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Cronograma 2013
Introdução a clínica psicanalítica com crianças
Coordenação: Patrícia Yumi Nakagawa
Início: fevereiro - 14/02/2013
5as (encontros quinzenais) - 14:30-16:00 hs
Mensalidade: R$120,00
Espaço voltado à discussão da prática na clínica psicanalítica.
Na vida contemporânea as pessoas passaram a viver mais em função dos avanços tecnológicos e da medicina. Essa mudança trouxe repercussões para a vida cotidiana, os indivíduos passam a se preocupar muito mais com a sua saúde, sobretudo com o avançar da idade. Inúmeras são as "receitas" e "dicas" de como alcançar a longevidade e de como envelhecer com qualidade e, diria também, de forma digna, pois, verifica-se uma busca incessante pela prevenção de doenças e preservação da capacidade funcional e da autonomia. Se por um lado evidencia-se um aumento da expectativa de vida, por outro as pessoas ficam mais suscetíveis às doenças associadas ao envelhecimento.
O envelhecimento produz marcas, muitas alterações orgânicas acontecem. Daí pensar que o envelhecer não é algo abrupto e sim um processo que faz parte da vida de todos os seres. Em outras palavras, as mudanças vão acontecendo gradualmente, o que permite que o sujeito possa se adaptar às novas condições. O esquecimento faz parte desse processo, é natural que uma pessoa com 60 não tenha a mesma performance de quando tinha 20 ou 30 anos, mas uma perda significativa da memória pode ser um sinal do surgimento de alguma doença e, portanto, merece uma avaliação cuidadosa. As queixas de memória devem ser valorizadas quando estas estão interferindo no desempenho das tarefas da vida diária.
A dificuldade de memória em idosos pode estar associada ao uso de tranqüilizantes, a quadro depressivo, a algumas doenças (como o hipotiroidismo) e a demência. Escutamos muito falar sobre este último termo, cuja utilização serve para descrever alterações de memória, em geral, a recente, e também problemas de comportamento e perda de habilidade. A demência, no discurso médico, é uma síndrome, pois agrega um conjunto de sinais e sintomas, como por exemplo, os citados acima.
Ao abordar as doenças relacionadas ao envelhecimento também é bastante comum ouvir falar sobre a doença de Alzheimer. No entanto, vale dizer que a demência e doença de Alzheimer não são sinônimos. Todas os pacientes com Alzheimer possuem demência, no entanto, o contrário não é verdade, já que a causa do quadro demencial pode ser outra, como é o caso da demência vascular, isto é, quando há uma isquemia verificada no derrame e na trombose. Pode ocorrer ainda de alguns pacientes terem os dois tipos de demência.
O diagnóstico da doença de Alzheimer, de acordo com a literatura, é feito por exclusão, ou seja, quando alguém recebe esse diagnóstico é porque se verificou prejuízos na memória e de outras funções e outras possíveis causas foram descartadas. Por não haver um exame cerebral laboratorial que comprove alterações específicas da doença, o diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica que, diga-se de passagem, não é imediata e demanda um acompanhamento do paciente mais prolongado. Resta ainda dizer que o diagnóstico diferencial é necessário. Não basta verificar nos pacientes idosos lentidão ou alteração no funcionamento cognitivo para fechar esse diagnóstico. Quando não é possível caracterizar um quadro demencial bem definido, considera-se o termo pseudodemência e outras possibilidades diagnósticas devem ser aventadas.
A abordagem trazida pela Psicanálise de fato enriquece a discussão uma vez que ela acredita na demência enquanto fenômeno onde muitos fatores encontram-se envolvidos e não algo completamente exterior ao sujeito. Se envelhecer é amadurecer, acumular experiências e lidar com a densidade de uma longa vida é, também, se deparar com uma certa falência do corpo que exige dos seres novos ajustes o tempo todo. Sob esse olhar, a demência passa a ser encarada como uma espécie de defesa contra os estados depressivos que muitas vezes acompanham o processo de envelhecimento.
