esse é um momento que pode gerar muita preocupação nos pais. No recém-nascido eles temem pela sua segurança, para que não se afogue, para que não se assuste ou para evitar que fique doente com a “friagem”.

Muitas mães se sentem tão inseguras que pedem a ajuda de pessoas próximas, pois elas também têm muitas fantasias em relação a este momento. Algumas acham que não vão conseguir dar o banho da maneira certa ou que algo pode acontecer ao bebê. Mas, além disso, é um momento de muitas trocas afetivas, o bebê fica entregue aos cuidados de sua mamãe. Alguns pequeninos sentem muito medo, outros prazer e ficam relaxados com esta atividade. Conforme o tempo passa, a autonomia aumenta e ele vai ficando cada vez mais participativo. O bebê passa a tomar seu banho sentado, começa a brincar, explora seu próprio corpo e, então, o bebê começa a expressar recusa em sair pois esse momento é vivido como especial para ele.

Embora seja um momento prazeroso para a maioria das crianças, não se pode generalizar. Com a intensificação das fantasias, muitas crianças podem ficar muito apreensivas. Seja pelo medo de cair, pelo medo de se sufocar com a água ou sentem aflição com a temperatura da água.

Seja o banho, a hora de dormir ou a alimentação, as crianças são muito habilidosas em encontrar meios para “provocar” a reação dos pais com seus comportamentos. O horário do banho pode ser um momento muito privilegiado de a criança demonstrar seus conflitos. A maioria dos sintomas não surge em vão, pois transmitem uma “mensagem” a ser decifrada.

É muito comum escutar os pais dizerem: “não sei por que ele não toma banho, eu ensinei, na minha casa todo mundo é limpinho, só ele é assim”. Por que será que, exatamente numa família “limpinha”, aparece um filho que não quer tomar banho?

Existem muitos mecanismos que podem estar envolvidos. Por exemplo, pode ser que assim a criança consiga ter a atenção dos pais, pois tal sintoma tão provocativo, não passaria despercebido. Com esta atitude ela incomoda e pode ser a forma que encontrou de se diferenciar e mostrar que não se submeterá passivamente às exigências externas. Contrariando os pais pode revelar sua “vontade” de controle, sua necessidade de ter mais poder ou simplesmente demonstrar sua raiva perante outras questões.

O comportamento que incomoda não deve ser analisado isoladamente, nem se pode simplificar as interpretações. É preciso que seja considerado no contexto de vida da criança, de sua singularidade como pessoa e em suas relações familiares.


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"Quando a hora de dormir se transforma em pesadelo"


Uma grande revolução. O bebê está chegando. A casa está toda organizada; a grande maioria dos pais prepara com muito cuidado este momento tão esperado. Porém, por mais que se prepare e se escute as experiências dos mais velhos nada parece conseguir aplacar as experiências surgidas nos momentos iniciais. O bebê chora, os pais se descabelam e se angustiam dada a intensidade de expectativas, idealizações e emoções pertinentes a este momento.

Aos poucos a mãe vai nomeando as manifestações do bebê e aquilo que era só grito passa a ser cólica, saudade, cansaço, frio. Há um banho de linguagem que o bebê recebe e se apropria, banho este que é vital á sua existência.

Chega então o terrível momento da mãe voltar ao trabalho. Além de lidar com o cotidiano da casa tem que dar conta do trabalho. E assim, ávida por ficar perto de seu filhote e culpada por passar tantas horas fora de casa acaba permitindo que o filho fique acordado até tarde. Resumo da história: todos exaustos, com os nervos a flor da pele, na iminência do surgimento de um grande mal estar.

Não há duvida de que as crianças, especialmente os bebês, precisam da presença ( e de uma presença de qualidade) dos pais em seu cotidiano. Mas os pais apostam pouco na capacidade de entendimento das crianças. Pensam que as crianças se sentirão abandonadas e que a ausência deve ser suprida mesmo tendo que se pagar o preço da exaustão. As crianças, mesmo as muito pequenas podem se servir muito de uma conversa com seus pais. Nomear a ausência e dizer, por exemplo, que se sentem muito cansados e que por isso não poderão brincar e que terão que dormir mais cedo, ou mesmo poder contar de um dia difícil de trabalho para seus filhos. Será que assim a criança não se beneficiaria mais do que com a mera presença de um corpo exausto?


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"Ciúmes dos pais, até que ponto é natural?"