O indivíduo acometido por uma doença irreversível e progressiva como é o caso da de Alzheimer necessita de tratamento medicamentoso, mas também de outras intervenções terapêuticas. Entendemos que o acompanhamento médico é imprescindível para o alívio dos sintomas do paciente e para minimizar os danos e a evolução da doença, mas também se faz necessário a presença de outros profissionais da área da saúde.
Certamente a intervenção com essa clientela deve ser ampla para que o tratamento não fique restrito à administração de medicamentos e que comporte, por exemplo, um trabalho dirigido aos familiares e/ou cuidadores. É muito comum observarmos que muitas vezes o paciente está estável e aquele que convive com ele “adoece”. Por ser uma tarefa árdua é importante que a pessoa que esteja nesse lugar de cuidador, além de toda orientação acerca da doença, também tenha uma escuta, pois é necessário que ela esteja emocionalmente bem para sustentar esse cuidado com o outro.
Com relação ao paciente, é importante que ele tenha atendimento psicoterápico e/ou de Terapia Ocupacional. O terapeuta ocupacional pode oferecer uma intervenção interessante, pois sabemos que uma das implicações desse diagnóstico incide sobre a funcionalidade e o desempenho nas tarefas do dia-a-dia. Alguém que possui déficit de memória e dificuldade em reter informações novas se vê diante de limites cruéis. É muito comum que a pessoa com esse tipo de prejuízo faça a mesma pergunta várias vezes seguidas ou conte uma história que já foi contada há poucos minutos atrás sem se dar conta dessa repetição. Como já dito, o paciente que vive um processo demencial possui perturbações de várias ordens que comprometem muitas funções como a linguagem, abstração, funções executivas dentre outras e que por isso podem acarretar em um empobrecimento, produzindo um estreitamento no campo de suas relações e ações cotidianas.
A gravidade do caso ou a fase da doença em que a pessoa se encontra vão orientar o trabalho terapêutico. Para cada paciente deve se investigar qual atividade indicada e essa avaliação deve acontecer sempre conectada à história pessoal. Em pacientes com demência, escolher a atividade já supõe uma intervenção, pois se acredita, sobretudo, que há um repertório e algum desejo com relação ao fazer. Validar isso não é um mero detalhe, é uma aposta na singularidade.
É preciso lembrar ainda que, qualquer processo de adoecimento exige que se reflita junto ao paciente qual o sentido da doença para ele. Esse suporte é fundamental, pois tratar é necessariamente se implicar mesmo considerando que exista limitações e comprometimentos importantes.
A gagueira é uma disfunção da fala que pode afetar todas as idades, desde as crianças menores até os idosos. No entanto, se manifesta com mais freqüência na primeira infância.
O aspecto principal desta disfunção é o fato da pessoa, ao tentar dizer uma palavra, ficar presa em alguma sílaba, sem conseguir continuar com o que quer dizer. Ela é involuntária, não sendo controlada pela pessoa. Por mais que o indivíduo se esforce, ele não consegue evitar ficar gago. Ela não é um hábito adquirido.
A gagueira é multifatorial, ou seja, pode ser causada por vários fatores, tais como: lesões neurológicas, hereditariedade, questões emocionais. Geralmente seu início é súbito e está associado a situações emocionais intensas, que podem ser traumáticas e conflituosas. Quando é uma reação temporária ao estresse ela tende a sumir quando o elemento estressor desaparece.
A gagueira traz grande sofrimento, já que a pessoa não consegue se expressar como gostaria, sente-se envergonhada e fracassada. Uma das dificuldades mais importantes é o estigma social, pois os indivíduos que sofrem de gagueira, freqüentemente, são motivo de chacota, são vistos como desequilibrados, ansiosos e medrosos.
As crianças gagas apresentam dificuldades para fazer amigos e têm seu desempenho escolar afetado, já que a realização de algumas tarefas propostas torna-se muito complicado. É o caso das atividades que exigem ler em voz alta, falar na frente da classe.
Cabe lembrar que episódios de gagueira na infância podem ser normais e até mesmo comuns. Na idade de dois a três anos o aparelho fonoarticulatório ainda não está maduro e a criança ainda não domina muitos vocabulários. Após esta idade, os pais devem ficar mais atentos, principalmente, se a criança demonstra sofrimento com este sintoma. É importante que os pais não interrompam ou falem pelo filho, dando tempo para ele se expressar.
Em função do estigma social, algumas pessoas gagas passam a evitar contato social para se protegerem. Em alguns casos, esta evitação chega ao extremo de um isolamento, afetando a vida social, escolar, profissional e afetiva.
Algumas pessoas aprendem a disfarçar o sintoma utilizando interjeições (como ‘né’, ‘assim’ e ‘eh’), substituindo as palavras por sinônimos, mudando o tom da voz, alterando a respiração (respirar mais fundo antes de falar para dar tempo para pensar).
É interessante observar que a gagueira costuma diminuir e até mesmo a desaparecer quando não se trata de uma fala espontânea. Assim, muitas vezes, ao cantar, ao ler em coro ou de forma silabada, ao imitar um sotaque, a pessoa não fica gaga. Uma das explicações possíveis para explicar isso é de que as falas espontâneas estão mais suscetíveis à influência de aspectos emocionais do que as falas controladas. Quando o gago está sozinho, dificilmente gagueja o que aponta para a importância da relação com o outro.
As questões emocionais relacionadas à gagueira, muitas vezes, são desconhecidas para a pessoa, pois são inconscientes. A gagueira, quando de origem psicogênica, pode ser um modo da pessoa expressar esses sentimentos. Ela também pode estar relacionada com uma baixa auto-estima, sentimento de inferioridade, timidez e outras características da personalidade.
Como lidar com limites? De quem?
É no início de vida que se aprende a lidar com as limitações e as frustrações. Os limites são definidos pelos adultos, em geral os pais, que decidem o que é permitido ou não à criança. Os limites, em geral, estão baseados em valores, seja algo embaraçoso, perigoso, inacessível, inadequado, impossível, etc.
O limite é imprescindível para a vida em sociedade. A partir do estabelecimento de regras, as crianças internalizam o que é proibido. Por exemplo, quando o bebê começa a engatinhar, ele ganha a possibilidade de se deslocar e, com isso, devido à intensa curiosidade, ele quer colocar o dedo na tomada, põe os objetos em sua boca, etc. Nesse momento, os pais são responsáveis em cuidar do ambiente para que ele não se machuque, ensinam os nãos, os quais o bebê deve respeitar para poder viver.
Isso vai indicando que a criança não pode fazer tudo o que quer, já que não tem capacidade crítica para discernir o que pode lhe ser prejudicial. A vontade em fazer algo, pode ser muito intenso na criança. Quando são contrariadas, algumas fazem birra, gritam, esperneiam, choram, chantageiam, para conseguir o que almejam.
Esses comportamentos demonstram seus sentimentos diante das limitações, mas são importantes também, pois em outro extremo, uma criança que aceita tudo sem se expressar também pode estar comprometida. É importante escutar essas manifestações, sem precisar ceder às exigências dos filhos e separar quando é uma tentativa de manipulação da criança.
No entanto, a necessidade de estabelecer limites é uma constante, não acontecendo somente na infância dos filhos. Na adolescência, apesar do crescimento, existe a intensa necessidade do posicionamento dos pais como referências no estabelecimento de limites.
Muitos adolescentes se colocam em risco freqüentemente, pois querem abranger sua autonomia e testam para saber até onde podem ir. Chegam tarde em casa, bebem, alguns experimentam as drogas, podem praticar a vida sexual sem cuidados, outros podem mentir e apresentar comportamentos delinqüentes.
Nesses momentos, mesmo que os filhos demonstrem uma não aceitação, é importante que ambas as partes se manifestem. Desse modo, não é tudo que o adolescente pode fazer. Muitos pais se omitem, pois acreditam que a frustração faz mal, que não podem chatear os filhos, pois a liberdade é o mais importante. É necessário que se reflita se esta liberdade não está sendo concebida sem considerar os riscos que ela coloca. Afinal, ninguém é totalmente livre para fazer tudo o que se quer.