O bebê nasce e logo ocupa um lugar de destaque, toda a atenção da família é voltada para ele, chora e é imediatamente cuidado... Assim, nos primeiros meses e até no primeiro ano de vida, a criança mal percebe que seus pais têm outros desejos e preocupações que não seja ela. No entanto, conforme cresce, passa a notar que nem sempre seus pedidos são atendidos prontamente, observa que seus pais se ausentam e que têm outros interesses (vão trabalhar, saem para passear, conversam com outras pessoas).

É natural que no início desta nova percepção de mundo a criança “proteste” contra a perda da atenção “total” que acreditava ter antes. Birras, choros freqüentes, fazer “travessuras” para chamar a atenção são naturais e uma forma de dizer da dificuldade que implica crescer.

Os pais devem acolher esta dificuldade e, ao mesmo tempo, incentivar o filho a se tornar cada vez mais independente e capaz de ficar sem a presença deles o tempo todo (lógico que isso conforme o que cada idade permite). É possível, por exemplo, ser carinhoso com a criança e também explicar a ela que precisa esperar porque a mãe está ocupada ou dizer que ela consegue fazer o que está pedindo sozinha...

Dentro deste cenário, uma das coisas que a criança nota que mais lhe “tira a atenção” é o afeto entre os pais, já que, muitas vezes, eles têm conversas de adultos que ela não pode participar, se abraçam, se beijam... Diante disso, alguns filhos tentam ficar no meio da relação dos pais, não os deixando ficar a sós: sentam no meio deles, choram quando eles estão juntos, chamam a atenção para si.

É importante que os pais não se deixem “vencer” pela insistência da criança, não cedendo sempre às diversas solicitações. É só assim que o filho irá entender que seus pais se gostam e que o fato de não ser o centro das atenções o tempo todo não significa que não seja amado. Apesar de ser um momento difícil em muitas famílias, saber lidar com isso é fundamental para todas as demais relações sociais e afetivas que a criança irá estabelecer.

O problema acontece quando os pais não agüentam o sofrimento da criança (porque dói mesmo saber de que não se é a única coisa importante na vida de alguém!) e acabam abrindo mão do momento de estarem juntos para ficarem com o filho, as conversas do casal e o contato físico acabam ficando cada vez mais raros, a exigência da criança por atenção aumenta, chegando até a ponto de não conseguir dormir sozinha.

Este quadro, muitas vezes, culmina num desgaste grande para todos os membros da família e afeta diretamente a relação do casal. Quando a mudança deste cenário é impossibilitada por dificuldades pessoais de um dos pais, ou do casal ou da própria criança, pode ser a hora de procurar um psicanalista.


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"Excesso de limites"


A questão da importância em por limites é bastante difundida e discutida pelos especialistas. Entretanto, há um outro aspecto ligado aos limites que é preciso destacar que é seu excesso, pois pode trazer muitas conseqüências relacionadas a autonomia, independência e autoconfiança.

É importante esclarecer que, quando há uma preocupação desproporcional dos pais com relação aos limites a serem colocados, os filhos podem ficar muito prejudicados em relação a liberdade de tomar algumas decisões. Muitas vezes, isso acontece diante da tentativa dos pais de evitarem que os filhos não cometam erros ou que se arrisquem demais. No entanto, será que privá-los da liberdade é a única saída para esta questão?

Na convivência familiar os pais podem lidar com esta dificuldade ao estabelecer um diálogo e ao refletir se realmente há tantos motivos para que se coloque limitações severas, que podem parecer irracionais se o filho tem um bom aproveitamento na escola, se tem amigos e quando demonstra ser responsável. Quando isso acontece, fica em evidência a presença de fantasias parentais que geram desconfiança.

O cuidado que se deve ter refere-se aos limites que tiram totalmente a liberdade, por exemplo, quando um jovem quer escolher uma carreira e os pais discordam e tomam uma atitude proibitiva por não considerarem que é uma boa escolha.

Nesse aspecto é importante diferenciar autoridade de “tirania”, pois o primeiro é um poder legítimo que os pais podem exercer diante de situações em que o filho não pode decidir. Já o segundo aspecto traz a imposição dos pais nas decisões, sem que exista a possibilidade de questionamento e diálogo.

Nesse aspecto, a reflexão sobre a forma como os pais colocam os limites e a forma como o filho lida com eles pode promover maior comunicação, principalmente com relação às atitudes e decisões realizadas inconscientemente e que, por vezes, podem limitar excessivamente a expressão dos filhos com relação aos seus desejos.


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