Ao pais cabe a reflexão sobre aquilo que tem limites em si mesmos, que podem ser percebidos quando estão cansados, sem dinheiro, sem vontade, ou seja, quando estão impossibilitados de fazer algo, simplesmente, por terem limites também.
Os limites marcam as fronteiras, delimitam os excessos, separando aquilo que está a favor ou não da vida do sujeito.
Há um tempo, no auge da paixão, no qual as falhas, traços marcantes e comportamentos viciados são como que abafados. Na paixão há UM. Um casal que se completa, que chega até a deseinvestir das outras relações e do mundo. A crença é de que nada mais é necessário, basta ter um ao outro.
Com o passar do tempo a paixão arrefece e se o casal permanece junto, a intimidade cresce. Há um ganho de intimidade, de cumplicidade. Porém, as falhas de um e de outro começam a se tornar evidentes. O casal já não se completa tanto e as dificuldades começam a aparecer.
Alguns casais não suportam atravessar este momento aonde a paixão amortece e acabam rompendo o relacionamento. Outros suportam atravessar esta mudança (consentem com a falha do companheiro) e ganham a chance de adquirir intimidade, cumplicidade, amor e conflito.
Muitos casais costumam discutir, brigar para resolver os conflitos. Outros permanecem em silêncio, achando que é melhor não brigar. Geralmente, estes casais vão se habituando a funcionar, de maneira calada, e a construir comportamentos e hábitos que, por não serem ditos, vão se cristalizando e retornado em qualquer oportunidade. Chega a ser clássica a queixa das mulheres de se sentirem exploradas com as inúmeras jornadas de trabalho as quais estão submetidas.
Comumente, depois que chegam do trabalho, as mulheres vão cuidar da casa, dos filhos, da comida. A faísca está acesa, basta um instante para que a mulher exploda, brigue com o marido e com os filhos.
Se há traços que são mais evidentes (como cuidar dos outros no caso da mulher, por exemplo) muitos hábitos são criados por conta de traços que parecem ser mais “naturais” e que nunca são falados. Sem que a mulher perceba, ela sempre faz o jantar, cuida de tudo. O marido, por sua vez, habituado com o que sempre encontra, já nem presta atenção em afazeres ou necessidades da casa. E muitas vezes, anos se passam assim. Ambos os lados passam a se sentir injustiçados, abusados.
Não há possibilidade de não haver conflito num casal. O conflito é inerente ao humano. E há um desencontro natural entre homens e mulheres. Porém, há casais que conseguem atravessar as dificuldades porque há algo que os liga, que quer manter ligação. E muitas vezes, para manter a capacidade de ligação se faz necessário brigar, discutir e se dispor a resolver.
Falar do silêncio é sempre difícil. Em alguns momentos ele é necessário. Em outros, o silêncio pode provocar desligamento, pode ser devastador na medida em que cria um comportamento mudo, um hábito que pode gerar mais conflitos além daqueles que já nos são intrínsecos.
Um casal pode e deve se perguntar sobre como e o que estão construindo em conjunto. É uma tarefa barulhenta, árdua, mas necessária para cuidar do relacionamento.
A qualidade de vida nas grandes cidades como São Paulo tem sido bastante prejudicada devido ao cotidiano corrido e estressante proporcionado pela dinâmica urbana. As pessoas permanecem por horas nos engarrafamentos que, atualmente, não tem dia certo, nem horário. Muito tempo é perdido nas filas dos bancos, dos supermercados, nos cinemas e assim por diante. Desse modo, atividades simples tornam-se fontes que provocam experiências desagradáveis.
Com tantos fatores geradores de tensão, o homem necessita, cada vez mais, de horas de lazer, para conseguir se recuperar e encarar a rotina de trabalho. Isso se intensifica ainda mais se for considerada a imposição do mundo profissional, marcado pela competitividade e produtividade que geram muita angústia. No tempo livre, é importante que se tenha a oportunidade e a liberdade de se escolher o que fazer.
O lazer é para todos uma grande necessidade, não pode ser um luxo, como muitos o dizem. De fato, é um direito que deve ser exercido pela maioria das pessoas para que a saúde mental seja preservada.
É no momento de relaxamento que o ser humano consegue dar vazão a sua capacidade criadora. Desde pequenos, as brincadeiras são fontes de inspiração e de criatividade. Por meio delas, as crianças são capazes de aprender e de elaborar as experiências difíceis do dia-a-dia, imaginando soluções para elas.
Para os adultos, não é diferente, o lúdico também é muito importante. Este pode proporcionar prazer, o registro de experiências novas, enfrentamento de outras, promovendo também o contato com a cultura e seu próprio desenvolvimento. A socialização é um dos efeitos mais importantes, pois permite uma interação maior com a família, amigos e parentes, para além das obrigações, criando lembranças significativas. No âmbito do direito a ser exercido, possibilita a circulação em diferentes espaços e instituições, aumentando o contato e a troca de culturas, criando novas referências.
Seja praticando esportes, indo aos parques verdes, parques de diversão ou dançando, a pessoa tem a possibilidade de se colocar numa posição ativa na obtenção de prazer. Na fantasia, intensificada pelo lúdico, a pessoa pode-se sentir um jogador de futebol, um corredor e até um herói poderoso, como nos brinquedos em que a pessoa se sente capaz de enfrentar seus medos e sair ilesa da situação.
Do ponto de vista da saúde mental, poder viver com menos sofrimento é essencial. Ter a possibilidade de escolha de ir e vir e estar num lugar diferente são movimentos que dirigem a preocupação das pessoas para outros focos distantes do aprisionamento da rotina. Portanto, é essencial que um espaço para o lazer seja encontrado em meio à “correria” do cotidiano.
Sei que sou uma pessoa briguenta, e várias vezes tento me controlar. Só que de repente, sem eu perceber já estou brigando de novo. O que é isso? (M. 30 anos)
Desde sua origem e conforme os avanços teóricos que a própria teoria convocava a elaborar a psicanálise subverte o pensamento corrente revelando que o homem não é senhor de sua própria casa. O que isso quer dizer?
De modo bem geral, é através do postulado e da construção teórica do inconsciente que começamos a entender que existem forças desconhecidas dentro de nós. Existem saberes que também não acessamos diretamente. Através dos lapsos de fala e escrita e de nossos sonhos (formações do inconsciente) entramos em contato com algo que nos parece, a princípio, estranho e ao mesmo tempo familiar. O tempo todo se percebe que há algo que nos escapa, que não controlamos.
Há algo que insiste e que retorna no comportamento dos humanos e, muitas vezes, não conseguimos atribuir um sentido para tais ações. Para a Psicanálise, o comportamento que insiste, que se repete, pede elaboração, elaboração que muitas vezes só pode ocorrer na presença de um psicanalista, que escuta a repetição e através do trabalho de análise favorece que o analisando encontre sua necessidade particular de repetir tal comportamento. Este processo pode ser longo, e coloca a necessidade do analisando de se implicar e de se perguntar acerca de suas ações.
Atualmente, parece haver uma tendência a não suportar o não sabido, a acharmos que há uma resposta imediata a todos os comportamentos humanos. Com a intensa medicalização do psiquismo e do sofrimento humano, enveredar-se por um caminho árduo e longo parece ser perda de tempo e um esforço desnecessário, já que uma medicação ou um redirecionamento comportamental pode trazer a ilusão de ser mais rápido.
No entanto a psicanálise pode oferecer algo que se situa mais além dos efeitos terapêuticos que são intrínsecos a este processo. Ela também pode oferecer uma longa travessia naquilo que é mais intímo e mais estranho em nós mesmos.Travessia que é sempre única e singular, que não permite que seja generalizável. Generalização do humano e de seus comportamentos que parece ser, em nossa atualidade, a marca de nossos tempos.
Atualmente, grande parte dos casais adquire bastante intimidade antes de casar ou morar junto. É comum que tenham relações sexuais, que viagem, que freqüentem a casa da família do parceiro...
No entanto, apesar de estarem muito próximos, os namorados sentem a necessidade e o desejo de terem seu próprio canto, sua casa. Viver sob o mesmo teto aparece como uma forma de realizar este desejo e diante disso, pode surgir a questão: “O que é melhor, casar ou morar junto?”.
Em primeiro lugar, é preciso pensar a respeito dos valores do casal, se este valoriza uma cerimônia religiosa, casar no papel. Vale lembrar que nem sempre há um consenso entre os parceiros, pode acontecer de um ter valores mais “tradicionais” e o outro achar que a união pode ser feita de maneira mais informal. Nesta situação cabe o diálogo e a capacidade de ser flexível, de ceder.
A influência de ambas as famílias também pode ser forte. Determinadas famílias resistem à idéia de que seus membros não formalizem a relação juridicamente e até mesmo religiosamente. Sentem esta atitude como um desrespeito, interpretam como falta de compromisso, se preocupam com os direitos caso o relacionamento termine, acreditam que a união será mais frágil para enfrentar momentos de crise. Outras famílias, no entanto, não dão tanta importância às questões burocráticas e religiosas.
A tarefa de conseguir decidir segundo o próprio desejo nem sempre é fácil para o casal. Alguns se sentem pressionados pelos valores familiares e obrigados a “agradar” seus pais. Apesar de ser uma situação difícil, é importante que prevaleça o valor do casal.
A decisão de morar junto pode ser baseada em vários aspectos: dificuldade financeira, insegurança frente à relação, ausência de valores religiosos, liberdade de escolha. Porém, para outros casais, casar na Igreja, colocar o sobrenome da família do outro, são momentos muito sonhados e valorizados.
Em alguns casos, o argumento utilizado para morar junto se refere ao momento da separação, pois este seria mais fácil, já que questões burocráticas não estariam envolvidas. Nesses casos, cabe a reflexão: por que já pensar em separação? Este tipo de pensamento pode estar baseado numa visão racional e consciente, uma vez que toda união está sujeita a não dar certo. No entanto, a antecipação e até “previsão” da separação pode indicar conflitos importantes na relação.
Alguns casais chegam a afirmar que a escolha de morar junto surgiu como a “última esperança” para evitar um rompimento. É comum nessa situação que um dos parceiros “intime” o outro a assumir um compromisso mais sério como se dizer “sim” a esta proposta fosse uma prova de amor.
É verdade que questões burocráticas são atenuadas com o “morar junto”, mas as afetivas são tão intensas quanto “casar no papel”. Ambas as situações representam um momento de grande mudança na vida do casal.
A saída da casa dos pais (quando ainda se mora com eles) é difícil, alguns têm a fantasia de que estão abandonando sua família e de que seu afastamento de casa trará muito sofrimento. O medo de não dar conta das questões financeiras e da organização de uma casa também costumam ser corriqueiros e trazem muita angústia.
Nesta fase de transição de vida também estão presentes sentimentos prazerosos como se perceber independente, realizar o desejo de ter sua própria casa, de ser amado, de ter filhos...
Independentemente da forma em que será feita a união do casal, o importante é que haja respeito, compromisso na relação e ideais que possam ser compartilhados.
"Sofro muito com minha TPM, brigo com todos a minha volta,principalmente com meu marido. Ele diz que não me agüenta mais assim. O que posso fazer?" (J. 30 anos).
As mulheres costumam se entender quando o assunto é TPM (Tensão Pré-Menstrual). De alguma maneira ou de outra, todas sabem um pouco a respeito deste tema e há um consenso de opinião que revela o quanto este período é conturbado para as mulheres. Já entre os homens, parece haver outro consenso quanto a este assunto: Neste período é melhor deixar as mulheres de lado, já que elas ficam agressivas e perdem o controle. O termo TPM é freqüentemente utilizado pelo senso comum para designar este período de intensa turbulência para algumas mulheres.
"Xi, tá na TPM!!!
A síndrome pré-menstrual (SPM) é um complexo de ssintomas que surge entre 10 e 14 dias antes da menstruação e, geralmente, desaparece com o início do fluxo, só se caracterizando como doença se afetar o
dia-a-dia da mulher.
A literatura médica aponta para uma justaposição, na TPM, de sintomas físicos e psicológicos. As principais manifestações são as terríveis enxaquecas, cólicas, fome incontrolável, inchaço nas mamas e nos pés e insônia.
Irritabilidade e labilidade de humor são os traços emocionais mais marcantes. Não existe uma causa específica para a TPM, mas muitos médicos recomendam medidas profiláticas, como diminuição do sal para evitar o inchaço, diminuição da ingestão de alimentos gordurosos e atividades físicas.
A TPM parece ser mais um indício de que não é possível fazer uma separação dos fenômenos mentais e corporais.
O corpo incide no psiquismo, se revelando, através da linguagem em todos os seres humanos. No entanto, a TPM não deve ser a desculpa para que as mulheres se eximam de pensar naquilo que as faz sofrer e não podem, tampouco, deixar de pensar nas conseqüências de seus atos, justificando-os através dos sintomas da TPM. Se algo da irritabilidade existe neste período, há que se pensar no porque dos transbordamentos de tais sensações principalmente se elas afetam ou incidem em pessoas importantes. Brigar e explodir constantemente com a mesma pessoa pode ser o indício de que algo não vai bem no relacionamento. Atribuir estes comportamentos a TPM parece ser uma maneira de não se haver com um problema que tem outras origens e que exige outro tipo de atenção.
A TPM denuncia que há um abismo natural entre os homens e as mulheres. Há um ponto de falta, de dissimetria entre homens e mulheres no que diz respeito a muitas questões. Dissimetria que a todo tempo tentamos burlar quando falamos da igualdade entre os homens e as mulheres. As mulheres enigmáticas e incomparáveis só podem ser ditas no uma- a uma, ainda que muitas vezes as mulheres se identifiquem com traços comuns.
Parafraseando Freud, grande pensador da cultura e do humano, podemos e devemos nos indagar: O que de fato quer uma mulher?
Os adolescentes trazem em seus relatos muito sofrimento diante das freqüentes discussões que estabelecem com seus pais neste período de vida. Eles se queixam da invasão de privacidade, da autoridade, do excesso de preocupação com as drogas, sexualidade e liberdade, outros reclamam da omissão de seus pais que parecem ser permissivos, não se importando com eles.
Comentam sobre as mudanças na qualidade da relação que antes havia quando eram crianças, remetem-se ao sentimento de perda e a certo afastamento, seja afetivo ou físico.
Os pais, antes idealizados, passam a ser, aparentemente, figuras odiadas, desvalorizadas, com quem estabelecem os mais intensos confrontos. No entanto, estes sentimentos de raiva e ódio revelam a curiosa faceta da necessidade do adolescente de se diferenciar para adquirir sua própria identidade.
Esse movimento, proporcionado pelas brigas, tem como fundo, o grande mal-entendido proposto pela tarefa da educação, que visa o respeito às regras sociais e a aquisição de autonomia. Para tanto, são necessários a separação e um posicionamento e até mesmo uma contraposição perante os referenciais parentais para que ocupe um lugar.
A adolescência é uma criação da cultura, diz de um período de vida em que o sujeito refaz e reedita suas crenças, seus valores e seus modelos. Para que isso aconteça, o adolescente busca novos paradigmas em outros grupos, que não o familiar.
Os modelos lhe servirão para “testar” novas formas de existência. Assim, o jovem ingressa em grupos com crenças e códigos próprios, como os emos, os nerds, os góticos, os populares, os rebeldes, etc. Em alguns casos, esta situação pode parecer caricata e exagerada, tamanha a necessidade de diferenciação de alguns. Porém, esses grupos são funcionais, permitem a identificação com outros ideais e valores e proporcionam o sentimento de pertencimento no mundo afora.
Aos pais é importante saber que é um momento bastante delicado, mas extremamente necessário, para que o filho se torne um adulto com opiniões e pensamentos que lhe sejam próprios.
Para muitos pais é um período de intensa angústia, pois o adolescente pode ser bastante ativo no seu desejo de adquirir autonomia. Os questionamentos são freqüentes, há um conflito dos pais que querem que o filho cresça, ao mesmo tempo, em que temem as conseqüências da autonomia. Muitos pais se sentem atacados e de fato desvalorizados e sofrem pelo sentimento de que não são mais os “heróis” e “heroínas” de sua prole.
É imprescindível saber dosar e escutar o que esta fase representa, tanto para o adolescente como para os pais. A turbulência pode cegar e ensurdecer aqueles que não estão atentos, assim toda a roupagem vestida pelo adolescente pode desviar a atenção dos pais para a verdadeira razão da existência dela, que é de possibilitar um grande crescimento diante do questionamento daquilo que foi transmitindo. Há o confronto com os referenciais, pois estes existem. Questionar não significa que não tenham valor, mesmo que o adolescente diga isso.
Freqüentemente escuto pais de adolescentes temerosos com a possibilidade de seus filhos usarem drogas. Outras vezes, os adolescentes contam aos seus pais que utilizaram drogas, fato que os deixa aflitos, alarmados, assustados. E certamente há muitos motivos para isso: a oferta de drogas é incessante na nossa atualidade e independe de classe social. As drogas não estão só na periferia, como se pensava anteriormente. Elas estão em qualquer lugar.
Muitos estudos revelam que a dependência de drogas geralmente tem início na adolescência, período descrito como vulnerável pela literatura científica. A dependência é caracterizada pela perda de controle sobre o uso da substância, que se manifesta pelo consumo persistente e compulsivo mesmo quando há problemas significativos que impedem o uso. Por exemplo, um fumante que está com bronquite e ainda assim não deixa de fumar seu cigarro.
A grande maioria dos adolescentes diz que a primeira experiência com as drogas se dá por curiosidade. Querem experimentar como é a sensação. E esta sensação é muitas vezes traduzida pelos adolescentes com gírias: foi bem louco, maneiro, animal, uma viagem.
Experimentar novas sensações é uma constante na adolescência. O corpo em transformação, a fragilidade em que se encontra devido a queda de seus ideais infantis, a separação necessária com a família, ou seja, o abalo geral de sua identidade trazem muitas sensações que, muitas vezes, não conseguem ser expressas pelas palavras. A linguagem nem sempre dá conta de exprimir as vivências, por isso os adolescentes usam tanto as gírias.
Além de tudo isso, os adolescentes devem cavar um espaço social e sexual. Podemos pensar que a passagem adolescente é realmente uma grande viagem turbulenta por tudo aquilo que foi adquirido na infância.
Neste abalo identitário, os adolescentes vão buscando se encontrar nos diversos espaços sociais pelos quais circulam. E assim fazem suas primeiras experiências com as drogas cercados de outros adolescentes. Uma grande parte dos adolescentes para por aí. Há outros que seguem neste perigoso caminho.
E os pais?
Muitos pais acreditam realmente nos intensos questionamentos que os adolescentes fazem. Os pais escutam tais questionamentos como uma afronta e, muitas vezes, se retiram dizendo: Ah, você com este tamanhão, vá procurar sua turma. Ofendidos com os filhos não conseguem escutar que é um questionamento necessário e não uma briga real. Os adolescentes, ao contrário do que parece, precisam muito de seus pais. Eles necessitam encontrar um espaço de segurança para onde possam voltar da busca de seu lugar no mundo, de sua “viagem”.
Os pais, atentos aos seus filhos podem promover verdadeiros espaços de troca e questionamento sem que se sintam feridos e ofendidos. Ajudar os filhos a diferenciar as diversas experiências que os adolescentes atravessam pode ser uma grande oportunidade de transmissão de uma experiência rica entre pais e filhos. Quando há muitos obstáculos nesta relação se faz necessária a procura de um profissional para clarear os caminhos.